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Características da escola do século XXI - 2ª Parte Imprimir E-mail
Por Duglas Wekerlin Filho   
23 de julho de 2004

Segunda parte do artigo, escrito pelo leitor
Duglas Wekerlin Filho ( Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo )


3. Mediação da Aprendizagem


Os alunos vêem, na relação professor/ aluno, a relação ensino/ aprendizado, sendo que essa posição é instituída pela sociedade que coloca os alunos e os professores em alturas diferentes no processo de aprendizagem. Está consolidado que quem aprende é o aluno e quem ensina é o professor. Se a dinâmica muda, há o surgimento de conflitos e de cobrança de papéis. Essa posição parece ser óbvia quando se percebe que a mediação do adulto acontece de modo espontâneo sobre as crianças (VYGOSTKY apud FONTANA, 2000).

Na posição anterior, um domina os conceitos e o outro tem de aceitá-los, porém quando a criança vai à escola, ela já domina conceitos espontâneos, e a escola propõe que ela passe a dominar conceitos sistematizados. Para que isso ocorra, há a necessidade de que aconteça a articulação e a transformação recíproca. Professor e aluno têm de atuar de modo diferente no processo de aprendizagem, não cabe mais somente transmissão de conceitos.

A mediação pedagógica, muitas vezes, é subestimada, originando atividades que se perdem, pois não são identificados os momentos de mediação e como essa deve ser efetuada.

Diante dessa situação, MASETTO (2001, p.144) propõe que seja explicitado como pode ser entendida a mediação pedagógica em um ambiente de aprendizagem.

Por mediação pedagógica entendemos a atitude, o comportamento, do professor que se coloca como facilitador, incentivador ou motivador da aprendizagem, que se apresenta com a disposição de ser uma ponte entre o aprendiz e sua aprendizagem não uma ponte estática, mas uma ponte 'rolante', que ativamente colabora para que o aprendiz chegue aos seus objetivos. É a forma de apresentar e tratar um conteúdo ou tema que ajuda o aprendiz a coletar informações, relacioná-las, organizá-las, manipulá-las, discuti-las e debatê-las com seus colegas, com o professor e com outras pessoas(interaprendizagem), até chegar a produzir um conhecimento que seja significativo para ele, conhecimento que se incorpore aos seu mundo intelectual e vivencial, e que o ajude a compreender sua realidade humana e social, e mesmo a interferir nela.

A mediação da aprendizagem, nessa perspectiva, põe em evidência o papel de sujeito do aluno e fortalece o seu papel ativo nas atividades que lhes permitirão aprender, bem como renova o papel do professor e permite a entrada de novos materiais nos ambientes de aprendizagem.

Há, portanto, a necessidade de variar as estratégias para envolver o aprendiz, como para responder aos diferentes ritmos e formas de aprendizagem, pois nem todos aprendem do mesmo modo e no mesmo tempo (GARDNER, 2000).

A atuação de alunos e professores tem de mudar nas escolas, e é necessário que elas se envolvam nas transformações globais e locais das sociedades, pois se não o fizerem, certamente ficarão à mercê unicamente do mercado, e esse obrigará que ocorra a mudança que ele determinar.

Hoje verifica-se, crescentemente, que as sociedades necessitam de pessoas que saibam aprender, desaprender e reaprender. Porém a escola tem papel decisivo nessa situação, pois tem de oferecer condições para que os alunos trabalhem essas habilidades.

Como alerta FREIRE (1975, p.66),

Educadores e educandos se arquivam na medida em que, nesta distorcida visão da educação, não há criatividade, não há transformação, não há saber. Só existe saber na invenção, na reinvenção, na busca inquieta, impaciente, permanente, que os homens fazem no mundo, com o mundo e com os outros.

Se a sociedade necessita de novos profissionais que saibam se inovar continuamente, a escola também precisa se atualizar. Caso contrário, incidirá em contradição performativa. (3)



 

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