Há que se tomar um cuidado especial quando se trata de inovação, pois
toda tentativa de atualização pode esbarrar na superficialidade de
muitos e nas interpretações deformantes de outros, sobre determinadas
teorias e situações. Como pode ser demonstrado nas palavras de Gardner
(2000, p.102):
(....) Meu ponto de ebulição foi atingido quando vi um quadro em que
grupos étnicos e raciais da Austrália eram listados ao lado da
inteligência específica atribuída a cada um (bem como da deficiência
intelectual correspondente). Esta gritante estereotipação racial e
étnica contrariava diretamente meu conhecimento científico e ofendia
minha ética pessoal. Juntamente com outros críticos, fui a um
noticiário de televisão e denunciei o programa educativo. É um alívio
saber que depois o programa foi eliminado do currículo estadual.
Assim posto em brios identifiquei uma série de mitos sobre as inteligências múltiplas (...)
Portanto, a mediação passa pela atualização, e pela competência. Há a
necessidade de se conhecer o que deve ser substituído, mas, mais ainda
o que será o substituto, para que não se fique apenas na
superficialidade, ou, pior ainda, na deformação das situações que foram
propostas.
4. A Motivação e o Aluno O
tema motivação ligado à aprendizagem está sempre em evidência nos
ambientes escolares, impelindo professores a se superar ou fazendo-os
recuar, chegando à desistência nos casos mais complexos. Porém ela tem
um papel muito importante nos resultados que os professores e alunos
almejam.
A motivação pode ser entendida como um processo e,
como tal, é aquilo que suscita ou incita uma conduta, que sustenta uma
atividade progressiva, que canaliza essa atividade para um dado sentido
(BALANCHO; COELHO, 1996).
Nesse mesmo caminho, vai NOT
(1993), quando afirma que toda atividade requer um dinamismo, uma
dinâmica, que se define por dois conceitos: o de energia e de direção.
No campo da psicologia, esse dinamismo tem sua origem nas motivações
que os sujeitos podem ter.
Hoje já se sabe que a motivação
é algo visceral, um sentimento, ou se tem ou não se tem. Isso não quer
dizer que não se possa fazer nada para que as pessoas consigam
vivenciá-la.
Cabe, aqui, fazer uma diferenciação entre interesse e motivação.
As coisas que interessam, e por isso prendem a atenção, podem ser
várias, mas talvez nenhuma possua a força suficiente para conduzir à
ação, a qual exige esforço de um motivo determinante da nossa vontade.
O interesse mantém a atenção, no sentido de um valor que deseja. O
motivo, porém, se tem energia suficiente, vence as resistências que
dificultam a execução do ato.
Quantas vezes o professor
prepara uma atividade que ele achou que prenderia a atenção de seus
alunos, que os levaria adiante, que os faria buscar as informações que
eram necessárias, porém, ao executá-la, não conseguiu o envolvimento
que esperava deles.
Nem sempre os alunos percebem o valor
dos trabalhos escolares, pois, muitas vezes, não conseguem compreender
a relação existente entre a aprendizagem e uma aspiração de valor para
a sua vida. O que faz com que eles não se envolvam no trabalho.