Opinião do leitor Olímpio Rudinin Vissoto Leite* sobre a seleção para as universidades
O ensino brasileiro vive vários
dramas estruturais, tais como "ensino profissionalizante", "cotas para
negros ou pobres", "qualidade de ensino na rede pública", etc.
Um drama que quase não é comentado atualmente, pois já foi
desgastado com o tempo, é sobre os conteúdos escolares. Já chegamos no
século XXI e, em nossas salas de aula, continuam os "programas" quase
iguais a um século atrás! Então, qual é a saída?
Ora, o vestibular norteia o Ensino Médio, que, por sua vez,
norteia o Ensino Fundamental. Mas, que vestibular, se são realizados
anualmente centenas deles.
Tudo começa com um erro, a meu ver, da interpretação da "lei"
autonomia das universidades. A autonomia das universidades significa
independência de decisões internas. Agora, a decisão da barreira de
entrada, chamada de vestibular, não pode ser de cada universidade, pois
essa barreira orienta o ensino básico brasileiro. Basta pensar um pouco
para entender o drama que os professores vivem em sala de aula,
principalmente no Ensino Médio: por que lecionar tal assunto, em geral
"decoreba"? Só porque "cai" num vestibular. Veja que nem podemos dizer
no vestibular, pois cada vestibular tem suas características, e são
centenas.
Infelizmente, os tecnocratas do ensino, vivendo em salas luxuosas
em Brasília, não têm coragem de mexer nas estruturas. Ficam apenas
aprovando receitas para impactos de curto prazo, como por exemplo o
caso das "cotas". Quase nada fazem no sentido de caminharmos para uma
efetiva solução. São decisões apenas para enriquecer os discursos para
eleições que se aproximam. Assim, acho que devemos manter acesa a
chama da discussão sobre a estrutura do ensino e lutar para que
possamos sofrer algum tipo de avanço nos conteúdos escolares, tanto nos
temas, como na profundidade deles e na forma de serem cobrados.
* professor de Matemática das Universidades UniSantos e UNISANTA;
diretor financeiro do colégio Universitas (Santos-SP); autor de livros
didáticos (Ed. Ática) e mestrando em Gestão de Negócios. |