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Avaliação como Fator de Exclusão Imprimir E-mail
Por Lenita Maria Costa de Almeida* (lenitamc@uol.com.br)   
23 de julho de 2004

FROMM (1986) faz exaustiva análise da evolução comportamental do homem, nos diversos períodos históricos e seu desenrolar transformador. Aborda o fim da Idade Média quando começa a ter lugar um novo prisma para o tempo e sentido modernos.

Os minutos tornaram-se valiosos; um sintoma deste novo sentido de tempo é que em Nuremberg, os relógios vêm batendo os quartos de hora desde o século XVI (FROMM, 1986:55)

Foi o próprio advento do "time is money", máxima do senso comum norte-americano na modernidade. Segundo o mesmo autor, nesse período, o que não fosse produtividade e eficiência, elevadas aos píncaros das virtudes morais, era desprezado. Prevalece o comércio e o lucro, em detrimento do estudo das ciências e das artes, sobrepujados pela mais incipiente espécie de trabalho manual, afetando a todos, gerando conseqüências.

Agora, com início do capitalismo, todas as classes da sociedade, puseram a mexer-se. Deixou de haver um lugar fixo na ordem econômica, que podia ser considerada natural, inquestionável. O indivíduo foi deixado só; tudo dependia do seu próprio esforço, não da segurança de seu 'status' tradicional (FROMM, 1986:56)

Ao contrapor as características da sociedade medieval à moderna, FROMM aponta, na primeira, a falta de liberdade individual, onde "todas as pessoas se achavam aguilhoadas ao respectivo papel na ordem social ... A vida particular, econômica e social, era contida por regras e obrigações, de que praticamente nenhuma esfera de atividade se achava isenta.... Contudo, malgrado a pessoa não fosse livre na acepção moderna, tampouco se achava sozinho e isolado." (1986:42)

Nesse relacionamento "senhor-escravo" havia uma contrapartida de equilíbrio que dava ao homem segurança. Com o advento do capital, o destino pessoal de cada um – agora com liberdade – foi alterado pela insegurança, isolamento e ansiedade. O capital "deixava de ser um servo e tornava-se o senhor". (FROMM 1986:57)

Se houve para o homem ganhos de crescimento e liberdades individuais, houve grandes baixas para sua vida, agora sem metas, autoconfiança abalada, o que o faz entrar como perdedor na competitividade emergente. A ameaça é sentida, mas o sujeito é indeterminado. São forças suprapessoais, representadas pelo capital e o mercado. As decorrências até nossos dias, todos sabemos e sofremos.

Essa divagação teórica pela área da Psicologia pretende apoiar a suposição de que, talvez até por atavismo, ao defrontar-se com o novo, com a possibilidade de mudança, mesmo embasada em reflexões operacionalizadas por treinamentos (refiro-me à educação e ensino), o homem se agita. Alguma coisa dentro dele tende a reagir de maneira inesperada. A imprevisibilidade é a marca forte do ser, na sua limitação de homem. É o imponderável, que torna-se o grande embargo quando se trata de inovação e mudança.

Adensando a análise de condicionantes que interferem nos processos avaliativos, lembrando uma vez mais e ainda que seu agente é o homem, fruto das considerações até aqui delineadas, chegamos ao Poder, aliado a Domínio e Controle, quando se trata de avaliação.



 

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