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Avaliação como Fator de Exclusão Imprimir E-mail
Por Lenita Maria Costa de Almeida* (lenitamc@uol.com.br)   
23 de julho de 2004

Texto enviado pela leitora Lenita Maria Costa de Almeida, sobre diversos aspectos relacinados à Avaliação

Avaliação como Fator de Exclusão
Uma tentativa de contextualizar o homem, na sua relação com o poder, o domínio e o inovar.


Sabemo-nos a caminho, mas não exatamente onde estamos na jornada.
Boaventura Souza Santos


Resumo: Este estudo tem como propósito considerar o processo avaliativo na multiplicidade de fatores contidos nos acidentes de percurso registrados pela história. Caminha de forma linear para reflexões sobre avaliação – intimamente ligada à exclusão – inserida no contexto pós-moderno, dentro da realidade dos nossos dias. Constatações e sinalizações apontam para o aprimoramento reflexivo, objetivando a reconsideração de critérios avaliativos, que envolverão, sem dúvida, a formação de professores.

Palavras-chave: Avaliação – Mudança – Inovação - Exclusão

Em dois artigos que se completam, ABRAMOWICZ (1) desenvolve uma reflexão crítica e transformadora sobre avaliação, calcada na presentidade, não deixando, entretanto, de rastrear os fundamentos teóricos que transitam no espaço histórico, analisando o início das preocupações com a avaliação e o processo evolutivo em andamento, que joga essa temática para a vanguarda no contexto educacional
pós-moderno em que nos encontramos.

Embora seja possível sentir o envolvimento pós-moderno em todos os campos de atividade humana, o uso do termo ainda comporta divergências conceituais e controvérsias acadêmicas.

Apontarei dialeticamente, em "flashes", algumas colocações que fundamentam a minha reflexão:

Embora o termo "pós-modernismo" tenha sido usado por alguns escritores dos anos 50 e 60, não se pode dizer que o conceito de pós-modernismo tenha se cristalizado antes da metade dos anos 70, quando afirmações sobre a existência desse fenômeno social e cultural tão heterogêneo começaram a ganhar força no interior e entre algumas disciplinas acadêmicas e áreas culturais, na filosofia, na arquitetura, nos estudos sobre o cinema e em assuntos literários. A legitimidade desse debate foi estabelecida em duas direções, efetuando uma esterioscopia conceitual. Em primeiro lugar, cada disciplina produziu provas cada vez mais conclusivas da existência do pós-modernismo em sua própria área de prática cultural; em segundo, e realmente mais importante, cada disciplina aproveitou progressivamente as descobertas e definições de outras disciplinas. Com o aparecimento da La Condition postmoderne, de Jean-François Lyotard, em 1979, e com a sua tradução para o inglês em 1984, esses diferentes diagnósticos disciplinares recebem uma confirmação interdisciplinar e pareceu não haver mais espaço para se discordar de que o pós-modernismo e a pós-modernidade tenham vindo para ficar. Como é natural, com esse sucesso crítico veio a controvérsia .... Charles Newman tem outra metáfora.... Para ele, o pós-modernismo é somente o sistema representativo de uma 'inflação do discurso', que percorre todos os níveis da sociedade, mas, em especial, as esferas da cultura e da comunicação. Para Newman, a linguagem crítica e a literária renunciaram deliberadamente a toda a relação com um valor de uso confiável e acumulam obscuridade sobre obscuridade em intermináveis espirais de autoavaliação. ... Em lugar de perguntar que é o pós-modernismo, devemos perguntar: onde, como e por que o discurso do pós-modernismo floresce? Que está em jogo em seus debates? A quem ele se dirige e de que maneira? Essa série de questões retira a atenção do sentido ou conteúdo do debate e a concentra em sua forma e função, de modo que, tomando de empréstimo a fórmula de Stanley Fish, perguntamos, não o que significa o pós-modernismo, mas o que ele faz. (CONNOR, 1993: 13-14)



 

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