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As Marcas do Invisível - Propaganda, Infância e Produção de Identidades Imprimir E-mail
Por Rodrigo Saballa de Carvalho   
25 de fevereiro de 2005


Ao lançar uma crítica à “adultização” precoceda infância, a peça publicitária da Malwee utilizou-se da imagem de um menino e  portanto questiona-se: - Por que a escolha de um menino para representar a  pretensa “racionalidade adulta”? Nesta perspectiva  de análise  o  mesmo dispositivo é repetido na  propaganda Oral B Stages pois a figura do menino se contrapõe a imagem das meninas em relação às ações que estão executando. Os meninos apresentados nessa imagem publicitária estão em plena atividade, enquanto um se exercita em argolas fixas o outro toca guitarra, a menina,sorri “docilmente”, exprimindo a sua natural “sensibilidade”.

A tônica das quatro peças publicitárias apresentadas é a marca do que Postman (2000,p121)postula como “marcas do desaparecimento da infância”, através de um olhar que legitima uma confluência de comportamentos para o qual a figura do adulto/criança e da criança/adulto confunde-se como nos primórdios da Idade Média. O conceito de infância se desfaz e refaz através de um movimento cambiante dentro da narrativa instituída pelas campanhas publicitárias .
Postman (2000) vê a infância como vítima da desterriteriolização do sujeito cambiante “pós- moderno” em que  a realidade nem sempre é como se apresenta, nos defrontando com uma cultura do “pastiche”, movida pela mídia. Julga o pesquisador relata: “Quanto à infância, creio que ela deve ser, afinal de contas, uma vítima do que está acontecendo com a realidade da qual fazemos parte” (1999, p.160). As crianças tem suas “identidades” configuradas através da soberania do “mass media” que impele ao consumo, ditando novas formas de ser e perceber o mundo que as rodeia. Olhares de todas as formas se confundem, olhares de crianças, jovens, velhos e adultos que são ampliados pelo poder de persuasão da mídia.Conforme Green (1995, p.230): “os perturbadores olhares das crianças são “ampliados” pelas próteses das novas tecnologias, crianças que existem em algum lugar no espaço delineado pelo humano, pelo pós humano, pelo alienígena”. A publicidade astutamente capta estes diferentes olhares e configura através da marca de sedução uma “infantilização dos adultos e uma adultização das crianças como afirma Postman (1999). Dessa forma “como criaturas  surgidas de baixo da terra, novos sujeitos estão emergindo, novas formas de vida” (Green, 1999, p.228), movimentadas e “operadas” através dos dispositivos midiáticos que interseccionam o ser, o poder e o saber delineados na genealogia do poder foucaultiana Green (1995, p. 213) aponta: “O espectro do pós -modernismo assombra os lugares anteriormente sagrados, agora as fundações tremem, vivemos uma grande incerteza, assim como nossas crianças”. A incerteza, o movimento, a compressão  espaço tempo, a  valorização da linguagem, da subjetividade, as vivências de seres híbridos, que vivem em um mundo high – tech, composto por cyborgues e monstros é a marca de uma nova relação com o mundo no qual evidencia-se as marcas do desaparecimento do conceito de infância.

Computador, celular, e-mail, torpedos, fax ,modem ,vídeo-games, DVD, CD, cyborgues existem e coexistem em um mesmo universo, porém ficam os questionamentos: - Onde andam nossas crianças neste mundo (des)territorializado?  - Será que ainda existem crianças ou temos somente o simulacro de  adultos? - Estes novos/velhos  tempos prenunciam uma nova era da infância?

O que se mantém desde o inicio desta reflexão, permite um traçado  uno/múltiplo que tensiona e problematiza as cenas de nossa vida pós- moderna, buscando compreender do ponto de vista impresso, digital e discursivo os processos de subjetivação da infância através da análise do produto publicitário. As margens estão desconstruídas, não existem verdades, caminhos, imagens capazes de centrar aquilo que há muito tempo já vem sendo destituído de sua essência (VATTIMO,1994). Necessitamos incidir olhares, buscar saídas, tensionamentos e contribuições que acrescentem na troca que estabelecemos com o outro enquanto seres humanos, desvendando essas conhecidas tão desconhecidas as quais ainda ousamos em chamar de crianças.

___________________________
* Rodrigo Saballa de Carvalho é pedagogo, mestrando em educação, pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Currículo Cultura e Sociedade (Neccso) na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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