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Por Lenita Maria Costa de Almeida* (lenitamc@uol.com.br)   
23 de julho de 2004

Autores como APPLE (1982), FREIRE (1983) ou FAUNDEZ (1983) entre outros, tratam desses eixos temáticos, estreitando a sua ligação com as políticas públicas no contexto educacional. Dentro da mesma linha, FAUNDEZ (1993), analisa em profundidade as relações políticas, de domínio e poder, contidas no trato educacional. Provoca a transposição da ingenuidade, para a sagacidade em desvelar verdades e interesses ocultos, encobertos e acobertados por sistemas políticos "a quem se deve servir".

Trazendo a discussão para o campo filosófico que, em sua abrangência contém o particular – no caso, a educação – JAPIASSÚ (1991) cita BACHELARD:

Enquanto a vontade de poder era ingênua, enquanto era filosófica, enquanto era nietscheana, só era eficaz – tanto para o bem quanto para o mal – em escala individual. Nietzsche age sobre os leitores; um leitor nietzscheano só tem uma ação irrisória. Contudo, a partir do momento em que o homem se apodera efetivamente dos poderes da matéria e não sonha mais com elementos intangíveis, mas organiza realmente corpos novos e administra forças reais, ele aborda à vontade um poder dotado de verificação objetiva. Torna-se mágico verídico, demônio positivo. (JAPIASSÚ, 1991:300).

Uma forma de controle dissimulado destaca-se na proposta liberal, onde prevalece o ensino puro do conteúdo, que "não é puro", conforme Paulo FREIRE, mas sujeito à seletividade de tratamento conferida por conta de quem detenha o poder.

E se o poder mexe com as pessoas em geral, por que não com pedagogos e professores, privilegiados em suas funções, pela subalternidade do estudante a seus cuidados? (isso, trazendo o discurso para uma abordagem reducionista, no âmbito do sistema escolar).

Lembra-me uma frase de Dr. Ulysses Guimarães, na televisão, quando entrevistado em sua campanha para a Presidência da República (1990). Dizia ele, com especial luminosidade no olhar: "... o poder me fascina. Nada se compara ao poder. Tenho orgasmo de poder...".

A citação vale para ilustrar que a ânsia pelo poder – sem dúvida uma "virtude menor" – inebria. E o poder assim exercitado pode ser tão pernicioso quanto uma droga, ao integrar-se no rol das fraquezas humanas. E não se pode negligenciar para a obviedade do fato de que – o homem – um ser social por excelência, está no cerne dos agrupamentos sociais, em suas múltiplas formas organizadas.

Quando foi explicitado que na concepção humanista-tradicional o ensino centra-se no professor – um homem completo, dono do saber, e o aluno – um ser incompleto, imaturo, que nada sabe, passivo receptor do que lhe é imposto, tem-se estabelecida uma relação de dependência, fortalecida pelo exercício do poder sugerido pela especificidade dos papéis dos atores educacionais.



 

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