Conhecendo Piaget

Publicado em 19/02/2017 às 12h36

Começando a conhecer Piaget

 

Maria Elvira Polimeno Valente

 

Do interesse teórico-prático de explicar o que acontece em sala de aula, surge o objetivo de formar pessoas capazes de desenvolver um pensamento autônomo, com possibilidade de produzir novas idéias e capazes de avanços científicos e culturais (sociais).

Essa formação não deve limitar-se aos aspectos científicos e culturais, mas também a tudo o que concerne a relações interpessoais.

Jean Piaget nasceu na Suíça, em 1896 e morreu em 1980.Epistemólogo (estudou teoria do conhecimento), biólogo e psicólogo. Publicou seus primeiros trabalhos em 1911, aos 15 anos. Seu trabalho mais importante: EPISTEMOLOGIA GENÉTICA.

 Existem quatro fatores para que se possa construir o conhecimento / afeto:

1 – Maturação biológica;

2 – Transmissão social;

3 – Ação sobre o objeto;

4 – Equilibração: assimilação incorporação de um novo objeto ou idéia ao que já é conhecido, ao esquema que a criança já possui. acomodação implica na transformação que o organismo sofre para poder lidar com o ambiente. Assim, diante de um objeto novo ou de uma idéia viva, a criança modifica seus esquemas adquiridos anteriormente, tentando adaptar-se à nova situação.

 Do equilíbrio desses dois processos advém uma adaptação ao mundo cada vez mais adequada e uma conseqüente organização mental. O desenvolvimento cognitivo controlado por esses fatores, processa-se através de todas as atividades infantis, dirigidas a objetos e situações externas.

Essas atividades compreendem aprendizagens que se utilizam de mecanismos como:

  • Abstração empírica diz respeito à informação extraída dos objetos físicos através da observação. Ex.: A criança observa que o ursinho de pano é macio ,mole e assim por diante. São informações físicas que a criança abstrai através de seus contatos sensórios-motores com o ursinho.
  •  Abstração reflexiva envolve a reflexão sobre relações não observáveis, mas elaboradas na mente. Nasce de um conhecimento lógico-matemático, não depende da observação e sim de inferências e deduções lógicas.

Todo ato inteligente é acompanhado por sentimentos (de interesse de prazer de esforço), que fornecem a energia que ativa o crescimento intelectual. A emoção torna a inteligência dinâmica. Portanto toda a ação envolve um aspecto estrutural ou cognitivo e um aspecto energético ou afetivo.

A inteligência fornece a estrutura para a ação. Os sentimentos fornecem a sua dinâmica e são independentes.   

Cada homem é agente de seu processo de desenvolvimento, deve-se portanto propiciar condições de ser ativo construindo a sua interação com o mundo. Na escola, só a metodologia ativa tornará isso possível.

O ensino deve ser facilitador do processo de desenvolvimento, nem um acelerador nem um entrave. Deve-se se conhecer o processo de desenvolvimento para propor problemas que o indivíduo compreenda; resolvendo-os o indivíduo atingirá níveis gradualmente mais elevados de desenvolvimento que o habilitarão a aprendizagens mais complexas. Assim se dá a interação entre os processos de aprendizagem e desenvolvimento.

Não é suficiente conhecer a resposta dos alunos a uma situação problema. È necessário proceder-se a uma análise dos processos mentais que levam a essas respostas. Pedir ao aluno que verbalize o caminho que percorreu pode ser um bom auxílio para esta compreensão.

 PROCESSO DO DESENVOLVIMENTO

  I – Período da Inteligência Sensório-Motora

  1. Baseada na motricidade física e na percepção, assim dividida:
  2. Exercícios reflexos (de 0 a 1 mês);
  3. Primeiros hábitos ou condicionamentos (reações circulares primárias ou relativas ao próprio corpo – de 1 a 4 meses);
  4. Primeiras coordenações (visão-preensão) e primeiras reações circulares secundárias (relativas aos objetos manipulados), coordenação dos espaços (visual, auditivo, bucal, etc. – de 4 a 8/9 meses);
  5. Uso de meios para obter um fim (coordenação dos esquemas secundários), primeiros sinais da “permanência do objeto” (de 8/9 a 11/12 meses);
  6. Descobrimento de novos meios (descoberta), permanência do objeto, uso de instrumentos para atingir um fim, grupo prático dos deslocamentos (de11/12 a 18 meses).

 

II – Período de Preparação e Organização das Operações Concretas (classe, relação e número).

1 – das representações pré-operatórias (desenvolvimento da função semiótica: imitação e jogo simbólico). Desenvolvem-se os mecanismos simbólicos: linguagem, desenho, imitação, jogo simbólico, dramatização, etc. .

1.1 - pensamento simbólico – imitação; 

1.2 - configurações estáticas e reconhecimento e representação do real (período intuitivo);

1.3 - regulações representativas articuladas; início das conservações: substâncias, peso, volume, distância, velocidade, correspondência, etc..

2 - das operações concretas (lógico e infralógico). È o período da organização do real segundo “agrupamentos” estruturados pela mente (classificações, seriações, tábua de dupla entrada, árvores, simetrias, etc.).

III – Período das Operações Formais

Neste nível de desenvolvimento, a criança (no caso o adolescente) encontra-se com os processos formais de raciocínio (processo hipotético– dedutivo – indutivo, lógico – formal ou lógico-matemático).

BIBLIOGRAFIA

CARRAHER, T. N. e REGO, L. L. B. –          O realismo nominal como um obstáculo na aprendizagem da leitura. In: Caderno de Pesquisa 39. Fundação Carlos Chagas, S.P., 1981. CARRAHER, Terezinha e SCHLIEMANN, David, Analuci – Na vida dez, escola zero – São Paulo, Cortez, 1985. FERREIRO, Emília e TEBEROSKY – A psicogênese da língua escrita, Porto Alegre, Artes Médicas, 1985. PIAGET, Jean – A construção do Real. R. J., Zahar, 1979. PIAGET, Jean – A epistemologia genética. Petrópolis, Vozes, 1972 PIAGET, Jean – A tomada de Consciência. S. P., Melhoramentos, Ed. USP, 1977 RUSSO, Maria de Fátima e VIAN, Maria Inês Aguiar – Alfabetização um processo em construção. S.P., Saraiva, 1993. D'AMORIM, Maria Alice Magalhães/Piaget, Jean – Seis estudos de psicologia – Forense Universitari

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