Repensando a Educação Infantil.

Publicado por Conteúdoescola - Escrito por Janice T. W. Terencio em 23/03/2004 às 10h08

Meu objetivo com este artigo é chamar a atenção do leitor, em especial daqueles que tem em suas mãos a responsabilidade social da Educação, para o fato de que precisamos rever nossas posturas diante da fase inicial da vida escolar de nossas crianças, dando especial atenção para a idade dos zero aos seis anos.

 

Diz um provérbio chinês que "a mais alta das torres começa no solo". Isto leva-nos a repensar toda a estrutura Educacional no que concerne a Educação Infantil, com uma ampla gama de transformações necessárias para garantir aos nossos alunos uma educação de qualidade, como é tão freqüentemente defendido nos discursos políticos e em inúmeras teorias.

 

Por meio de um diálogo com professores do Ensino Fundamental que trabalham com primeira série poderemos, com certeza, alavancar algumas diferenças básicas encontradas por estes em alfabetizar alunos que freqüentaram a Educação Infantil e aqueles que chegam na escola pela primeira vez já na primeira série, sendo que os primeiros, se bem preparados em nossas creches e escolas que trabalham com esta modalidade de ensino, chegarão à primeira série com o devido alicerce para
acompanharem a fase de alfabetização, o que conseqüentemente facilitará todo o processo
educativo, melhorando em muito o seu desempenho ao longo de sua vida escolar.

 

Sabemos que é na Educação Infantil que a criança adquire os primeiros preparos para o convívio social, tem as primeiras noções de valores morais e também, através de atividades apropriadas, aprimora suas capacidades cognitivas e motoras.

 

Um pedreiro para edificar uma torre precisa saber, primeiramente, preparar o canteiro de obras, tirar o esquadro, fazer as formas e as sapatas da construção de tamanho adequado para suportar todo o peso que será sobreposto em cima deles, escolher o ferro da armação para que suporte este peso, e preparar a massa com as misturas adequadas de areia, ferro e cimento. Após este processo, o pedreiro deverá deixar secar o concreto, para depois começar a edificar a torre. Até aqui o pedreiro somente trabalhou a base da torre.

 

Se o pedreiro não tiver o preparo necessário, não compreender os passos, as medidas, enfim, não dominar o processo necessário para fazer a base da torre, esta não terá o suporte necessário para todo o peso que será acrescentado e acabará ruindo.

 

Eis ai uma bela metáfora, que nos leva a refletir sobre o papel, extremamente relevante, da Educação Infantil para o restante da vida escolar de nossas crianças. Precisamos, então, pensar na necessidade do bom preparo do professor para que desenvolva atividades adequadas a esta faixa etária das crianças, para que não aconteça de, ao invés de bem prepará-las, acabar fazendo com que "toda a torre acabe ruindo". Como no caso do pedreiro, a falta de conhecimento do professor que não domina o processo cognitivo e psicológico pelo qual a criança passa nesta idade pode levar ao fracasso, o que pode "comprometer toda a obra" ou seja, comprometer todo o desempenho da criança, não apenas escolar, mas social e familiar também.

 

Maria Montessori diz em seu Livro Mentes Absorventes que a criança aprende mais dos zero aos seis anos do que um adulto ao longo de toda a sua vida. Precisamos pensar então sobre o que queremos que ela aprenda, quais os valores que precisam ser alicerçados neste período e qual o compromisso da escola e do Estado com a referida aprendizagem. Creio que precisamos, urgentemente, repensar a prática educativa de nossos escolas, onde, comumente, são designados os professores menos preparados e menos comprometidos para trabalha com a Educação Infantil, já que é uma fase escolar que não possui obrigatoriedade legislativa, sem precisar apresentar resultados quanto ao desempenho do aluno, ou seja, muitos professores preferem a Educação Infantil "por não haver cobranças e não precisar apresentar resultados". Enfim, por julgarem não existir necessidade de compromisso do professor com a aprendizagem das crianças. Se o nosso pedreiro pensar assim, a sua torre vai ruir antes de chegar ao final, o mesmo vai acontecer com nossos alunos se continuarmos encarando desta forma a primeira fase escolar das crianças, entregando-as, em alguns casos, nas mãos de profissionais despreparados e descomprometidos.

 

 

 

Montessori ( p. 167) afirma: "Sabemos que todos os defeitos de caráter são devidos a um tratamento errado que a criança teve durante o primeiro período. Quando as crianças foram descuradas neste período sua mente está vazia pôr que não se lhes deu oportunidade de construí-la".

 

Precisamos portanto repensar as propostas educacionais hora vigentes para a fase da Educação Infantil, pois se confiarmos nossas crianças a profissionais competentes, que detêm profundo conhecimento sobre a fase do desenvolvimento Infantil propostas pôr autores como Piaget, Montessori, Vigotski, entre outros, os resultados serão bem mais compensatórios, facilitando em muito a aquisição do saber nos anos vindouros do estudante.

 

Outro item de relevância neste repensar hora proposto é o de que, atualmente, muitas das famílias brasileiras não possuem as mínimas condições, tanto econômicas como culturais de bem atender seus pequeninos, sendo que, neste caso, profissionais bem preparados e o devido investimento do Estado poderão contribuir em muito para que estas sejam melhor cuidadas, tanto física quanto educacionalmente, contribuindo assim para que sejam futuros adultos mais bem resolvidos. Talvez esta seja a chave para combater males como drogas e violência, afinal, o caminho da tão falada dignidade social passa antes de mais nada pelo banco de uma escola. Precisamos rever inclusive a questão legislativa, tornando, quem sabe, a Educação Infantil obrigatória, ofertando cursos de aperfeiçoamento e formação continuada para os profissionais de nossos Centros de Educação Infantil, escolhendo os melhores professores, com o devido embasamento teórico, "alicerçando"
adequadamente a base desta construção, compromisso pessoal e coletivo de todos aqueles que de uma forma ou de outra possuem alguma ligação com a educação, tanto a família, como os professores, políticos, etc. Desta forma, garantiremos aos nossos educandos uma forte base
educativa, capaz de suportar todo o peso da obra educacional que será acrescentada ao longo dos seus anos escolares, e conduzindo-os de forma sadia e responsável para uma vida adulta plena de realizações, e estaremos certos de que cumprimos com nossa missão.

 

Bibliografia

 

MONTESSORI, Maria. Mentes Absorventes. Editora
Portugália.
CURY, Carlos Roberto Jamil. LDB: Lei de Diretrizes e
Bases da Educação. 5ª ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

 

*Janice Teresinha Wollmer Terencio é formada em Pedagogia pelas Faculdades Integradas Católicas de Palmas - FACIPAL atuando como professora do Ensino fundamental de 1ªa 4ª séries na rede municipal de ensino do município de Mangueirnha - PR.

Categoria: Texto Acadêmico

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