Em decorrência
dos avanços das pesquisas neurológicas e estudos realizados por
neurocientistas, é curioso conhecer o funcionamento do cérebro e sua
plasticidade, que, mesmo sofrendo traumatismos, tem condições de
reconstituir-se na busca da construção do conhecimento humano.
Afirmam os pesquisadores que o cérebro é uma entidade material
localizada dentro do crânio, que pode ser visualizado, tocado e
manipulado. E ainda que é composto de substâncias químicas, enzimas e
hormônios, podendo serem medidos e analisados. Seu funcionamento
depende de neurônios, os quais consomem oxigênio, trocando substâncias
químicas através de suas membranas. Pesquisas recentes mostram que o
crescimento de novos neurônios, ou seja, "neurogênese", também acontece
no hipocampo, uma região do cérebro fortemente ligada à memória e a
aprendizagem humana. Segundo a Dra. Henriette Van Praag, do Instituto
Salk (San Diego, Califórnia, Estados Unidos), os ambientes enriquecidos
e estimulados com recursos materiais, prática de exercícios físicos e
uma boa nutrição influenciaram no desenvolvimento da memória e na
aprendizagem. Pesquisas médicas atestam que o desenvolvimento do
cérebro ocorre mais rápido nos primeiros anos de vida da criança. O
desenvolvimento sadio do cérebro atua diretamente sobre a capacidade
cognitiva. Quando ativado para funções como a linguagem, a matemática,
a arte, música ou atividade física que facilitam para que as crianças
desenvolvam seu potencial e sejam futuros adultos inteligentes,
confiantes e articulados.
Experiências realizadas com ratos pela Dra. Marian Diamond,
neuroanotomista americana, demonstram que os animais criados em gaiolas
cheias de brinquedos tais como bolas, rodas, escadas, rampas, entre
outros, desenvolveram um córtex cerebral com um maior número de células
nervosas. Embora ainda não existam evidencias diretas, como os
experimentos realizados com ratos, presume-se que o mesmo acontece com
os seres humanos.
De acordo com as pesquisas realizadas, afirma-se que o cérebro
divide-se em dois hemisférios e que o temperamento de cada pessoa tem
relação direta com a utilização desses hemisférios. As pessoas que
apresentam o lado esquerdo mais desenvolvido são tendentes a usarem de
forma adequada a lógica, a matemática possuindo habilidades para
planejar e organizar suas ações. Já que é o lado mais intuitivo do
homem. Por isso são introspectivas, amorosas, delicadas e mais
racionais.
O lado direito do cérebro é responsável pela imaginação criativa, a
serenidade, a capacidade de síntese, a facilidade de memorizar. As
pessoas que utilizam mais esse lado do cérebro possuem habilidades para
analisar esquemas e técnicas em oratórias.
Para que a memória funcione adequadamente no processo de informação, se
faz necessária a busca da integração entre os dois hemisférios,
equilibrando o uso de nossas potencialidades. Como se processam muitas
informações diárias, o cérebro acaba seletivo, guardando apenas
informações que o impressionem, desenvolvendo a capacidade para fixação
dos fatos.
Manter ativada a atenção é de suma importância, visto que, normalmente, o ser humano distrai-se com facilidade.
Alguns pesquisadores sugerem que se recorra à música, pois o uso de uma
música apropriada diminui o ritmo cerebral, contribuindo para haver uma
equilibração no uso dos hemisférios cerebrais. Enfatizam ainda que a
música barroca, especialmente o movimento "largo" propiciam um bom
aprendizado.
Diante dos estudos realizados pelos pesquisadores conclui-se que se
torna necessário estimular as áreas do cérebro objetivando auxiliar os
neurônios a desenvolverem novas conexões; educar as crianças desde a
mais tenra idade em um ambiente enriquecedor, estimulando a linguagem
falada, cantada, escrita criando um clima estruturado com afetividade
diversificando positivamente as sensações, com a presença de cor, de
música, de interações sociais, e de jogos visando o desenvolvimento de
suas capacidades cognitivas e memórias futuras, favorecendo assim o seu
processo de aprendizagem.
Nesse sentido observa-se que devido às inúmeras pesquisas desenvolvidas
sobre o cérebro no processo de aprendizagem, se verifica que cada
indivíduo possui diferentes potenciais de inteligência. E que ela não é
fixa, já que todo ser humano possui habilidade para expandir e aumentar
sua própria aprendizagem. Segundo Rogers, o aluno deve ter desejo de
aprender e o professor, como o facilitador do aprendiz, deverá ser o
motivador da aprendizagem. Apreciando, escutando e respeitando o
estudante, criando um estabelecimento de vínculo positivo confiando na
capacidade de crescer e aprender do aluno.
Por fim, a escola tem um importante desafio, que é o de aproveitar o
potencial de inteligência de seus alunos para conquista do sucesso no
processo de aprendizagem. Os professores são os principais agentes, por
meio do desenvolvimento de projetos de interesse para a realidade do
ensino e aprendizagem. Quando compreendem que aprendizagem envolve
cérebro, corpo e sentimentos, adotam uma ação mais competente, levando
em conta a influência das emoções para o desenvolvimento na construção
do conhecimento. Já que, segundo Eric Jensen, somos mais seres
emocionais do que seres cognitivos.
Mara Musa Soares Silveira é graduada
em Filosofia com Especialização em Psicopedagogia Clínica e
Institucional. E-mail:
Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo
Referências Bibliográficas
GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional. Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 1998.
MORGAN, Clifford T. & Deese, James. Como Estudar. 3ª Ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos.
ARANHA, Maria Lúcia Arruda. Temas de Filosofia. Editora Moderna, São Paulo, 1992.
PIAGET, Jean. O Nascimento da Inteligência na Criança. Editora Zohar, Rio de Janeiro, 1970.
ESLINGER, Paul. J. Desenvolvimento do Cérebro e Aprendizado.
Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo
GONÇALVES, Berenice. M. Conceitos Básicos Sobre o Processo Ensino Aprendizagem.
Seus sete centros de inteligência e, talvez um oitavo, IN DRYDEN,
Gordon; Vos, Jeannet. Revolucionando o Aprendizado, São Paulo, Makron
Books, 1996.
RAMOS, Cosete. Artigo: Aprendizagem Baseada no Cérebro.
Sites Visitados:
Aprendizagem e Mudanças no Cérebro.
SILVA, Helena Cardoso; Renato M. E. Saldatini.
Neurologia e Aprendizagem.
Associação Brasileira de Psicopedagogia. www.abpp.com.br
|