A CONSTRUÇÃO DA AUTONOMIA EM CRIANÇAS BRASILEIRAS E ALEMÃS

Publicado por conteudoescola - autoras: Marcia Leche e Maria Ap. Sliepen em 29/05/2017 às 15h07

A CONSTRUÇÃO DA AUTONOMIA EM CRIANÇAS BRASILEIRAS E ALEMÃS E A CONTRIBUIÇÃO NA APRENDIZAGEM

 

SÃO PAULO  / 2013

 

MÁRCIA ANTONANGELO LERCH

 

MARIA APARECIDA DE ANDRADE BONAFÉ SLIEPEN

 

Monografia apresentada ao curso de Psicopedagogia das Faculdades Claretianas em parceria com SIEEESP como requisito parcial à obtenção ao título de especialista em psicopedagogia.

 

                                                            Orientadora: Profª Dra. Daniella Basso Batista   Pinto

RESUMO

 

O objetivo do presente trabalho é abordar sobre a importância do desenvolvimento da autonomia para a aprendizagem  e orientar pais e professores para a conscientização de atitudes que favorecem a construção adequada da autonomia. Além dos teóricos que dão embasamento para todo o estudo, esta  monografia apresenta uma visão sócio cultural da dinâmica familiar e escolar brasileira e alemã, bem como experiências bi culturais que sugerem que a atuação do psicopedagogo nas  intervenções e  orientações são relevantes no processo do  resgate do interesse pelo conhecimento  para a superação das dificuldades de aprendizagem.

 

 

 

Palavras-chave: Autonomia. Cultura.  Aprendizagem. Psicopedagogia.

 
 

ABSTRACT

 

The primary objective of this research is to emphasize the importance of the development of educational autonomy, in order to orient parents and teachers about the correct attitudes that work in favor of an adequate autonomy. Besides the theory that support this study, this monography presents an overview of Brazilian and German social, cultural, scholar and family-dynamic habits, as well as the bicultural experiences that suggest the relevant presence of a Psych pedagogue’s intervention and  orientation, in order to overcome the difficulties and restore the interest to a proper education.  

 

 

 

Keywords: Autonomy. Culture. Education. Psychpedagogue.

 

SUMÁRIO

 

 

INTRODUÇÃO...............................................................................

07

1

A CONSTRUÇÃO DA AUTONOMIA INFANTIL...........................

09

1.1

Autonomia e aprendizagem...........................................................

13

2

AUTOESTIMA...............................................................................

17

2.1

A família e a autoestima da criança...............................................

19

2.2

A  escola e a autoestima...............................................................

22

3

A IMATURIDADE EMOCIONAL E A DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM..........................................................................

 

24

3.1

A superproteção e o risco de subproteger.....................................

26

4

A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOPEDAGOGIA PARA A SUPERAÇÃO DE DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DECORRENTES DA FALTA DE AUTONOMIA...........................

 

 

28

5

HISTÓRIA DE VIDA: UMA EXPERIÊNCIA BICULTURAL..........

32

5.1

História de vida 1...........................................................................

32

5.2

História de vida 2...........................................................................

36

5.3

Análise e interpretação dos dados................................................

39

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS..........................................................

41

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................

44

 

INTRODUÇÃO

 

Pelo fato de se observar diferentes atitudes entre as crianças brasileiras e alemãs em relação à autonomia, surgiu a necessidade de se investigar como é a cultura de ambas as nacionalidades em relação à construção da autonomia.

Com essa pesquisa se pretende analisar suas diferenças, implicações e contribuições para relacioná-la com a motivação para a aprendizagem.

O objetivo desse trabalho é de também orientar pais e professores a serem assertivos na construção e desenvolvimento da autonomia das crianças..

Diante de situações de dificuldades de aprendizagem advindas do desinteresse pelo conhecimento, falta de vontade, ociosidade, desmotivação, considera-se de grande relevância a pesquisa sobre esse tema pois irá apresentar hipóteses de que a construção inadequada da autonomia interfere no desenvolvimento global da criança gerando dificuldades de aprendizagem.

Pretende-se também propor atuações do psicopedagogo junto ao aluno, família e escola para orientação e superação do problema.

Nesse sentido, a pesquisa está estruturada da seguinte maneira:

O capítulo 1 “A Construção da Autonomia Infantil” define o significado de Autonomia e apresenta sugestões para o desenvolvimento da autonomia das crianças e é abordada a importância do desenvolvimento da autonomia para o comprometimento com o aprendizado.

O capítulo 2 “Autoestima e aprendizagem” observa itens importantes para o desenvolvimento da autoestima saudável. É abordada a autoestima no âmbito familiar e a importância da qualidade do relacionamento entre a criança e os adultos de sua convivência. Enfatiza a importância da auto estima como parte integrante do currículo escolar e a postura do professor encorajador no processo da aprendizagem.

O capítulo 3 “A imaturidade emocional e a dificuldade de aprendizagem” apresenta implicações decorrentes do desenvolvimento inadequado da autonomia e da baixa autoestima. Demonstra situações de superproteção e subproteção.

O capítulo 4 “A contribuição da psicopedagogia para a superação de dificuldades de aprendizagem decorrentes da falta de autonomia” aborda a função do psicopedagogo como orientador familiar

O capítulo 5 “História de vida”, relata experiências biculturais de mães brasileiras e pais alemães, bem como analisa a interpretação de dados.

E, finalmente, as Considerações Finais trazem uma reflexão sobre as necessidades básicas das crianças, as diferenças culturais, propõem um aprendizado que considera o ritmo de cada criança, além de orientar os pais e professores a investirem em atitudes que oportunizam o exercício da autonomia.

 

  1 A CONSTRUÇÃO DA AUTONOMIA INFANTIL

  “Autonomia é a situação de quem tem liberdade para pensar, decidir e agir”. (Caldas Aulete)

Autonomia como finalidade da Educação, segundo Piaget, significa “ser governado por si mesmo”.

Para Piaget (1994), a Autonomia tem dois aspectos: moral e intelectual.

A autonomia moral resume-se na questão da moralidade no seu sentido literal, isto é, um conjunto de regras e princípios de decência que orientam a conduta dos indivíduos de um grupo social ou sociedade. Conjunto de princípios ou regras morais.

Portanto, no aspecto moral, autonomia significa ser governado por si mesmo, tomar decisões próprias e agir de acordo com a verdade. Já no aspecto da moral intelectual, ou seja, da inteligência, é definida como pessoas que tem interesse por ideias e pensamentos, ou se dedicam a atividades que envolvem estudo e raciocínio desenvolvendo a capacidade de usar a mente para pensar.

Portanto, é correto afirmar que, conforme Piaget (1994), na autonomia moral aparecem questões de certo e errado, já na autonomia intelectual aparece questões de verdadeiro e falso.

Ainda, segundo Piaget (1994), toda moral consiste num sistema de regras e a essência de toda moralidade deve ser procurada no respeito que o indivíduo adquire por essas regras. O desenvolvimento moral passa por uma fase de dependência antes de alcançar a autonomia.

A criança pequena tem o ponto de vista próprio, como absoluto, comumente conhecido como egocentrismo, mas, o conceito de egocentrismo significa ainda, não ter domínio do seu “eu” e por isso ainda age de forma heterônoma. Conforme Piaget (1994), a criança heterônoma estabelece com o adulto uma relação de natureza unilateral em que a palavra do adulto é vista como verdade absoluta. O respeito unilateral é importante para a constituição da consciência elementar do dever e é o primeiro controle normativo do qual a criança se torna capaz.

A heteronomia natural da criança normalmente é estimulada pelas recompensas e castigos utilizados pelos adultos, sendo precisamente essas sanções que mantém essas crianças obedientes e heterônomas. (KAMII, 1982/1991, p.108).

A autora considera a punição como a forma mais comum de coação e destaca três aspectos: a criança poderá repetir o mesmo ato, evitando ser descoberta; ela poderá adquirir uma atitude conformista, onde não é necessário tomar decisões, apenas obedecer e, por último, poderá desenvolver uma atitude de revolta. Para a autora a recompensa, também pode reforçar a heteronomia, fazendo-a agir apenas motivada pelo benefício que receberá.

É importante a criança perceber e sentir o desejo e a necessidade de cooperar, sem esquecer-se da necessidade de alcançar um objetivo comum, com sentimentos e perspectivas próprias em conformidade com a consciência dos sentimentos e perspectivas dos outros.

A autonomia está ligada à capacidade do indivíduo de se autorregular, moral e intelectualmente (DEVRIES& ZAN, 1994-1998).

Segundo Piaget (1994), só a cooperação conduz à autonomia moral do indivíduo, levando-o a apreciar o valor das regras propostas e não apenas obedecê-las.

A autonomia, intelectual, faz com que as crenças propostas pelos mais velhos sejam substituídas por uma norma própria de consciência.

A importância da construção da autonomia infantil significa formar um sujeito que terá maior possibilidade de governar-se a si próprio, ser responsável por suas atitudes, decisões, levando em conta, não só o que é bom para ele, mas também para o grupo, ser menos dependente dos adultos, enfim, torna-se um ser pensante e crítico.

Baseado em todos esses estudos e em observações, percebe-se que é de extrema importância, educar uma criança de forma a fazê-la pensar, e agir, segundo valores e princípios.

Steiner (1988), cita dez regras para desenvolver autonomia em seu filho:

  • Tenha seu filho, quando você tiver certeza que vai poder cuidar deles pelos próximos 18 anos.Propicie para seu filho liberdade para testar sua capacidade e espontaneidade, de tentar e provar situações para se fortalecer.
  • Incentive que seu filho se expresse livremente sobre si mesmo, que fale sobre seus sentimentos. Proteja-o e esteja por perto quando dificuldades aparecerem, e permita que ele mesmo as enfrente.
  • Seus sentimentos ou intuições não devem ser nunca desprezados ou minimizados.
  • Nunca, em hipótese alguma, minta para seu filho.
  • Permita e propicie para seu filho movimentar-se livremente, e que sinta liberdade para ver, ouvir, tocar, cheirar e sentir, desde que esteja protegido de perigos. O que não for permitido ,pois indica algum perigo, deve ser explicado.
  • Nunca acuse, se algo não for bem sucedido. Antes de ajudá-lo, dê a ele uma chance de tentar.
  • Ensine-o a não ter comportamento competitivo.
  • Confie na natureza do ser humano e acredite em seu filho2
  • Regras podem pressionar, mas, podem também ser interpretadas como receitas: Como devo agir ou me comportar, para obter o resultado esperado?

 

1.1Autonomia e Aprendizagem

As noções do “eu” e do “outro” são construídas conjuntamente, num longo processo de diferenciação.

O caminho desse desenvolvimento passa pela fase sensório-motor, durante o qual, a criança constrói esquemas de ação que constituem numa espécie de lógica das ações e das percepções

Nessa fase, as ações são interiorizadas, ou seja, efetuadas mentalmente. De dois aos sete anos, fase pré-operatória, ainda lhe falta a capacidade de pensar simultaneamente que lhe será construída nas fases seguintes: operatória concreta e formal.

Quando a criança tenta explicar seu raciocínio para outra pessoa, tem que sair de si, para se fazer entender. Tentando coordenar seu ponto de vista com o de outra pessoa, ela mesma entende seu próprio erro. Partindo dessas autonomias a aprendizagem se concretiza.

Para Piaget (1994), em todas as fases, é essencial a ação do sujeito sobre os objetos.

 A intermediação do adulto possibilita a aprendizagem e o desenvolvimento de habilidades.

As situações e experiências vivenciadas e apresentadas no dia-a-dia em casa ou na escola, em interação com o meio e com as pessoas e ou objetos com que convive são essenciais para esse desenvolvimento.

Quando um adulto interfere com frequência nesse processo, ou seja, ele realiza a ação no lugar da criança, quando essa já é capaz de realizar sozinha, ele obstrui o exercício da experiência podendo ocorrer na criança acomodação e consequentemente desinteresse por novas experiências. 

Durante a aquisição de um novo conceito, quando existe a possibilidade do adulto propiciar reflexão com a criança sobre determinados hábitos, noções, valores e atitudes, ele estará contribuindo para a construção da autonomia.

O educador deve oportunizar situações para o desenvolvimento de habilidades e incentivar a criança aprender a pensar. Aprender a pensar por si mesmo, sobre o próprio pensar é uma forma de pensar multidimensional – crítico, criativo e cuidadoso.

Na idade pré-escolar, a criança adquire autonomia  através da negociação e do reforço e é posta em prática o meio em que a criança está inserida. No jardim-de infância, a negociação ou reforço concretiza-se entre a criança e a educadora e, em casa, entre a criança e os pais (Nucci et al, 1996,p.24)  

Um exemplo da aquisição de autonomia, na idade pré- escolar é quando a professora oportuniza para que a criança escolha a atividade que prefere realizar. A sala disposta com “cantinhos” oferece um ambiente propício para essas escolhas pois disponibiliza para a criança atividades diversificadas como: pintura, recorte e colagem, blocos de construção, jogos simbólicos, etc.

Nas ocasiões em que os pais solicitam à criança a colaboração delas na realização de atividades cotidianas como “pôr a mesa”, “fazer a cama”, “arrumar os brinquedos também são oportunidades para que a criança se sinta participativa e valorizada”.

O momento das refeições é ao mesmo tempo um momento de encontro com toda a família e deve ser cultivado.

A criança observa os comportamentos dos adultos à mesa e começa a imitar, ou seja, a comer o mesmo que os adultos comem e a usar os talheres como os adultos fazem (FERLAND,  2006).

As crianças entre os 4 e 5 anos, apresentam uma ambivalência  entre a dependência (ser alimentada) e a independência (alimentar-se a si própria).

Nessa fase a criança adquire e aperfeiçoa as suas capacidades.  As habilidades motoras permitem a  aquisição de novas habilidades nas atividades do  cotidiano, realizando-as com uma maior destreza e rapidez (PIKUNAS, 1979).

Assim, se dá de forma gradual a  aquisição de capacidades que lhe permitem um maior grau de  autonomia, no momento das refeições, da realização dos cuidados com o próprio corpo, do controle dos  esfíncteres e da realização das pequenas tarefas diárias.

Em relação aos hábitos de higiene, a criança com idade entre os 5 e os 6  anos já deve ter atingido uma autonomia razoável, sendo capaz de tomar banho, secar-se  parcialmente após o banho, pentear-se, e usar o vaso sanitário, sem a ajuda dos adultos (FERLAND,  2006). Esta progressão traduz o desenvolvimento de autonomia nos cuidados cotidianos com o corpo.

Quanto à capacidade para se vestir, o seu grau de autonomia implica um desenvolvimento  mais apurado da motricidade fina. A criança a partir dos 5 anos consegue fazer um laço  ou abotoar botões, desde que estes sejam fáceis de manipular. (FERLAND, 2006).

O controle dos esfíncteres (noturno até os 30 meses e diurno aos 4 anos aproximadamente) compreendem a capacidade de urinar com a bexiga parcialmente cheia e de interromper o fluxo da urina.

Até ao fim da fase pré-escolar, a criança deve dormir na sua cama e no seu quarto.  Quando isto não ocorre, a criança poderá estabelecer uma relação de dependência com os  pais no ato de adormecer. Esta relação de dependência provoca na criança padrões de sono leves, consequentemente, ela acorda frequentemente durante a noite e precisa dos pais  para voltar a adormecer; apresenta dificuldades na  mobilização e manutenção da atenção   na realização de tarefas de aprendizagem; e insiste que os pais partilhem a  cama com ela ou em dormir no quarto dos mesmos. (BUSSE E BALDINI, 1994).

Entre os 3 e 5 anos, a criança pode apresentar dificuldades em ir para a cama sozinha, testando constantemente os pais, a fim de não ir para a cama e ficar mais tempo na presença dos mesmos.

A partir dos 4 ou 5 anos, a criança é capaz de  realizar pequenas tarefas como, por exemplo, a  criança é capaz de preparar um alimento simples, dar recados, atender ao telefone, com a orientação e supervisão dos pais.

Estas tarefas representam um ensaio e aprendizagem importante para a responsabilização das rotinas e dos comportamentos na idade escolar, ou seja, elas são importantes, pois permitem a aquisição  dos comportamentos de autonomia uma vez, que progressivamente a criança começa a tomar a iniciativa e a ter o controlo sobre as rotinas diárias de higiene e conforto.

Acredita-se que uma criança educada de forma autônoma, que é incentivada a pensar, refletir, criar, desenvolve melhor as capacidades afetivas e intelectuais que são a base da autoestima.

 

 

2 AUTOESTIMA

Autonomia é a chave para alcançar autoestima.

Como apresentado até agora, sabemos que o ser humano precisa desenvolver habilidades para viver, desenvolver a inteligência e personalidade, interagindo com outras pessoas.

Autoestima é a confiança em nossa capacidade de lidar com os desafios da vida. Essa capacidade provém da maneira de como a pessoa se vê e se sente junto à percepção dela mesma e em relação ao que as outras pessoas demonstram à ela como é vista por eles.

Segundo Dely (2006, p 12): a autoestima "é um elemento que se desenvolve na infância e depende de como e de quanto fomos valorizados pelas pessoas que amamos. Conhecer nosso valor depende de que alguém o aponte e nos estimule".

De acordo com Antunes (2003) a autoestima é muito além de gostar de si mesmo, é se conhecer e ter uma visão concreta e realista das limitações e das potencialidades. A auto avaliação permite se conhecer melhor  e possibilita adquirir autoestima.

Ter pensamentos positivos a respeito de si mesmo como uma solução rápida para se obter uma boa autoestima não é uma questão tão simples.

A autoestima é gerada no interior da pessoa, cujo processo de construção se inicia desde a mais tenra idade. Seus primeiros anos de vida são fundamentais para que ela possa adquirir confiança em si mesma, aprender a se autovalorizar e a se superar em cada desafio.

Ela faz parte do processo de formação do indivíduo e se estrutura no dia-a-dia, na família, na escola, na sociedade.

Experiências vivenciadas onde o resultado foi positivo geram satisfação, conforto e alegria e motivam o indivíduo a querer aprender mais, gerando autoestima positiva. Em contrapartida as que resultam em insucesso podem acarretar rótulos, zombarias, castigo e pressões gerando autoestima negativa.

Os pensamentos automáticos negativos construídos no decorrer de situações de frustração geram sentimento de incapacidade que, quando generalizados demonstram ser típicos de pessoas de média a baixa autoestima e são devastadores, provocam estagnação no processo de desenvolvimento global da pessoa, sendo motivo de patologias e suicídios.

Essas pessoas interiorizam uma imagem fragilizada de si mesmas e se mostram rígidas quanto à critica de outras pessoas ou mudanças, incorrendo em tomada de decisões não tão assertivas.

Nessas ocasiões, o indivíduo necessita buscar cognitivamente recursos para a análise de seu insucesso e verificar qual estratégia ou caminho tomado não foi suficiente ou adequado para alcançar o objetivo pretendido.

Em situações, quando a criança teve a oportunidade de desenvolver a autoestima saudável, ela buscará esses recursos construídos em seu interior, ou seja, realizará uma análise de seu erro, sem se autodepreciar, fazendo um balanço sobre as possibilidades de acerto, exercendo a autonomia através de tomada de decisão com maior probabilidade de êxito e assim construirá um novo conhecimento e fortalecerá a imagem e o desempenho de si mesma.

 

  2.1 A família e a autoestima da criança

A atitude dos pais é bastante significativa para a criança pois representa um espelho onde a criança irá formar a sua própria imagem.

Também é de grande importância que esses promovam a interação social da criança em diferentes contextos sociais de forma afetiva para que ela desenvolva positivamente seus sentimentos e autoimagem.

Coopersmith (1978) realizou um trabalho surpreendente referente aos antecedentes da autoestima ao pesquisar que não havia questões de condição econômica da família, grau de instrução, classe social, profissão do pai, presença constante da mãe em casa, como fator determinante para a manifestação da autoestima saudável das crianças. Ele constatou como significativo a qualidade do relacionamento entre a criança e os adultos de sua convivência. Em sua pesquisa, ele observou cinco condições associadas ao alto grau de autoestima nas crianças, a saber:

  • As crianças experimentam uma total aceitação de seus sentimentos, pensamentos e valores pessoais.
  • Os limites são claramente definidos, justos, não opressivos e negociáveis.
  • São respeitadas, ouvidas e atendidas dentro dos limites cuidadosamente estabelecidos.
  • As expectativas em relação aos padrões de comportamento moral e desempenho são transmitidos de forma respeitosa
  • Os pais tendem a ter um alto nível de autoestima, servindo de modelos para os filhos.

Coopersmith (1978) observa que não existem regras de comportamento e atitudes dos pais que são comuns a todos os pais de criança com autoestima elevada, mas sim a  maneira de se relacionarem com os filhos é que influência no senso de autovalorização dos mesmos.

Branden (1997) reforça essa visão de que o comportamento dos pais não é o fator determinante para decidir o curso do desenvolvimento psicológico da criança e que as vezes, a influência mais importante na vida da criança é a de um professor, um avô, um vizinho. Ele enfatiza que os fatores externos são uma parte da história.  "Somos seres cuja consciência é volitiva, começando na infância e prosseguindo por toda a vida, fazemos escolhas que têm consequências para o tipo de pessoa que nos tornamos e para o grau de autoestima que alcançamos (1997, p. 114)".

Freud (1923), em sua época, denominava auto estima como senso de "amor-próprio".  Ao se falar em amor, devemos fundamentá-lo com toda a propriedade na Palavra de Deus, no amor Ágape, o amor incondicional de Deus pelas pessoas, e que, no caso de falhas no percurso da construção da autoestima, o amor Ágape tem o poder de construir pontes, abortar o que é nocivo à saúde física e mental e gerar o sentimento de amor próprio baseado na percepção do amor de Deus. O amor de Deus tem o poder de aperfeiçoar as pessoas que O buscam, tem o poder de gerar no indivíduo um senso de valorização que independe de sua capacidade ou habilidade.

Ser amado incondicionalmente com seus sucessos e fracassos é uma necessidade básica inerente a todo o ser humano, independente de raça, religião, condição social, etc.

É indiscutível a importância do papel da família e da escola, dos professores, adultos responsáveis pela moldagem dos padrões disciplinares de educação que quando flutuam entre a super-rigidez e super permissividade são responsáveis por deformações temperamentais uma vez que, o cérebro em formação absorve e interioriza a imagem que os adultos fazem dele.

Podemos dizer que, os adultos que fazem parte do universo da criança, podem com suas atitudes, facilitar ou dificultar o desenvolvimento de atitudes que, se integradas no processo de construção da auto estima da criança servirão como incentivo ou desencorajamento e irão compor as escolhas que o indivíduo fará no decorrer de sua vida baseadas na educação recebida e aplicada em suas relações intra e interpessoais.  Quanto mais saudável sua autoestima, maior as probabilidades de suas escolhas serem assertivas.

 

 

  2.2 A escola e a autoestima

Antunes (2006) em sua análise acerca das pesquisas de Coopersmith diz que "a autoestima, e isso é óbvio demais não se circunscreve a equipamentos neurais, características biológicas ou padrões materiais, com que se acerca o crescimento e sim à educação que se ministra (p.67)".

Muitas vezes encontramos crianças com dificuldades de lidar com os desafios propostos, julgando-se impotentes diante de algumas situações. Esses fracassos se não forem trabalhados influenciam no seu desenvolvimento.

O fracasso escolar, quando surge no momento da alfabetização desencoraja a criança a prosseguir, implica em repetências, exclusões e por consequência reflete negativamente na construção da auto estima.

A afetividade é um aspecto que deve ser considerado na relação professor-aluno.

O autor argumenta que:

Casas e escolas com limites disciplinares claramente definidos , pais e mestres que evitam punições corporais substituindo-as por recompensa por bom desempenho, que estimulam amizades, que ensinam sociabilidade demonstrando interesse por todos os assuntos dos filhos ou dos seus alunos não são apenas figuras que se guardam com paixão, lembranças que se acalentam com saudades, mas sobretudo arquitetos da auto motivação e da capacidade de querer bem o próprio eu (ANTUNES, 2006, p.10).

Conforme referência de Branden (1997, p.259), Robert Reasoner observa que:

Professores com elevada autoestima estão... mais aptos a ajudar as crianças a desenvolverem estratégias de resolução de problemas, em vez de aconselhá-las ou negar a importância do que elas percebem como problemas. Tais professores constroem um senso de confiança em seus alunos. Baseiam o controle da classe na compreensão, na cooperação recíproca e no envolvimento de todos, resolvendo os problemas através do carinho e do respeito mútuos. Esse relacionamento positivo permite que as crianças aprendam a desenvolver a confiança e a capacidade de agir independentemente.

Transmitir confiança no potencial da pessoa com a qual se está lidando a respeito do que ela é capaz de ser e fazer faz parte do acervo do bom professor.

Uma classe onde as expectativas do professor é esperar o melhor de seus alunos e isso ele demonstra transmitindo aos alunos pelas suas atitudes e palavras de afirmação, é uma classe que desenvolve tanto o aprendizado como a autoestima.

Os desafios cognitivos da aprendizagem escolar são contínuos e o desejo pelo conhecimento são impulsionados pela afetividade.

Além de Piaget e Vygotsky, o educador francês Henri Wallon se aprofundou na questão da afetividade e defende que a vida psíquica é formada por três dimensões - motora, afetiva e cognitiva -, que coexistem e atuam de forma integradas.

Os pequenos sucessos diários, as atitudes do professor e os materiais atrativos contribuem para o fortalecimento da autoestima propiciando o desejo de aprender e frequentar a escola.

Uma criança com autoestima saudável está mais bem preparada para enfrentar os desafios que surgem no decorrer de sua vida escolar e pessoal.

 

3 A IMATURIDADE EMOCIONAL E A DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM

Segundo Winnicott (1999), o amadurecimento do indivíduo é centrado na saúde emocional e para que haja uma evolução no processo de amadurecimento da criança é necessário um ambiente que possibilite o desenvolvimento do seu potencial, lembrando que o ambiente apenas facilita o processo de maturação. O ambiente suficientemente bom é instituído pela mãe a partir dos cuidados e preocupação com o bebê na primeira infância.

De acordo com a teoria winnicottiana a trajetória do processo de desenvolvimento inicia-se com a dependência absoluta, passa para a dependência relativa culminando na aquisição da independência do adulto.

Verifiquemos, então, como Winnicott descreve essa trajetória.

A dependência absoluta é a fase em que a criança depende totalmente da sensibilidade da mãe, que ocorre gradualmente durante e no final da gravidez. No nascimento ocorre um envolvimento intenso entre mãe e bebê, fazendo com que ambos tornem-se uma só pessoa. Esse fenômeno colabora para que a mãe compreenda as necessidades biológicas e psicológicas de seu filho e o atenda de maneira plena.

Além da mãe, também o ambiente deve propiciar condições favoráveis para o desenvolvimento emocional e afetivo. O ambiente ideal é o que está adaptado às necessidades do bebê, promovendo experiências que irão constituir sua personalidade e seu sentimento de existência.

A dependência relativa compreende o estágio em que a mãe, de maneira irregular irá atender às necessidades da criança, o que faz com que ela, neste momento descubra o mundo e a si mesmo, passa a ter noção de espaço e do próprio corpo , à medida que o mundo for apresentado à ela.   As boas condições ambientais são aquela que estimulam a sensação de segurança e controle.

  à independência se refere a um equilíbrio entre a dependência e a independência, já que esse processo é contínuo e não pode ser encerrado.

À medida que a criança vai adquirindo mais independência, ela se envolve mais com as coisas, com a aprendizagem e com a vida social. Se houve um acolhimento, uma preocupação por parte dos pais, professores e adultos que fazem parte do cotidiano dessa criança, ela adquire a capacidade de crer no mundo externo e formar vínculos com a aprendizagem e vida social a partir de suas experiências, mas se esse fato não ocorreu e houve uma superproteção ou negligencia em situações que a criança deveria ter vivenciado pode implicar em falta de confiança em si mesmo , desmotivação e expectativa de que a situação será resolvida de alguma forma independente de sua ação.

O ser humano, ao atingir a maturidade, deve torna-se capaz de viver uma vida espontânea sem se afastar de suas responsabilidades, mas com possibilidades de escolhas. [...] “Todas as coisas andam juntas e combinam-se, na sensação do se sentir real, de ser e de haver experiências realimentando a realidade psíquica, enriquecendo-a, dando-lhe direção (WINNICOTT, 1999, p.14)”.

 

3.1 Superproteção e o risco de subproteger

Entre a superproteção dos pais em relação aos filhos e a subproteção há um ponto de equilíbrio que é fundamental para o ser humano se desenvolver de forma saudável afetiva, cognitiva e socialmente.

A proteção é uma das necessidades básicas da criança e envolve a questão da segurança e dos cuidados com a saúde física, mental, emocional, intelectual.  A proteção excessiva bloqueia a ação da criança privando-a de ter suas próprias experiências. Alguns pais se confundem esse cuidar e fazem além do necessário, achando que estão fazendo o melhor para os seus filhos, quando na realidade estão impedindo o seu crescimento.

A subproteção se refere à questões de não satisfação às necessidades básicas da criança que são: amor, proteção, cuidado, não validação de seus sentimentos e capacidade. Devemos permitir que as crianças sejam crianças e não mini adultos. Não se deve supor que a criança já é capaz de desempenhar papéis que ainda não são para a sua faixa etária. Apressá-los nesses desempenhos pode gerar sentimento de frustração e incompetência.

Alguns pais não percebem o momento de intervir em determinadas situações por diversos motivos, seja por falta de conhecimento das etapas de desenvolvimento da criança ou por falta de tempo de exercer todas as funções que lhe cabem.

Baseado no relógio das etapas de desenvolvimento da criança de Ana Helena Banzatto, as características da falta de autonomia geram dependência, falta de controle sobre si mesmo, insegurança/medo, entristecimento (raiva), falta de pensamentos próprios, a pessoa age e reage de forma incompetente, se alimenta mais do que necessário como forma compensatória.

O apressamento do desenvolvimento da autonomia causa excesso de independência, resistência ao sentimento, racionalismo, rigidez, discriminação, isolamento social, medos, raiva, competitividade.

Portanto, a construção da autonomia, se dá a partir da relação que o sujeito desenvolve consigo mesmo, com os outros e com a realidade, intermediado pelo adulto que respeita seu ritmo.

 

4 A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOPEDAGOGIA PARA A SUPERAÇÃO DE DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DECORRENTES DA FALTA DE AUTONOMIA.

Este capítulo refere-se ao psicopedagogo como orientador familiar em relação à conscientização e adequação da família sobre o desenvolvimento da aprendizagem da criança nos aspectos psicológico, emocional, social e de estimulação cognitiva.

Uma das contribuições da psicopedagogia é no contexto familiar, ampliando a percepção sobre os processos de aprendizagem de seus filhos, resgatando a família no papel educacional complementar à escola, diferenciando as múltiplas formas de aprender, respeitando as diferenças dos filhos (BOSSA, 1992, p.34).

Sabe-se que as crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem, geralmente, possuem uma baixa autoestima em função de seus fracassos e que esses sentimentos podem estar vinculados aos comportamentos de desinteresse por determinadas atividades, tempo de atenção diminuído, falta de concentração e outros.

A família, desconhecendo as necessidades da criança e a maneira apropriada de lidar com esses aspectos, muitas vezes, necessita de orientações que lhe dê suporte e lhe possibilite ajudar seu filho.

É importante os pais conhecerem a importância da construção da autonomia e seu vínculo com a autoestima. Orientações específicas a esse respeito são necessárias para que eles compreendam como ocorre o processo da aprendizagem.

Fatores como motivação, formas de comunicação, atitudes de encorajamento influenciam o desempenho e auxiliam no processo de construção da autonomia da criança.

É necessário também, por parte dos profissionais, ouvir os pais, analisar a situação e buscar caminhos que facilitem o desenvolvimento global da criança.

É interessante despertar a sensibilidade dos pais para a importância de falar sobre seus sentimentos e expectativas com o objetivo de esclarecer as necessidades da criança e estratégias que facilitam o seu desenvolvimento.

Através das experiências e relações interpessoais, a família pode promover o desenvolvimento intelectual, emocional e social da criança. Ela pode oportunizar situações no dia-a-dia que estimularão esses aspectos, desde que se disponibilize para isso. Além disso, a participação da criança nas atividades rotineiras do lar e a formação de hábitos são de grande importância na aquisição dos requisitos básicos para a aprendizagem, pois estimulam a organização interna e a habilidade para o ‘fazer’, de maneira geral (MARTURANO, 1998).

O processo educativo (desenvolvimento gradativo da capacidade física, intelectual e moral do ser humano) familiar deve ser adequado para possibilitar à criança o sucesso na aprendizagem, proporcionando-lhe a motivação, o interesse e a concentração necessária para a apreensão do conhecimento.

Realizar tarefas que as crianças já conseguem fazer, como calçar e amarrar seus tênis, lavar suas mãos, dar-lhe a comida na boca e impedir suas preferências, decidindo o tempo todo o que irá vestir, o que levará para lanche, seus brinquedos e brincadeiras,, invalidam seu sentimento de capacidade e obstruem a construção de sua autonomia, interferindo negativamente em sua auto estima.  A criança que tem alguém que faça tudo por ela, tende a se acomodar e não desenvolve seu desejo pelo objeto de conhecimento que o meio e a experiência podem lhe proporcionar.

Nessas situações, as intervenções e as dinâmicas sugeridas pelo psicopedagogo, vivenciadas nas sessões terapêuticas possibilitam reflexões e reorganização da dinâmica familiar.

Dessa forma, mudanças de atitudes na família com relação ao processo da construção da autonomia são de grande importância para propiciar afetividade que encoraje na criança a vontade, interesse, motivações para a superação de dificuldades de aprendizagem de origem emocional, familiar e psicológica.

A adequação desse processo compreende o atendimento às necessidades da criança quanto à presença dos pais compartilhando suas experiências e sentimentos, orientação firme quanto aos comportamentos adequados, possibilidade de escolhas, certa autonomia nas suas ações, organização da sua rotina, oportunidade constante de aprendizagem e respeito e valorização como pessoa.

 Maluf (2012, s.p.): afirma que:

Crianças  desmotivadas apresentam comportamentos de frustração, ansiedade e desorganização, pois o insucesso constitui um processo paralisante. Após duas ou três experiências desastrosas, as pessoas saudáveis procuram se resguardar, evitando um novo contato desagradável e penoso com aquilo que gerou o fracasso.

As crianças precisam de encorajamento para experimentar novas metas, novas roupas, novos hábitos, novos brinquedos, novas músicas, novos meios de expressão como massa de modelar, lápis de cor, etc.

Essas orientações podem ser conduzidas pelo psicopedagogo com o objetivo de mostrar à criança que é agradável e interessante, algumas vezes, tentar coisas novas.

Para os pais está fora de questão fazer as coisas no lugar das crianças para não obstruírem o sentimento de competência.

Os desafios da aprendizagem fazem parte do desenvolvimento humano e impulsionam adiante permeados de experiências, decisões e atitudes para a busca da realização plena do individuo.

“Ao elogiar e amar uma criança, não amamos e elogiamos o que já existe, mas aquilo que esperamos que venha existir (GOETHE apud Dreschler, p.68)

 

5 HISTÓRIA DE VIDA: UMA EXPERIÊNCIA BICULTURAL

5.1História de vida 1

Este relato é sobre uma mulher brasileira, pedagoga, que se casa com um homem alemão residente no Brasil.

Nasce o primeiro filho do casal e a esposa decide aprender o idioma e conhecer a cultura alemã pois ambos decidem educar a criança baseados em ambas as culturas.

O filho inicia seu percurso escolar, no Brasil, em uma pequena escola de educação infantil alemã onde o idioma e a cultura são enfatizados. Seu relacionamento afetivo-social se desenvolve dentro de um ambiente encorajador para as novas aprendizagens.  Além da escola, a família convive semanalmente com os avós paternos com os quais mãe e filho acrescentam e incorporam em suas experiências vários aspectos da cultura alemã.

A família mantém constantes viagens de férias para a Alemanha com convivências em “Kindergarten” escolas de educação infantil alemãs.

Para melhor aprendizagem do idioma mãe e filho decidem fazer uma “imersão” e vão morar na Alemanha durante 7 meses.  Suas rotinas passam por uma reestruturação , por uma nova dimensão pois a cultura e o idioma interferem sobremaneira na forma de se organizarem.  Tudo é novo e deve ser avaliado deve ser incorporado ou não e para isso é comum a comparação, se apropriar do que funciona e descartar o que não serve.

Desde a maneira de se vestir e o que vestir, as crianças logo percebem a comanda do tempo, da temperatura e a lógica de se vestir apropriadamente. Nos ambientes aquecidos, elas aprendem a tirar o casaco e pendurá-lo no devido lugar.

Trocam seus sapatos ao entrarem na escola ou em casa. Calçam os chamados “sapatos de casa”. Tudo é organizado e funcional.

Os desafios vão surgindo no decorrer das novas situações. As crianças em idade pré-escolar aprendem o percurso a pé até á escola e o próximo desafio é irem sozinhas ou em grupos de crianças.  A seguir o desafio é ir de bicicleta e para isso aprendem na escola o funcionamento do semáforo e a maneira adequada e segura de atravessarem ruas e cruzamentos.

Observa-se que praticamente todas as crianças passam por esse processo de construção da autonomia, como um aprendizado necessário para a vida em sociedade e isso é cultural, passado de pais para filhos e de professores para alunos ao longo de muitas décadas. Todos priorizam e valorizam essas aprendizagens e conquistas das crianças.

Andar à cavalo e ao retornar escovar o animal faz parte do passeio.

Acampamentos para aprender a cuidar da casa, da arrumação da cama, da faxina no banheiro, culinária são procurados pelas famílias alemãs até os dias de hoje.

Ao retornar ao Brasil, a mãe e pedagoga inicia seu trabalho como professora bilíngue em uma escola de educação infantil alemã.

Observa em sala de aula que crianças brasileiras e alemãs na faixa etária de 3 anos agem de maneira diferenciada em relação à autonomia demonstrando estágios diferentes de desenvolvimento da mesma.

Na questão da ida ao banheiro, as crianças alemãs não aceitam receber ajuda para abaixar a calça e vesti-la novamente, igualmente para lavar e enxugar as mãos ou para tirar e vestir o calçado. Com entusiasmo afirmam: “eu já consigo fazer isso” e o fazem demonstrando satisfação pela execução da tarefa.

A maioria das crianças brasileiras, em igual situação, aceitam receber ajuda e dizem “não consigo” e demonstram falta de interesse em tentar.  Algumas crianças ainda chegam à sala de aula no colo da mãe ou do pai.

Diante dessas situações a professora percebe uma enorme necessidade de encorajar essas crianças lançando desafios com a pergunta: “quem já consegue fazer...?” e observa que as crianças se entusiasmam e se empenham para conseguir e logicamente que ficam aguardando um elogio especial pela realização da tarefa. Demonstram satisfação e experimentam um senso de valorização por ocasião da descoberta de sua nova habilidade. É perceptível que essa conquista gera energia para novas tentativas e descobertas.

Ao realizar um curso de didática na Alemanha, a professora visita vários “Kindergarten” com diferentes propostas e em todos eles observa a cultura da autonomia e o espaço construído nas escolas para o seu desenvolvimento.

Na escola de educação infantil Montessoriana, as crianças escolhem as atividades que irão realizar como por exemplo: teatro, jogos, brinquedos de montar. Para cada atividade há uma sala disponível e as professoras circulam entre essas salas e interferem, se necessário.

Uma sala especial com materiais Montessorianos oportuniza a construção da autonomia e cria vínculos com a aprendizagem pela maneira com que estão disponibilizados. A manipulação e as atividades propostas com esses materiais despertam a percepção sensorial, psicomotora e desenvolvem o raciocínio lógico.

Todas essas atividades são permeadas pela emoção, fundamental na teoria de Wallon, pois a criança demonstra uma enorme satisfação ao vestir sozinha um pequeno avental, escolher e retirar do escaninho o material com o qual irá trabalhar. Interessante observar que alguns materiais são objetos do cotidiano como jarros com água, pratos com divisórias, colheres, tigelas, cadeados, pinças, o que leva a criança a treinar habilidades para situações do seu dia-a-dia.

As atividades são realizadas num ambiente tranquilo pois exigem concentração e são monitoradas por uma professora pois é necessário que a criança cumpra um determinado programa de atividades para alcançar os objetivos propostos para a sua faixa etária.

O projeto “4 elementos – terra, água, fogo e ar” norteia o Kindergarten de Steinhude. Esse projeto promove uma interação muito grande das crianças com o meio, que segundo Vygotsky auxilia na formação do processo de conceitos e permite grandes descobertas que motivam a busca pelo conhecimento do que é novo.

Um extremo, relata a professora é a escola de educação infantil na floresta, onde apenas um ônibus é a sala principal. As crianças costumam construir abrigos com galhos de madeira, folhas e cordas para o caso de chuva. Seus brinquedos também são construídos com elementos da natureza. Não existem banheiros e nem água potável. A água para o consumo do dia é trazida pela manhã, por uma das famílias das crianças do grupo.

A proposta dessa escola é bastante discutível por ser ela irreal nos tempos atuais, embora oportunize o convívio com a natureza, com as pessoas do grupo, a criatividade e autonomia. Enfim, é necessário observar as diferentes propostas das escolas e valorizar o que é significativo para a criança, o que permite à ela se desenvolver de maneira global.

 

5.2 História de vida 2

Esse relato é sobre uma mulher brasileira, pedagoga, casada com um filho de alemães, residente no Brasil.

Esse casal tem uma filha de dois anos, quando o marido é transferido para trabalhar na Alemanha.

A esposa, desde o começo do relacionamento, se defronta com situações, onde percebe que terá que aprender o idioma, pois a família que morava também no Brasil, falava preferencialmente o idioma alemão; assim como, tenta aprender e entender a cultura.

Quando nasce a filha, a mãe então, se preocupa em falar o idioma com a criança, assim como, em acatar alguns conselhos da sogra; que a princípio, faziam com que ela se sentisse aflita, como por exemplo: experimentar deixar o bebê chorar um pouco no berço, ou, aos poucos, ir tentando deixar o bebê dormir no berço, em seu próprio quarto, e ainda , levá-lo para dormir e deixá-lo sozinho até que adormeça.

A mãe se sentia insegura no início, mas percebeu que dessa forma funcionava melhor, do que ouvia as amigas contar, onde percebia que as crianças “escravizavam as mães” na hora de dormir, ou que, quando o bebê chorava, imediatamente recebia colo.

Essas atitudes, por vezes, eram confundidas com “falta de amor” ou ‘falta de atenção” com relação ao bebê. Mesmo assim, a mãe sente que consegue lidar cada vez melhor com a pequena filha e se sente segura.

Na ocasião da mudança de país, teve então a oportunidade de perceber, que tudo o que tinha feito, com relação a autonomia da filha, era de extremo valor, pois na Alemanha, não existia nenhum tipo de ajuda em casa. A mãe cuida de seus filhos, cuida dos afazeres domésticos, faz supermercado e tudo o mais que uma dona de casa tem que realizar ao longo do dia.

Quando tem que ir ao médico, a filha ia junto, e assim em todas as outras situações.

A filha, aos três anos, começa então a frequentar o Kindergarten, o Jardim da Infância.

A adaptação ocorreu de forma tranquila, sem choro, ao contrário, com muito entusiasmo.

Na escola então, vem o aprendizado de outro tipo de autonomia. Lá, as crianças na faixa dos cinco anos, aprendem o percurso até a escola, e geralmente formam grupos para ir e voltar para escola. Sentem muito orgulho sobre isso, pois é um dos primeiros grandes desafios, após isso, começam também a utilizar a bicicleta, mas para tanto, aprendem na escola, o funcionamento de semáforos e também a maneira segura de atravessar uma rua.

Mesmo no inverno, até mesmo nevando, as crianças são mandadas para o pátio, para a pausa. Isso significa, que eles, tem que saber se vestir sozinhos, para que não passem frio, e isso eles sabem que “tem que ser feito” para não adoecerem, ou por recomendação dada pela mãe, bem como, sabem também, que quando chegam a alguma casa ou na escola, tem que trocar os sapatos pelos “Hausschuhe” sapatos de casa.

Isso, aos poucos, vai sendo interiorizado, e a criança percebe a satisfação de que “PODER FAZER”, sem ajuda de adulto, é muito gratificante. Os adultos, ou as mães, tem muitos afazeres, e todos tem que cooperar e colaborar.

Aprende também que pode brincar à vontade, mas que uma vez na semana, o quarto vai ser arrumado e aspirado, portanto tudo tem que estar em ordem de novo, senão vai para o lixo, ou será guardado definitivamente, até que ela aprenda que tudo tem seu lugar. Aprende a fazer, ou melhor, a organizar a cama em que dormiu.

Passados seis anos, a família retorna ao Brasil , após uma experiência maravilhosa e enriquecedora para toda a família.                                                                                                                                                            

Ao retornar, a mãe, pedagoga, inicia o trabalho como professora bilíngue em uma escola de educação infantil alemã, onde tem a oportunidade de observar uma grande diferença entre as crianças brasileiras e as alemãs.

Nota-se, salvo algumas exceções, que as crianças brasileiras, na faixa dos três anos, comportam-se de maneira diferente, em relação à autonomia.

Necessitam de estímulo, para que possam iniciar alguns processos sozinhas, como por exemplo, ir ao banheiro, lavar as mãos e enxugar, tirar e colocar os sapatos, vestir um casaco, e ás vezes, precisam ainda de ajuda para comer.

Eles estão acostumados a receber ajuda, e dizem facilmente, “eu não sei” ou,

“eu não consigo”, ao passo que se observa que as crianças alemãs, não querem ajuda, pelo contrário, empenham-se para fazer sozinhas e que se sentem orgulhosas e satisfeitas por realizarem mais uma descoberta.

Isso, com certeza, contribui para que a criança se torne mais segura e que desenvolva uma melhor autoestima.

 

5.3Análise e interpretação dos dados

Observamos a influência cultural que os pais exercem na prática da autonomia.

Acredita-se que o favorecimento da autonomia em crianças alemãs, especificamente, advenha do fato cultural. Sabe-se que na Alemanha, não é comum, que mães tenham algum tipo de ajuda em casa, assim como, crianças cuidadas por babás, portanto, desde muito cedo, elas tem que aprender a cooperar e colaborar.

De certa forma, isso se dá de forma natural e muito positiva e desenvolve nas crianças o senso de responsabilidade e cooperação.

No Brasil, a realidade é outra, pois as cidades grandes requerem uma proteção maior em relação às crianças. Pais levam e buscam seus filhos, nas escolas, por temerem a violência nas ruas. Em cidades menores, nota-se nos dias de hoje, uma preocupação maior nesse aspecto também, pois se observa que os pais estabelecem com os filhos a mesma relação de dependência na ida e volta da escola.

Ao se analisar a cultura resultante da necessidade e realidade de cada país, compreendemos que essas ações tem fundamentos, mas ao analisarmos sob a ótica do conhecimento dos pais sobre o desenvolvimento adequado da autonomia das crianças, observa-se, que o trabalho do psicopedagogo é de grande importância para a orientação das famílias, pois é possível desenvolver atitudes que promovam essa construção sem por em risco a segurança das crianças e sem que os pais experimentem o sentimento de não estarem amando suficientemente os seus filhos. A criança será a maior beneficiada e a família poderá incorporar essa aprendizagem em sua cultura.

Em uma escola de Educação Infantil bicultural, foram observadas crianças, da mesma faixa etária, em diversas situações como segue: na hora da chegada na escola (algumas crianças chegam ao colo dos pais), ida ao banheiro e higienização, tirar ou vestir um agasalho, tirar r e calçar os sapatos.

Muitas crianças brasileiras tem dificuldades para realizar essas tarefas sozinhas, ao passo que as crianças alemãs, sentem prazer e satisfação em mostrar que já são capazes.

Na área afetivo-social, nota-se também, que as mesmas crianças alemãs, conseguem fazer contato com outras crianças, integrando-se ao grupo com mais facilidade, mesmo existindo, por vezes, a barreira da língua, elas se empenham em participar das atividades propostas

Ainda, na área psicomotora, existe uma independência do adulto para executar novos desafios e uma relação do próprio corpo com o próprio pensamento intimamente ligado (pensar e agir). E essas crianças apresentam mais iniciativa, mais segurança e mais interesse para atividades físicas ou intelectuais.

Nota-se ainda, uma curiosidade aguçada e salutar e um interesse genuíno na aquisição de novos conhecimentos e novas ideias.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Estudos mostram que uma criança autônoma, desenvolve boa autoestima e, por conseguinte, tem maior facilidade cognitiva.

Pode-se observar que a cultura brasileira, com relação à educação dos filhos se diferencia da educação alemã.

Nesse aspecto, a autonomia é encarada como um processo de transmissão cultural, onde o indivíduo introjeta hábitos, costumes, normas e regras assim como esclarecimento e discernimento sobre o que é realmente significativo.

Baseado nas experiências vivenciadas nota-se que a cultura brasileira é mais protecionista e encara o desenvolvimento da autonomia como um sentimento de perda do controle com relação aos filhos, e mais; sente que a demonstração de amor está exatamente ligada ao fato de se criar essa dependência afetiva, que acaba se tornando por muitas vezes, inibidora e constrangedora e limitante para o desenvolvimento de autonomia.

Acredita-se que uma criança educada de forma autônoma, ou seja, que é incentivada a pensar, refletir, criar, desenvolve melhor as capacidades afetivas e intelectuais, que são a base da autoestima.

A atitude dos pais e professores a respeito dos sucessos e insucessos da criança é decisiva para o seu autoconceito. Para tanto não se deve julgar e sim acreditar no seu potencial de mudança.

Outra atitude não recomendada é comparar a criança com as outras e sim incentivar as suas possibilidades. Orientar a criança na descoberta de outras maneiras para se obter um bom resultado é uma tarefa diária e envolve afetividade.

A criança que se considera capaz acredita que obterá sucesso em suas atividades, ou ao contrário poderá adotar uma postura que a levará ao fracasso.

“O que hoje se necessita e se exige, numa era de trabalhadores inteligentes, não é a obediência robotizada, mas pessoas que possam pensar (BRANDEN, 1997, p.255)”.

As escolas deveriam incluir em seus projetos educacionais, além do domínio particular de conhecimentos, a meta de ensinar as crianças a pensar, reconhecer situações lógicas, ser criativas e aprender de maneira que esse aprendizado seja entendido como uma construção interessante e contínua de novos conhecimentos que estão em constante expansão e que são essenciais para a sua vida pessoal e não somente para o mercado de trabalho.

O incentivo à autoestima como parte integrante do currículo escolar fortalece os jovens para que insistam nos estudos, fiquem longe das drogas, evitem a gravidez, afastem-se do vandalismo e adquiram a instrução de que necessitam, além de ajudar a prepará-los psicologicamente para um mundo onde a mente é um bem precioso e deve ser bem nutrida.

O currículo escolar deveria se nortear por essas funções inerentes ao ser humano o que certamente, resultará em impulso para a construção de novos saberes e realizações.

Para isso, a família e a escola desempenham o papel de direcionar, oportunizar situações de reflexão sobre valores e condutas num ambiente de autoridade e não de autoritarismo.

Pais alemães tendem a colaborar de maneira positiva na construção da autonomia de seus filhos permitindo que realizem pequenas tarefas criando gradativamente sua independência dos adultos.

Pais brasileiros tendem a superproteger seus filhos, fazendo por eles tarefas que eles já conseguem aprender a fazer, seja por praticidade ou por pensarem que dessa maneira estão cuidando de seus filhos.

Esse cuidar excessivo pode dificultar o crescimento emocional da criança e obstruir a sua autoestima gerando o sentimento de ser incapaz de realizar atividades pertinentes à sua faixa etária. A acomodação pode se instalar e a criança pensar que ela deve receber tudo pronto, sem necessidade de se esforçar para ir a busca de seus objetivos.

Crianças e jovens com alguma dificuldade real  de aprendizagem muitas vezes também são acusadas de "preguiçosas". O medo do fracasso e a preguiça são indicadores dessas dificuldades e conforme demonstrado nesse trabalho são decorrentes da baixa autoestima e carência de autonomia.

“Prazer- Amor- Segurança – Autonomia- Orgulho – Esperança”.  Essas palavras são de fato as seis primeiras notas da escala sobre a qual a criança tocará a sua vida. “A última nota, a sétima, ela descobrirá no fundo de si mesma e a integrará a sua obra musical, para fazer algo único no mundo, sua obra-prima.” (LAPORTE, 2008, p. 74).

 

 

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TRABALHO DE MONOGRAFIA 2013

Categoria: Diversos

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