Linguagem e Comunicação

A vida como obra de arte: da prática musical ao ensino de música às crianças

Publicado por JÉSSICA ELEODORO em 02/03/2017 às 14h14

Resumo 

O presente artigo, calcado no aporte teórico-metodológico das narrativas autobiográficas, tem por objetivo evidenciar, através do ato de narrar, as práticas pedagógicas do ensino de música a crianças do Conservatório de Música de Sergipe e da “Nossa Escola”, ambas localizadas na capital sergipana. Ao reunir situações, experiências, acontecimentos e destacar percursos, trajetórias e as transformações ocorridas em minha vida, não só ratifico minha identidade musical, como me reconheço como professor em formação. Ao elencar práticas educativas exitosas penso estar contribuindo, embora modestamente, com as atividades futuras relacionadas com a arte de “ensinar música”.

PALAVRAS–CHAVE: Crianças. Música. Pedagogia Musical. Práticas pedagógicas.

 

1. INTRODUÇÃO 

Quando iniciei meus estudos em música não poderia imaginar que a arte ocuparia tamanho espaço em minha vida. Aos nove anos de idade ingressei no Conservatório de Música de Sergipe, no curso de musicalização infantil para em sequencia escolher o violino, instrumento que me acompanha até hoje.

O instrumento não foi escolhido por mim, confesso que não me agradei muito no primeiro dia, mas senti vontade de prosseguir. Aos quatorze anos já tocava em grupos e orquestras mirins tais como a Orquestra de alunos do Conservatório de Música de Sergipe e em quartetos formados por colegas do curso, que me deram a base necessária para prosseguir. Sem me dar conta eu já me preparava para ser profissional.

Aos quinze anos de idade, ao invés de uma festa de debutante, pedi ao meu pai uma viagem para Juiz de Fora/MG, pois queria participar do VI Festival de música colonial brasileira e música antiga. Ao retornar, ingressei pela primeira vez na Orquestra Sinfônica de Sergipe. Comecei a tocar em casamentos, recepções, mas o dinheiro nunca me foi importante, até a descoberta de uma doença em estágio avançado em meu pai. Todos os meus planos de ser juíza, daquele momento em diante, iriam por água abaixo e foi por sentir que deveria começar de fato a me importar com minha futura subsistência que decidi aceitar o meu primeiro convite para tocar em uma banda country: A Banda Relâmpagu´s. Mais uma vez, sem me dar conta, iniciava uma carreira artística em que precisei pôr em prática tudo o que havia aprendido sobre música durante os anos de estudo no Conservatório de Música de Sergipe.

A referida situação me levou, além do country, para diversos gêneros musicais, a exemplo do forró eletrônico, do forró autêntico com a banda Casaca de Couro, da música romântica com Roupa Nova e até mesmo com o axé, com a banda baiana Vixe Mainha. Estive, ainda, por dois diferentes momentos na Orquestra Sinfônica de Sergipe, na Orquestra de Câmara de Rosário do Catete/SE e na Orquestra Jovem de Juiz de Fora/MG.

Precisei descrever minha trajetória procurando ser o mais sucinta possível porque é justamente dessa atuação prática da música que decidi, juntamente com minha orientadora, que faria um relato de experiências que me proporcionam uma melhor visão dos erros e acertos de minha educação musical.

Destaco, ainda, que a pesquisa com narrativas (auto)biográficas ou de formação inscreve-se neste espaço onde o ator parte da experiência de si, questiona sobre os sentidos de suas vivências e aprendizagens, suas trajetórias pessoais e suas incursões pelas instituições, no caso, especificamente a escola, por entender que as “histórias pessoais que nos constituem são produzidas e mediadas no interior de práticas sociais mais ou menos institucionalizadas” (LARROSA, 1994, p. 48).

Dalcroze (1909) já mencionava a prática musical como grande aliada das práticas pedagógicas, pois para ele a prática musical levava subsídios importantes para uma perfeita aplicabilidade do ensino de música às crianças. Na visão de Trench,

"Não pode ser ignorado que além de educador, Dalcroze era um artista, e é com o instrumental e a postura de artista que analisa a situação da sociedade e da escola com que convivia em seu país. Suas ideias a respeito da arte como que contaminam sua relação com a educação e, inevitavelmente, permeiam a construção e aplicação de seu sistema de educação musical". (TRENCH, 2005, p.116).

A vida de artista não era bem o que havia escolhido para mim e foi para tentar outra profissão que decidi fazer o curso de Pedagogia. Foi assim que logo surgiu o convite para ensinar no Conservatório de Música de Sergipe. Ensinei no curso de musicalização infantil as disciplinas Expressão Corporal e Canto Coral e desde então passei a pesquisar sobre tudo o que se referisse à Educação Musical e logo descobri uma vertente da Pedagogia: A Pedagogia Musical ou a Pedagogia da Música. Enfim, me encontrei.

Para Piatti (1994), a Pedagogia da Música, além de estudar diversos problemas referentes à educação musical, contribui também para elaborar modelos teóricos úteis a atividades educativas.

O conservatório é a única escola de educação musical de que o Estado dispõe. Tenho por essa instituição grande respeito e gratidão pelos professores que fizeram parte da história que aqui descrevo. Lembro-me como se fosse hoje do momento em que tive a primeira aula com o professor Rabelo2, ele teve muita paciência porque eu não gostei da surpresa que minha mãe fez, matriculando-me em um instrumento que eu nunca tinha visto e que contrariava a minha “escolha” em estudar violão; estava com tanta má vontade que quase não queria segurar o violino, usando a desculpa de que o braço estava doendo. Esse professor olhou bem pra mim e disse: “Olha, vamos parar por aqui, tá bom? Vai para casa e pensa direitinho se você vai continuar no instrumento.” Quando eu já ia lhe responder que não voltaria mais, ele me surpreendeu dizendo que violino não era para todo mundo, não, violino é para poucos. “Analise e veja se você é capaz”. Contraditoriamente, aquilo me estimulou e fez com que eu me profissionalizasse.

Já adulta e tocando ao seu lado na Orquestra Sinfônica de Sergipe, eu lhe respondi: - “Professor, até hoje eu tento lhe mostrar quem sou e do que sou capaz!”. Por certo, foi esse dentre tantos outros motivos que fizeram com que eu me tornasse professora do Conservatório, o que foi uma das minhas maiores alegrias profissionais. Foi nessa escola que travei as maiores batalhas de minha vida. Aprendi na prática o real sentido de superação.

Logo no primeiro ano de estudo, o professor Rabelo me incentivou a entrar na Orquestra de Alunos do Conservatório de Música de Sergipe, o que foi primordial para o meu desenvolvimento pessoal e musical. Desde então não parei mais, estava sempre envolvida em grupos de estudos que se formavam, congressos, festivais, em tudo o que se referisse à música eu me esforçava para estar presente. Meu pai, por diversas vezes, acompanhou-me em minhas apresentações e, tão entusiasmado quanto eu, presenteou-me com a referida viagem para Juiz de Fora, mesmo a contragosto de minha mãe, que sempre foi superprotetora.

Apesar de tanta dedicação, nunca tive a pretensão de me profissionalizar, nem sabia que música era profissão, gostava mesmo era de encontrar amigos violinistas. De repente, em meio a tantas descobertas, meu pai adoeceu e em pouco tempo a notícia de um câncer na tireoide destroçou a minha vida e a de minha família. Tudo mudou bruscamente. Eu e meus dois irmãos sempre estudamos em escola particular, passamos para a escola pública e tivemos que mudar nosso padrão de vida porque os médicos asseguraram que ele teria mais ou menos seis meses de vida. Minha mãe não trabalhava por decisão de cuidar da família, portanto, éramos todos dependentes dele. Foi exatamente nessa fase que surgiu o primeiro convite de uma banda e eu, sem alternativa, resolvi aceitar, mesmo contrariando o desejo de meus pais.

Viajei muito, conheci muitos lugares, pessoas diferentes, “ganhei dinheiro”. Meu pai superou as expectativas de vida dadas pelos médicos e sobreviveu ainda por mais cinco ou seis anos após a descoberta do câncer, mas esses anos não foram fáceis. Devido à minha ausência em casa, todos sofriam, eu sentia muita falta de casa, muito medo de que ele se fosse sem que eu estivesse presente e nesse ínterim recebi convites de bandas famosas, mas teria que mudar de Estado, o que me fez declinar, apesar de ser difícil, dadas as circunstâncias econômicas. Meu pai veio a falecer em 2001, véspera de natal, mas antes disso, já no hospital, ele me chamou certo dia e com bastante dificuldade em falar me fez um pedido. Queria que eu deixasse de tocar em bandas, que fizesse um curso qualquer, que entrasse em uma faculdade, não queria para mim a vida nômade, de risco, queria-me mais próxima da família e me disse ainda que, onde quer que ele estivesse, queria me ver formada e distante do meio artístico, desejava para mim uma maior estabilidade financeira e emocional. Fiz essa promessa a ele e cumpri, deixei de tocar em bandas, entrei no curso de Pedagogia e foi minha mãe, por me conhecer perfeitamente, que mais uma vez escolheu o curso. Não sabia muito bem quais eram as possibilidades que o curso me proporcionaria futuramente, mas estava tão decidida que comecei a pesquisar sobre minha nova carreira, minha nova vida.

Comecei a sentir dificuldade em pagar o curso, visto que a faculdade era particular, por isso resolvi voltar a tocar em bandas. Meu pai iria compreender que seria passageiro, queria alcançar meu objetivo. Comentando com um amigo sobre meus objetivos de não tocar mais em bandas, ele me convidou para falar com o maestro da Orquestra Sinfônica de Sergipe, que à época era Gladson Carvalho. Submeti-me a um teste e fui admitida, o que me fez deixar de tocar definitivamente em bandas.

Quando estava no quarto período do curso de Pedagogia soube de uma seleção de professores para ensinar no Conservatório de Música de Sergipe, e mesmo sem estar formada, resolvi me candidatar. A instituição demonstrou interesse pelo meu currículo, selecionou-me para entrevista e, de acordo com meu perfil, resolveram me contratar temporariamente.

A partir de agora contemplarei experiências vivenciadas enquanto lecionava no Conservatório de Música de Sergipe no período de 2005 a 2007 e na “Nossa Escola”, desde 2008.

 

2 PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NO CONSERVATÓRIO DE MÚSICA DE SERGIPE

No Conservatório de Música de Sergipe ensinei em três turmas, cada uma com estágios que eram definidos pela idade, escolaridade e, por último, nível de entendimento musical, sendo assim classificadas: Musicalização I, II e III. A partir do momento em que o aluno passava por esses três estágios, feitos consecutivamente em três anos, ele passaria para o ensino básico, no qual já precisava ler partituras para então iniciar os estudos no instrumento escolhido.

Assim que cheguei, a estrutura do curso me chamou a atenção. A grade curricular compreendia a disciplina de Apreciação Musical, Flauta Doce, Expressão Corporal e Canto Coral. Para cada disciplina, um professor, exceto as duas últimas, pelas quais fiquei responsável, o que totalizava três professores e uma auxiliar3. Nenhum professor era efetivamente licenciado em música, mas todos tinham o curso técnico adquirido no próprio Conservatório de Música que, somado à experiência no campo de atuação musical, era suficiente para lecionar. Nenhuma disciplina era mais ou menos importante que a outra, pois trabalhávamos em conjunto, de forma interdisciplinar, ou seja, havia uma conexão que se estabelece entre as disciplinas, com integração recíproca de finalidades, objetivos e conteúdos.

Na disciplina Canto Coral os alunos ensaiavam a letra das músicas que estavam sendo tocadas pelo grupo que estudava Flauta Doce, já a disciplina Expressão Corporal era realizada durante as aulas de Canto Coral e também pelos alunos de Flauta Doce. Durante as aulas de Apreciação as partituras do Coral e da Flauta eram vistas e o aluno, com isso, tinha uma maior vivência musical.

Quando comecei a ensinar no conservatório de Música, dedicava também meu tempo à Orquestra Sinfônica de Sergipe. Por seus ensaios serem realizados durante todas as manhãs, fiquei ensinando no Conservatório no turno vespertino. A Orquestra exigia muito estudo, muita dedicação, os ensaios eram realizados no Teatro Tobias Barreto, em Aracaju mesmo, e acabavam às doze horas enquanto as aulas no Conservatório iniciavam às treze horas e trinta minutos. Como o tempo era curto entre o término dos ensaios da Orquestra e o início das aulas no Conservatório, e por serem realizados em lugares diferentes, eu não tinha tempo de ir para casa.

Lembro-me precisamente do dia em que resolvi sair da Orquestra Sinfônica e me dedicar somente ao ensino, pois não dava mais para conciliar. Tal fato talvez tenha estreita relação com o que vivenciei com uma aluna especial. Certa vez vi uma menininha durante uma aula de Flauta Doce ser criticada pelo professor por não estar acompanhando adequadamente os coleguinhas, depois que ele disse palavras duras, pediu que ela se retirasse da roda e ainda lhe disse que se não tinha “jeito para a coisa” pelo menos não atrapalhasse a aula. Depois desse dia, ela ficou sem ir à aula durante muito tempo e quando retornou se recusava a assistir a referida aula. Passei então a acompanhá-la mais de perto, fui conquistando sua confiança e ensinei as músicas que ela ainda não sabia. Foi maravilhoso sentir que pude resgatar naquela menina o desejo de aprender, a crença em si mesma e no Professor.

Paulo Freire, embora tenha se dedicado ao ensino de jovens e adultos, é elucidativo quanto à função do professor. Para ele,

"A responsabilidade do professor, de que às vezes não nos damos conta, é sempre grande. A natureza mesma de sua prática eminentemente formadora, sublinha a maneira como a realiza, sua presença na sala é de tal maneira exemplar que nenhum professor ou professora escapa ao juízo que dele ou dela fazem os alunos. E o pior talvez dos juízos é o que se expressa na "falta" de juízo". (FREIRE, 1996, p.90).

A decisão de me dedicar só ao ensino não foi fácil. Os primeiros dias foram bem tensos para mim porque, apesar de deter um conhecimento no que se refere à teoria musical, eu não tinha experiência em ensino, estava ainda concluindo o curso de Pedagogia e isso me motivou bastante à pesquisa e à observação de meus colegas professores. Aceitei sugestões da professora Miriam Ribeiro, pessoa que estimo muito e por quem tenho gratidão, mulher de generosidade ímpar, apaixonada pela arte de ensinar música. Ela me indicou livros e através dela conheci o método Willens. O método Willens preza pelas diferentes etapas do desenvolvimento psicológico da criança e apresenta uma linha de trabalho que vai do simples ao complexo, do concreto para o abstrato.

Durante minhas pesquisas descobri também três influentes professores na história da musicalização: Carl Orff4, Dalcroze5 e Kodály6O método de Orff é baseado em atividades lúdicas infantis: cantar, dizer rimas, bater palmas, dançar e percutir em qualquer objeto que esteja à mão. Estes instintos são direcionados para o aprendizado, fazendo música e somente depois partindo para a leitura e a escrita, da mesma forma como aprendemos nossa linguagem. Pelo método Orff busca-se desintelectualizar e destecnizar o ensino da música, acreditando que a compreensão deve vir depois da experiência - esta sim, é a base do processo.

  1. Dalcroze percebeu que o primeiro instrumento musical que se deveria treinar era o corpo. De acordo com TRENCH (2005), no trabalho de Dalcroze havia a preocupação entre a educação musical e a necessidade de sistematização de condutas em que música, escuta e movimentos corporais estivessem ligados e interdependentes.

Já Kodály elaborou um sistema de educação musical que utiliza música folclórica como base da aprendizagem. Tal procedimento transformou a vida musical e cultural da Hungria, sendo essa concepção metodológica difundida em todo o mundo e adaptada por cada país que a adotasse.

A proposta metodológica de Teca Alencar de Brito também me foi bastante pertinente para educar crianças pequenas, pois através de seu método pode-se inserir, no aprendizado, instrumentos musicais e sonoros, bem como sua confecção. No livro “Música na Educação Infantil” Teca promove uma comparação de conteúdos, metodologias e estratégias entre posturas pedagógicas tradicionais do ensino de música e posturas consideradas adequadas a uma concepção como área de conhecimento a ser construída pelas crianças. Com a comparação ela acaba oferecendo uma gama de atividades que enfocam a experiência musical, passo anterior à utilização do código convencional da música, a notação musical. (BRITO, 2003.)

Tais ensinamentos me fizeram, atualmente, procurar mesclar orientações pedagógicas estabelecendo uma conexão do ensino musical com a realidade dos alunos. De modo que posso dizer que do método Orff ministro o uso de percussão, palmas e pés. Associo essa prática ao folclore, o que me põe próximo do método Kodály e por fim adequo tais procedimentos à localidade com o movimento corporal de Dalcroze. Afinal,

"Na pedagogia que vimos tentando definir, o exercício das atividades não possui um receituário definido, por isso não pode ser maquinal nem costumeiro. Todos os dias, no momento em que cada atividade se reinicia, exige-se um ato consciente sobre aquilo que se vai fazer. Na execução, é preciso estar ciente da finalidade do ato que se vai praticar. Para isso, vale aqui lembrar o mecanismo da ação-reflexão". (LUCKESI, 1994, p.170)

 

É com contínua reflexão sobre os resultados que construo cada planejamento de aula. Vale lembrar que essa prática pedagógica não deve ser confundida com espontaneísmo, pois, ainda segundo LUCCKESI (1994), essa é a maneira que o educador deve construir com rigor, a sua prática, a sua ação. Esse é um processo exigente, rigoroso principalmente porque precisa ser constantemente construído; contudo, acredito que é o caminho para alcançar objetivos satisfatórios.

Trabalhar com crianças sempre foi muito gratificante, a disciplina pela qual fiquei responsável na musicalização infantil do Conservatório era muito cativante, logo conquistei a confiança dos alunos, de meus colegas professores e principalmente da direção da Instituição. Depois de um ano e meio trabalhando na musicalização infantil, fui transferida para ministrar aulas de violino básico porque havia uma vaga a ser ocupada. A partir daquele momento, tive que participar da seleção de alunos e formar turmas.

O Conservatório de Música não dispõe de vagas suficientes para a demanda de interessados que procuram por seus cursos gratuitos e cada professor determina, de acordo com seu planejamento de aula, quantos alunos, por turma, é capaz de ensinar. Eu decidi que daria aula a quatro e até então as aulas eram individuais. Sem prejuízo de qualidade, pude assegurar à direção de que era possível ensinar violino em grupo, pois, ainda segundo Lucckesi:

"Em primeiro lugar, é um juízo de qualidade que nada mais significa que uma afirmação ou negação qualitativa sobre alguma coisa, tendo como base critérios estabelecidos previamente. No caso da educação, padrões e expectativas consciente e politicamente ordenados. Em segundo lugar, esse juízo é estabelecido sobre manifestações relevantes da realidade, que nada mais são que os aspectos da realidade que se relacionam com o objetivo que se tem à frente". (LUCKESI, 1994, p.172)

Tal iniciativa me levou a ser alvo de críticas, mas que logo cessaram com os primeiros resultados, dada a desenvoltura de meus alunos e a procura por vagas em minhas turmas, o que me levou, inclusive, a trabalhar fora de meu horário obrigatório.

No Conservatório de Música atendi ao público infantil no curso de Musicalização Infantil e ao público juvenil e adulto, no Curso Prático de Violino. Essa foi uma excelente oportunidade de confrontar uma das maiores dúvidas que pairavam sobre minha vivência musical: O que é dom? Será que realmente é preciso ter dom para ser um bom músico? Tais indagações me remeteram ao estudo de Braghiolli, no qual ele afirma:

"Na verdade, o professor também aprende enquanto ensina, e o aluno, enquanto aprende também ensina. Se o professor precisa conhecer a si mesmo para poder conhecer os alunos, a abertura ao que os alunos podem ensinar-lhe é um dos passos para esse autoconhecimento".(BRAGHIROLLI, 2003, p.21).

 

Foi dessa forma que pude perceber que o papel do professor é mais do que ensinar conteúdos didáticos e que essas dúvidas eram inerentes ao meu crescimento profissional. Com base nessa perspectiva, o relatório “Educação: Um tesouro a descobrir”, de autoria de Jacques Delors (1996), aponta quatro pilares básicos essenciais a um novo conceito de educação: “aprender a conhecer”, “aprender a fazer”, “aprender a viver junto”, “aprender a ser”.

Nesse contexto, percebi que os alunos que vinham do curso de Musicalização Infantil tinham mais facilidade em assimilar as aulas práticas no violino, enquanto que os alunos que chegavam adultos e que já entravam diretamente no Curso Básico sentiam mais dificuldades. Isto porque não tiveram experiências musicais adequadas durante a infância. Devido a essa “deficiência”, era frequente o desestímulo, sendo então uma das principais razões das evasões no curso teórico básico intitulado 1º Básico. Pude perceber, com isso, que a história que cada indivíduo tem com a música é fundamental para o desenvolvimento do dom, da então aptidão musical.

Ensinando na turma básica de violino percebi que a estratégia de ensinar em grupos de até quatro alunos foi um acerto importante, já que pude contar com algo que não planejei, a amizade desenvolvida entre os alunos. A cumplicidade foi importante para o desenvolvimento do trabalho; outrossim, os métodos de ensino aplicados coletivamente aos alunos em grupos de estudos enfatizam, portanto, o intercâmbio de ideias, a discussão, as trocas. (RANGEL, 2007).

O que mais me surpreendeu enquanto estive ensinando violino foram os desejos de cada aluno: a maioria tinha o instrumento como alternativa de vida, desejavam tocar na Orquestra Sinfônica de Sergipe, em casamentos, em banda, enfim, viver da música. Já falavam em dinheiro, em estabilidade, e buscavam isso com uma certeza de sucesso que me encantava e me deixava cada vez mais envolvida com a história de vida de cada um. Foi nesse momento de minha carreira que me libertei da culpa de aceitar esse destino e agradeci todos os dias a oportunidade de “viver da música”.

Também me chamou a atenção o poder aquisitivo diversificado dos alunos. Alguns deles estudavam em escolas particulares, tinham a pele clarinha e os cabelos sedosos. Outros tinham que ir de ônibus, com muitas dificuldades em conseguir o próprio instrumento, por vezes vinham direto da escola já cansados a fim de emendarem os turnos para economizar passagem, mas quando estavam todos juntos essas diferenças ficavam do lado de fora. Tal sintonia era, realmente, incrível para mim. Por conta desse entrelace entre os alunos, a falta às aulas eram quase que inexistentes e muitos deles quando precisavam faltar até me solicitavam repor de alguma maneira.

Foi por isso que percebi facilmente a ausência de Selma7, aluna dedicada, esforçada e risonha; tinha aproximadamente dezesseis anos e pertencia a uma família de classe menos favorecida financeiramente. Tinha muita vontade de aprender violino, porém, devido a sua grande dificuldade de concentração e assimilação, estava começando a se atrasar frente aos conteúdos e isso a inquietava muito. Certo dia, resolvi ligar para ela e marquei um horário para conversar apenas, e ela apareceu triste e sem o instrumento. A princípio me senti muito mal, atribui aquela tristeza ao meu fracasso em lhe ensinar. Eu queria descobrir uma maneira de fazer com que ela superasse aquela dificuldade em se concentrar, pensei nas correntes pedagógicas, li e reli meus livros de Psicologia, pois sofri calada por todo o tempo de sua ausência.

Para minha surpresa, o problema não era eu, mas sim, a fome. A fome que Selma vinha passando ao emendar os horários da manhã, quando fazia um curso do Projeto Social Pró-Jovem e o da tarde, estudando violino comigo, no Conservatório. Em suma, ela não tinha dinheiro e só estudava no Conservatório porque recebia passagens para estar no Pró-jovem. Por isso a falta de concentração, por isso a ausência, por isso o semblante de infelicidade. Ao me contar sua história, relatou que era filha adotiva e que tinha o violino como única maneira mais imediata de mudar o próprio destino, queria se profissionalizar o quanto antes porque estava sendo maltratada em casa. Aprendendo violino, passaria a tocar na igreja que frequentava, tocaria nos casamentos e posteriormente, ingressaria na Orquestra. Esses eram seus planos, além de sonhar em ensinar no Conservatório de Música de Sergipe. Obviamente não conteve a emoção e chorou e eu, perplexa com o que estava ouvindo, lhe sugeri uma solução: almoçaríamos juntas nos dias que ela tivesse aula e desse modo resolveríamos juntas o problema. Para isso me foram importante os ensinamentos de Zorzo, Siva e Polens quando estes apregoaram:

[...] "deve-se questionar os novos papéis do professor no contexto social, onde ele não é mais aquele que se limita a “dar aulas”, dominar conteúdos e saber transmitir, mas sim aquele que deve compreender o seu papel social no meio educativo, partindo das relações interpessoais em sala de aula, pautado pela dignidade, confiança, calor humano, segurança e respeito a si próprio". (ZORZO; SILVA; POLENS, 2004, p.191)

O resultado disso foi a melhora de sua resposta ao estudo do instrumento, o que me fez encaminhá-la para a orquestra de alunos do Conservatório. Estava ela seguindo o “meu caminho”. Fizeram com ela o que fizeram comigo. Eu estava por certo sendo a professora. Tempos depois, já fora do quadro de professores da instituição a reencontrei com um lindo sorriso e um gratificante agradecimento. “Fessora, tô ganhando dinheiro, tô na orquestra de Itabaiana!” O que senti e sinto até hoje é indescritível. Parafraseando Freire,

 

"É digna de nota a capacidade que tem a experiência pedagógica para despertar, estimular e desenvolver em nós o gosto de querer bem e o gosto da alegria sem a qual a prática educativa perde o sentido. É esta força misteriosa, às vezes chamada vocação, que explica a quase devoção com que a grande maioria do magistério nele permanece, apesar da imoralidade dos salários. E não apenas permanece, mas cumpre, como pode, seu dever". (FREIRE, 1987, p.90)

Esse momento de minha experiência é, sem dúvida, o que mais me causa emoção. Foi a partir desse acontecimento que aprendi a olhar nos olhos de meus alunos, que aprendi que cada um possui a sua própria história e que precisa ser respeitada, e que essa história pode e deve ser levada para a sala de aula, pois pode ser determinante no seu próprio sucesso ou insucesso.

Em 2007 meu contrato foi rescindido, como havia sido combinado anteriormente. Durante esse ano voltei a tocar violino, e no segundo semestre ensinei no Centro de Criatividade também por um breve período de contrato, dessa vez apenas um curso rápido. Nesse mesmo período fui indicada por uma colega do Conservatório de Música para substituir um professor que havia passado em um concurso público e estava saindo da Nossa Escola. Analisei e aceitei a proposta, pois sempre tive a curiosidade de ver como as escolas particulares se articulavam em relação às aulas de música.

 

3 A “NOSSA ESCOLA” E SUA CULTURA MUSICAL

A “Nossa Escola” foi criada por Aglacy Mary 8 e Edmê Cristina de Oliveira 9 no ano de 1990. A escola se situava na Avenida Gonçalo Prado, em uma casa alugada. Em setembro de 1993 um novo prédio foi adquirido definitivamente, na avenida Delmiro Gouveia, no bairro Coroa do Meio. No ano de 1997 foi criada a Unidade II, que oferecia o ensino fundamental e em 2001 a escola passou a oferecer também o ensino médio. A escola segue o construtivismo como concepção metodológica, que deriva principalmente da epistemologia genética de Jean Piaget e da pesquisa sócio-histórica de Lev Vygotsky, sugerindo que para aprendizagem o conhecimento não se traduz em atingir a verdade absoluta, em representar o real tal como ele é, mas numa questão de adaptação do organismo a seu meio ambiente. Assim, o professor deixa de ser o detentor do saber para ser mediador, o conhecimento é construído e não aprendido somente, o que torna a prática de ensino ainda mais exigente no que se refere a conteúdos.

Nesse Educandário adquiri ainda mais experiência, passando inclusive a admirar a maneira como é concebida a aula de música. Logo no primeiro contato com Aglacy Mary, diretora da Unidade I e sócia da Nossa Escola, pude perceber que sua proposta pedagógica era diferente da que estava acostumada a ver e isso logo me encantou. Outro fantástico desafio!

Por certo as pessoas estão habituadas a entender a educação musical como suporte para a aquisição de conhecimentos gerais, para a formação de hábitos e atitudes, disciplina, condicionamentos de rotina, comemoração de datas festivas, tornando o “fazer música” em algo mecânico e sem expressão, entretanto,

"A prática mecânica de atividades musicais é condenada por pedagogos musicais há muito tempo. Em substituição aos exercícios mecânicos, já no início do século se defendia a necessidade do envolvimento mais efetivo do corpo, e da imagem mental no desenvolvimento auditivo". (CRAIDY; KAERCHER, 2001, p.133).

Aglacy é uma pedagoga muito inteligente, dedicada à educação e muito, muito criativa. Por horas conversávamos sobre as possibilidades de aulas que eu poderia desenvolver. Nunca me senti tão livre para criar, ainda mais quando descobri que além de excelente diretora, era também escritora e compositora. Certamente o auge dessa parceria foi a construção da música ABC da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) tema do projeto pedagógico desenvolvido pela escola em 2008, intitulado CPLP, uma multicultura, com certeza, em que ela escreveu a letra e eu fiz o arranjo e cantei, levei para estúdio e a utilizamos durante todo o ano.

Com o passar do tempo percebi que o maior desafio da escola era ensinar a crianças muito pequenas, com a faixa etária que variava de um ano e meio a seis anos, do maternal à alfabetização e sem uma disciplina específica na grade curricular. O objetivo era despertar a musicalidade, desenvolver a aptidão musical para "a posteriori" ser trabalhado e eu seria responsável pelo canto, pela expressão corporal, pelo ritmo, pela escuta, enfim, por tudo o que se referisse à musicalização infantil de um ano e meio a seis anos e, assim, novas pesquisas foram necessárias que, por sua vez, somaram-se aos conteúdos e experiências adquiridos. Foi nesse momento que descobri alguns recursos didáticos importantes para minha prática pedagógica, a exemplo dos CD’s com músicas do grupo Palavra Cantada.

Como na “Nossa Escola” as crianças são muito pequenas e ainda em alfabetização, não convém o ensino de leitura de notas, sendo realizadas atividades lúdicas que despertem a musicalidade, trabalhem a aptidão musical e, além disso, trabalhem funções cognitivas como atenção, memória, percepção, lateralidade, coordenação motora, sendo de extrema importância observar os conhecimentos e habilidades – no plano físico, intelectual e socioafetivo – que o aluno já possui. A leitura de notas é desenvolvida a partir dos sete anos, exatamente como acontecia no Conservatório, é nesse momento que as professoras Corina Pann e Juliana Cordeiro os recebem em outro prédio de que a instituição dispõe, desenvolvendo as atividades mais ligadas às especificidades da música, como o ensino de flauta doce, de modo que os talentos ficam ainda mais evidentes e cada vez mais a escola os incentiva, na medida em que prepara musicalmente as crianças e adolescentes através de musicais que são criados por uma equipe competente de atores, dançarinos, professores e músicos.

A “Nossa Escola” segue um planejamento musical bem interessante, mas não chega a ser profissionalizante, é um trabalho realizado muito mais para a musicalidade do que para a música em si, já que não oferece diversidade de escolha em nenhum instrumento como acontece no conservatório. A música é inserida no contexto escolar de forma interdisciplinar, não como forma de brincadeira ou instrumento de aprendizagem de qualquer outra disciplina somente, mas com o respeito às suas peculiaridades e necessidades, tal como um espaço próprio para a prática de suas atividades.

O espaço reservado para as práticas musicais fica no andar superior da escola, é pequeno, mas bastante aconchegante, com alguns pufes espalhados pela sala, dando um ar de leveza ao ambiente e favorecendo a liberdade de movimentos de que as crianças tão pequenas precisam. Durante as aulas a professora titular e a auxiliar participam da aula ativamente, o que favorece ainda mais o bom desenvolvimento de qualquer atividade que seja levada para a aula.

Como a música não é somente utilizada como complemento das outras, todos os sábados existem reuniões para planejamento da semana. Como as professoras participam também das atividades, elas devem estar sempre atentas ao que vai acontecer na semana para sugerirem atividades, caso achem plausível conciliar com o que está sendo desenvolvido em outras disciplinas.

Como a proposta inicial da escola era despertar a musicalidade, resolvi que deveria seguir alguns parâmetros para que pudesse planejar as aulas. Um dos principais foi sobre os instrumentos escolhidos para trabalhar com as crianças; preferi não pedir a compra de instrumentos musicais mas sim confeccionar quase todos os que seriam utilizados. Portanto, os chocalhos e os ganzás foram feitos com latas de refrigerante e sementes em seu interior, as clavas com cabos de vassouras, os tambores com latas de alumínios e plástico (para diferenciar a sonoridade), entre outros objetos, como o balde, utilizado como tambor de maior porte. As músicas eram, em sua maior parte, interpretadas pelo violino e o CD só era utilizado quando tinha a função de percepção, ou pesquisa sobre ritmos, até porque a aceitação dos alunos ao violino era maior que qualquer outro instrumento, até mesmo que o teclado, instrumento tão comum nas aulas de música em outras escolas. As aulas eram sempre muito divertidas, e com as outras professoras participando as crianças era positivamente influenciadas. Apesar de confeccionar instrumentos para as aulas, as crianças sempre traziam novidades, e isso era muito importante porque mostrava claramente o envolvimento e o entusiasmo permanente que a música exercia sobre cada uma.

As práticas escolares variavam entre expressão corporal com danças, canto, apreciação musical e histórias sonoras. Cito como exemplo de história sonora o conto “O Encantador de Serpentes” (CRUZ, 1997). O Encantador de Serpentes toca sua flauta e espera que a serpente saia do cesto, dançando. Tenta por diversas vezes e, cansado de esperar, resolve ver o que está acontecendo. Para sua surpresa, a serpente está ouvindo música em seu radinho. Durante todo o conto, as crianças ficam na expectativa de ver, no livro, a ilustração da serpente saindo do cesto e se envolvem bastante com o texto, tentando adivinhar o que teria acontecido, além de movimentar bastante o corpo quando toquei a flauta de pífano que levei para dar vida ao personagem, personificado por mim com um chapéu na cabeça. Esse é apenas um exemplo do que acontece durante as aulas de musicalização na Unidade I da Nossa Escola.

Os resultados dessas atividades são observados posteriormente quando essas crianças iniciam seus estudos na forma mais específica da música, quando passam a ler partituras de notas e tocar flauta doce na unidade II da Nossa Escola. Além disso, algumas se expressam bem no teatro e na dança e isso pode ser um reflexo de uma aprendizagem musical correta. Os musicais desenvolvidos na escola, a exemplo dos Saltimbancos e O Mágico de Oz, explicitam bem essas conquistas.

 

 

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A intenção de enveredar pela autobiografia foi a de trazer à luz as práticas musicais desenvolvidas nas duas escolas que embora tenham origem, parâmetros, pedagogias e metodologias diferentes, têm em comum o fato de utilizarem a música em seu processo de ensino. O que espero com essa narrativa é contribuir com outros colegas que tenham nas práticas aqui expostas um exemplo de experiências exitosas. Afinal, segundo Fonterrada,

"A educação musical não é apenas uma atividade destinada a divertir e entreter as pessoas, tampouco um conjunto de técnicas, métodos e atividades com o propósito de desenvolver habilidades e criar competências, embora essa seja uma parte importante de sua tarefa. O mais significativo na educação musical é que ela pode ser o espaço de inserção da arte na vida do ser humano, dando-lhe possibilidade de atingir outras dimensões de si mesmo e de ampliar e aprofundar seus modos de relação consigo próprio, com o outro e com o mundo".(FONTERRADA, 2003, p.106)

Vale ressaltar que ensinar música não é tarefa das mais fáceis. É grande a discussão que trata de quem estaria apto a ensinar. Loureiro (2003) questiona que profissional seria esse, o músico diplomado em instrumento, composição ou regência, ou aquele que trabalha com a música de múltiplas maneiras ou ainda o professor de classe? Além disso, ele se pergunta: qual a real importância da música como disciplina escolar?

Escolas públicas e privadas de todo o Brasil têm até 2011 para incluir o ensino de Música em sua grade curricular. A exigência está configurada na lei nº 11.769, sancionada em 18 de agosto de 2008, determinando que a música deverá ser conteúdo obrigatório em toda a Educação Básica. "O objetivo não é formar músicos, mas desenvolver a criatividade, a sensibilidade e a integração dos alunos", diz Clélia Craveiro, presidente da Câmara de Educação Básica do CNE (Conselho Nacional de Educação). Mas, afinal, quem estaria realmente apto a preparar, a despertar essa suposta sensibilidade e criatividade sugerida na lei?

Diante de minha trajetória artística, aqui exposta sucintamente, e construindo minha carreira na educação musical, pude observar o quanto foi importante iniciar cedo meus estudos em música. Além disso, fui feliz quando tive a oportunidade de me envolver com grupos de estudos, de ter professores comprometidos e de estar no seio de uma família que me apoiou em todos os momentos dessa história, principalmente nos momentos transitórios entre prática e ensino. Parafraseando Howard,

"Esta psicopedagogia eu aprendi por mim mesmo, graças a uma longa prática de educação de artistas, de todo o domínio da educação a especialidade que certamente oferece maiores dificuldades. Com efeito, é o ser dotado no plano artístico que geralmente coloca os problemas mais contraditórios para serem resolvidos'.(HOWARD, 1952, p.13)

Pude perceber ainda que sem a Pedagogia, pouco, ou até mesmo em nada avançaria em qualidade de ensino aos meus alunos. O conhecimento de música não fora suficiente para ensinar. Constatei essa afirmação quando presenciei aulas de colegas músicos formados, musicalmente capazes, mas, despreparados no que se refere à didática, planejamento, psicologia da educação e disciplinas do Curso de Pedagogia que, por certo, me deram grande base para buscar resultados significativos.

  

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BRASIL. Lei nº 11.769, de 18 de agosto de 2008. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11769.htm> Acesso em: 20 jul. 2010.

BRITO, Teca Alencar de. Música na educação infantil: propostas para a formação integral da criança. São Paulo: Peirópolis, 2003.

CRAIDY, Carmem Maria; KAERCHER, Gladis Elise P. da Silva. Educação infantilpra que te quero? Porto Alegre: Artmed, 2001.

CRUZ, Nelson. O encantador de serpentes. Belo Horizonte: Dimensão, 1997.

DELORS, Jacques (org). Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez, 1999 

FONTERRADA, Marisa Trench de Oliveira. De tramas e fios: um ensaio sobre música e educação. São Paulo: Unesp, 2005.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GAINZA, Violeta Hemsy de. Estudos de psicopedagogia musical. São Paulo: Summus, 1982.

HOWARD, Walter. A música e a criança. São Paulo: Summus, 1952.

LOUREIRO, Alícia Maria Almeida. O ensino de música na escola fundamental. São Paulo: Papirus, 2003.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da educação. São Paulo: Cortez, 1994.

MOYSÉS, Lúcia Maria. O desafio de saber ensinar. São Paulo: Papirus, 1995.

RANGEL, Mary. Magistério, formação e trabalho pedagógico: métodos de ensino para a aprendizagem e a dinamização das aulas. São Paulo: Papirus, 2005.

SEKEFF, Maria de Loudes. Da música: seus usos e recursos. São Paulo: Unesp, 2007.

SILVA, Helena Lopes da. Sentidos de uma pedagogia musical na escola aberta: um estudo

de caso na escola aberta chapéu do sol [tese de doutoramento]. Porto Alegre, RS: UFRS, 2009. 

UNESCO. MEC. Educação: um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre educação para o Século XXI. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2003.

ZORZO, Maria Cacilda; SILVA, Lauraci Donde da; POLENZ, Tamara. Pedagogia em conexão. Canoas: Ulbra, 2004. 

 Jéssica Elis Silva Eleodoro, nascida em 1980, natural de Sergipe. Violinista erudita e popular, dedicou-se ao ensino de música às crianças.

 Professor de violino do Conservatório de Música de Sergipe.

 A função de auxiliar era a de ajudar o professor titular a ministrar as aulas de música organizando a sala, orientando os alunos e no que mais o professor titular solicitasse.

 Compositor alemão, viveu de 1895 a 1982, dedicou-se à pedagogia musical com o método que levou seu nome, Orff, baseado na percussão e no canto.

 Educador musical suíço, viveu de 1865 a 1950 e foi professor no Conservatório de Genebra.

 Nascido em Keskémet, na Hungria, em 1882, foi um ferrenho nacionalista e carregou com empenho a tarefa de reconstrução da cultura musical Húngara.

 Nome fictício.

 Aglacy Mary da Silva é Pedagoga e trabalha na área de educação há mais de 25 anos. É diretora e sócia da Educação Infantil da Nossa Escola

Edmê Cristina de Oliveira é Psicóloga, professora, diretora e sócia da Nossa Escola

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