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Os desafios do professor diante da perspectiva de formação de cidadãos na nova ordem mundial Imprimir E-mail
Por Ronald C. Corrêa*   
07 de junho de 2005


A nova ordem mundial e o conceito de cidadania

Tal como referido acima, a sociedade atual em menos de trinta anos reconfigurou-se de tal maneira e com inverossímil velocidade que sua conceitualização torna-se algo complexo, senão apriorístico. Não por menos, a classificação que atualmente se alcunha à mesma varia de acordo com os autores e suas linhas ideológicas: pós-moderna para os acólitos do neoliberalismo; pós-história para Fukuyama e seus prosélitos; sociedade do conhecimento para a escola alemã de Offe, Schaff e Kurz; sociedade da informação para Imbernón, Flécha e alguns representantes da recente intelectualidade espanhola e etc.

Vê-se ainda que, mais do que uma crise do conceito de paradigma social, “está-se diante de uma crise do conceito de crise de paradigma” (PLASTINO in BRANDÃO, 2001, p 30).

Nunca somos totalmente contemporâneos de nosso presente. A história avança mascaradamente: entra em cena com a máscara da cena precedente e já não reconhecemos nada da obra               ( DECLOY apud IMBERNÓN, 2000, p. 78).
 
É lúcida, entretanto, a ilação de que esta mesma sociedade, ainda que opacizada pelo véu do presente, deixa alguns traços do seu arcabouço maior, que se configuram como contributos à sua compreensão. Vale dizer ainda neste trabalho que as denominações sociedade atual, sociedade hodierna e nova ordem mundial se equivalem.

Vive-se hoje o que muitos afirmam ser o ápice do sistema capitalista. Com efeito, após a queda muro de Berlim (símbolo maior da cisão entre os mundos capitalista e comunista) há pouco mais de dez anos passados, o capitalismo se enrobusteceu e avançou desenfreadamente por todo o globo. Sobrepujou fronteiras nacionais, transformou culturas e costumes dos mais longínquos recôncavos e vendeu a idéia de “prosperidade = abertura de mercado para todos os povos”.  Transformou algumas características locais em valores globais, exercendo um violento colonialismo cultural disfarçado de mundialização da cultura.

Nunca, em toda história, o homem consumiu tanto, e nunca tantos homens viveram na escassez. Como afirma Laymert Garcia dos Santos, o capitalismo tornou-se um sistema em que a carência é o motor principal; não só a escassez material dos pobres, mas também, e, sobretudo,

...a carência por necessidade que move o impulso do consumidor no ocidente. Como se a miséria material do pobre correspondesse à miséria libidinal dos ricos, habilmente manipulada pelas forças do mercado (SANTOS, 1999, p. 06).
 
 Vê-se assim, que o que move as pessoas ultimamente é um estúpido e efêmero sentimento de profundo gozo pelas coisas aparentes, despido de qualquer preceito ético na busca da realização de tal gozo. Um exacerbado hedonismo leviano que suscita e estampa a esfacelada face do homem do início de século XXI.

O Estado, cada vez mais, empurra à iniciativa privada aquilo que se constituiu historicamente como sendo de sua incumbência, e, nesta perspectiva, questões como os serviços de saúde, segurança e educação, entre outros, são sumariamente assimilados pelos “homens de negócio”, para usar a expressão de Frigotto.

Nesta conjectura, surge um novo tipo de cidadania, que, diferindo-se da definição liberal que segundo Gadotti é “apenas um produto da solidariedade individual da gente de bem entre as pessoas e não uma conquista no interior do próprio Estado”, caracteriza-se pelo aspecto pragmático e imediatista que coincidem com o contexto social extremamente competitivo que emerge do momento histórico atual.

Existe hoje uma concepção consumista de cidadania sustentada na competitividade capitalista. Ela se restringe ao direito do cidadão de exigir a qualidade anunciada dos produtos que compra. Seria uma cidadania de mercado (GADOTTI, 2000, p. 75).



 

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