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Começando a Conhecer Jean Piaget Imprimir E-mail
Por Maria Elvira Polimeno Valente   
18 de outubro de 2004

ImageDo interesse teórico-prático de explicar o que acontece em sala de aula, surge o objetivo de formar pessoas capazes de desenvolver um pensamento autônomo, com possibilidade de produzir novas idéias e capazes de avanços científicos e culturais (sociais).

Essa formação não deve limitar-se aos aspectos científicos e culturais, mas também a tudo o que concerne a relações interpessoais.

Jean Piaget nasceu na Suíça, em 1896 e morreu em 1980. Epistemólogo (estudou teoria do conhecimento), biólogo e psicólogo. Publicou seus primeiros trabalhos em 1911, aos 15 anos. Seu trabalho mais importante: Epistemologia Genética.

Existem quatro fatores para que se possa construir o conhecimento / afeto:

1 – Maturação biológica;

2 – Transmissão social;

3 – Ação sobre o objeto;

4 – Equilibração:

- assimilação

incorporação de um novo objeto ou idéia ao que já é conhecido, ao esquema que a criança já possui.

- acomodação

implica na transformação que o organismo sofre para poder lidar com o ambiente. Assim, diante de um objeto novo ou de uma idéia viva, a criança modifica seus esquemas adquiridos anteriormente, tentando adaptar-se à nova situação.

Do equilíbrio desses dois processos advém uma adaptação ao mundo cada vez mais adequada e uma conseqüente organização mental.

O desenvolvimento cognitivo controlado por esses fatores, processa-se através de todas as atividades infantis, dirigidas a objetos e situações externas.

Essas atividades compreendem aprendizagens que se utilizam de mecanismos como:

- abstração empírica

diz respeito à informação extraída dos objetos físicos através da observação. Ex.: A criança observa que o ursinho de pano é macio, ,mole e assim por diante. São informações físicas que a criança abstrai através de seus contatos sensório-motores com o ursinho.

- abstração reflexiva

envolve a reflexão sobre relações não observáveis, mas elaboradas na mente. Nasce de um conhecimento lógico-matemático, não depende da observação e sim de inferências e deduções lógicas.

Todo ato inteligente é acompanhado por sentimentos (de interesse, de prazer, de esforço) que fornecem a energia que ativa o crescimento intelectual. A emoção torna a inteligência dinâmica. Portanto toda a ação envolve um aspecto estrutural ou cognitivo e um aspecto energético ou afetivo.

A inteligência fornece a estrutura para a ação. Os sentimentos fornecem a sua dinâmica e são independentes.

Cada homem é agente de seu processo de desenvolvimento, deve-se portanto propiciar condições de ser ativo construindo a sua interação com o mundo. Na escola, só a metodologia ativa tornará isso possível.

O ensino deve ser facilitador do processo de desenvolvimento, nem um acelerador nem um entrave. Deve-se se conhecer o processo de desenvolvimento para propor problemas que o indivíduo compreenda; resolvendo-os o indivíduo atingirá níveis gradualmente mais elevados de desenvolvimento que o habilitarão a aprendizagens mais complexas. Assim se dá a interação entre os processos de aprendizagem e desenvolvimento.

Não é suficiente conhecer a resposta dos alunos a uma situação problema. È necessário proceder-se a uma análise dos processos mentais que levam a essas respostas. Pedir ao aluno que verbalize o caminho que percorreu pode ser um bom auxílio para esta compreensão.


PROCESSO DO DESENVOLVIMENTO

I – Período da Inteligência Sensório-Motora

Baseada na motricidade física e na percepção, assim dividida:

1 – exercícios reflexos (de 0 a 1 mês);

2 – primeiros hábitos ou condicionamentos (reações circulares primárias ou relativas ao próprio corpo – de 1 a 4 meses);

3 – primeiras coordenações (visão-preensão) e primeiras reações circulares secundárias (relativas aos objetos manipulados), coordenação dos espaços (visual, auditivo, bucal, etc. – de 4 a 8/9 meses);

4 – uso de meios para obter um fim (coordenação dos esquemas secundários), primeiros sinais da "permanência do objeto" (de 8/9 a 11/12 meses);

5 – descobrimento de novos meios (descoberta), permanência do objeto, uso de instrumentos para atingir um fim, grupo prático dos deslocamentos (de11/12 a 18 meses).



II – Período de Preparação e Organização das Operações Concretas (classe, relação e número)

1 – das representações pré-operatórias (desenvolvimento da função semiótica: imitação e jogo simbólico). Desenvolvem-se os mecanismos simbólicos: linguagem, desenho, imitação, jogo simbólico, dramatização, etc. .

1.1– pensamento simbólico – imitação;

1.2 - configurações estáticas e reconhecimento e representação do real (período intuitivo);

1.3 - regulações representativas articuladas; início das conservações: substâncias, peso, volume, distância, velocidade, correspondência, etc..

2– das operações concretas (lógico e infralógico). È o período da organização do real segundo "agrupamentos" estruturados pela mente (classificações, seriações, tábua de dupla entrada, árvores, simetrias, etc.).


III – Período das Operações Formais

Neste nível de desenvolvimento, a criança (no caso o adolescente) encontra-se com os processos formais de raciocínio (processo hipotético– dedutivo – indutivo, lógico – formal ou lógico-matemático).

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BIBLIOGRAFIA

CARRAHER, T. N. e REGO, L. L. B. – O realismo nominal como um obstáculo na aprendizagem da leitura. In: Caderno de Pesquisa 39. Fundação Carlos Chagas. São Paulo, 1981.

CARRAHER, Terezinha e SCHLIEMANN, David, Analuci – Na vida dez, escola zero – São Paulo: Cortez, 1985.

FERREIRO, Emília e TEBEROSKY , Ana – A psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985.

PIAGET, Jean – A construção do Real. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.

PIAGET, Jean – A epistemologia genética. Petrópolis: Vozes, 1972

PIAGET, Jean – A tomada de Consciência. São Paulo: Ed. Melhoramentos/USP, 1977.

RUSSO, Maria de Fátima e VIAN, Maria Inês Aguiar – Alfabetização: um processo em construção. São Paulo: Saraiva, 1993.

D'AMORIM, Maria Alice Magalhães/Piaget, Jean – Seis estudos de psicologia – São Paulo: Forense Universitária, s/d.

 

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