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como APPLE (1982), FREIRE (1983) ou FAUNDEZ (1983) entre outros, tratam
desses eixos temáticos, estreitando a sua ligação com as políticas
públicas no contexto educacional. Dentro da mesma linha, FAUNDEZ
(1993), analisa em profundidade as relações políticas, de domínio e
poder, contidas no trato educacional. Provoca a transposição da
ingenuidade, para a sagacidade em desvelar verdades e interesses
ocultos, encobertos e acobertados por sistemas políticos "a quem se deve servir". Trazendo
a discussão para o campo filosófico que, em sua abrangência contém o
particular – no caso, a educação – JAPIASSÚ (1991) cita BACHELARD: Enquanto
a vontade de poder era ingênua, enquanto era filosófica, enquanto era
nietscheana, só era eficaz – tanto para o bem quanto para o mal – em
escala individual. Nietzsche age sobre os leitores; um leitor
nietzscheano só tem uma ação irrisória. Contudo, a partir do momento em
que o homem se apodera efetivamente dos poderes da matéria e não sonha
mais com elementos intangíveis, mas organiza realmente corpos novos e
administra forças reais, ele aborda à vontade um poder dotado de
verificação objetiva. Torna-se mágico verídico, demônio positivo. (JAPIASSÚ, 1991:300). Uma forma de controle dissimulado destaca-se na proposta liberal, onde prevalece o ensino puro do conteúdo, que "não é puro", conforme Paulo FREIRE, mas sujeito à seletividade de tratamento conferida por conta de quem detenha o poder. E
se o poder mexe com as pessoas em geral, por que não com pedagogos e
professores, privilegiados em suas funções, pela subalternidade do
estudante a seus cuidados? (isso, trazendo o discurso para uma
abordagem reducionista, no âmbito do sistema escolar). Lembra-me
uma frase de Dr. Ulysses Guimarães, na televisão, quando entrevistado
em sua campanha para a Presidência da República (1990). Dizia ele, com
especial luminosidade no olhar: "... o poder me fascina. Nada se
compara ao poder. Tenho orgasmo de poder...". A citação vale para ilustrar que a ânsia pelo poder – sem dúvida uma "virtude menor"
– inebria. E o poder assim exercitado pode ser tão pernicioso quanto
uma droga, ao integrar-se no rol das fraquezas humanas. E não se pode
negligenciar para a obviedade do fato de que – o homem – um ser social
por excelência, está no cerne dos agrupamentos sociais, em suas
múltiplas formas organizadas. Quando
foi explicitado que na concepção humanista-tradicional o ensino
centra-se no professor – um homem completo, dono do saber, e o aluno –
um ser incompleto, imaturo, que nada sabe, passivo receptor do que lhe
é imposto, tem-se estabelecida uma relação de dependência, fortalecida
pelo exercício do poder sugerido pela especificidade dos papéis dos
atores educacionais.
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