|
Os desafios do professor diante da perspectiva de formação de cidadãos na nova ordem mundial |
|
|
|
Por Ronald C. Corrêa*
|
|
07 de junho de 2005 |
|
Página 1 de 5
RESUMO: Este artigo desenvolve sua análise percorrendo alguns pontos referenciais que permitem situarmo-nos diante das características próprias da sociedade hodierna e, dentro desta perspectiva de sociedade, chegarmos a um conceito do que representa nela a cidadania, correlacionando este conceito com o trabalho desenvolvido nas escolas pelos professores visando à formação de cidadãos, aferindo até que ponto há convergências no que pretende a escola e o que impõe a sociedade.
Palavras-chaves: nova ordem mundial, cidadania, atividade docente.
O século XX entrará para a história da humanidade como o século dos avanços tecnológicos, científicos, sociais e políticos. Nunca, em tão pouco tempo, a humanidade progrediu de forma tão intensa como fizera nestes últimos cem anos. Grosso modo, pode-se afirmar que todos os aspectos da vida social sofreram influências destes avanços. Decorre deste fato que a sociedade de hoje não é a mesma de algumas décadas atrás, e, por conta disso, é válido concluir que todos os paradigmas sociais até o presente momento edificados devam ser levados à reflexão no intuito de que as tomadas de decisões, de agora em diante, venham ser efetivadas de tal forma que sejam consentâneas para que o desenvolvimento tecno-científico e o desenvolvimento social caminhem pari passo em direção a um pré-determinado ponto de convergência: o progresso humano.
Falar em progresso humano significa falar em fornecer ao homem o ferramental necessário para que ele possa ser sujeito de sua própria história: autor e não inócuo coadjuvante desta. Este fato nos remete, inevitavelmente, ao conceito de cidadania, que por sua vez só pode ser concebido sob a luz da historicidade à qual se encontra enlaçado. Vê-se, pois, que o conceito de cidadania, ainda que guarde um núcleo geral (a idéia de participação ativa do individuo na realidade social da qual faz parte), guarda também especificidades que emergem do momento histórico ímpar a que se encontra vinculado.
Dentro deste panorama histórico-social, encontram-se imiscuídas as mais variadas instituições sociais, e, por conseguinte, a escola. É de comum conhecimento que a escola, enquanto instituição formal responsável pela Educação, é um momento da realidade social pela e para a qual deve direcionar seus objetivos - concebendo-se aqui a Educação como uma atividade mediadora no seio da prática social voltada para a fomentação da cidadania. Visto que os valores e a própria realidade social passam por toda uma reorganização nos seus mais variados aspectos, é lúcido afirmar que a escola também urge por repensar os seus objetivos e reestruturar-se, ou, caso contrário, incorrerá sob o pesado ônus do anacronismo.
É também de comum conhecimento que quando se fala em mudanças na escola a primeira figura em que se pensa é na do professor. Fato este que encontra certa procedência, haja vista que é ele o individuo que, juntamente com o aluno, opera o processo que legitima a escola tal como se encontra configurada no seio da sociedade vigente, ou seja, como local específico de consubstanciação do processo ensino x aprendizagem, de socialização do saber e de acesso à cidadania. De antemão, cabe aqui se frisar que se tem ciência de que o papel do professor e do aluno não se esgota na efetivação de tais processos. Ainda assim, valendo-se do tirocínio acima, percebe-se que a necessidade de se repensar a prática docente – que já vem sendo posta em evidencia há algum tempo - torna-se a pedra angular sobre a qual deve-se centrar as atenções num primeiro momento. Momento este que não se esgota em si mesmo, mas que seria antes, a força motriz para o desencadeamento de outros que, em suma, visariam um amplo questionamento sobre a situação educacional em suas micro e macro relações.
<< Início < Anterior 1 2 3 4 5 Próximo > Fim >> |
|