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Por Duglas Wekerlin Filho
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22 de julho de 2005 |
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Página 1 de 3 RESUMO: Neste artigo faço uma reflexão sobre a emoção virtual a partir de dois e-mails recebidos de duas leitoras que ao lerem os textos que estão no portal Conteúdo Escola não se contiveram e escreveram-me tecendo comentários a partir da emoção que sentiram.
São dois momentos diferentes, uma estava passando a sua vida a limpo e a outra percebeu que os sentimentos dela são compartilhados por outros professores.
PALAVRAS-CHAVE: emoção, professora, virtual.
Em março e abril de 2005 recebi dois e-mails que me marcaram profundamente e que agora vou retomá-los para que possamos discutir a emoção nos ambientes presenciais ou virtuais.
Primeiramente vejamos o e-mail da leitora A de março de 2005. Ela leu o texto escrito por mim cujo título é: ESCUTAR A SI PRÓPRIO.
Olá...acabo de ler seu texto e quero parabenizá-lo pelas palavras. Vi minha imagem refletida em muitas dessas situações que você destacou e sinto o peso dessa frase em minha alma: “vemos guerra, ódio, indiferença, desamor, inquietude que aprisiona, medo, medo de nos sentirmos sós, sós com nossos sofrimentos.” Sofrimentos esses que estou aprendendo a lidar, conhecendo e tentando resolver. Não tive respostas prontas onde procurei, soluções e sossego para todas as dúvidas que vejo em minha mente... mas no seu texto encontrei algo mágico que muito me ajudou. Muito obrigada!
Quantas vezes já ouvi as pessoas falarem que o ensino virtual é desprovido de emoção e por isso não deveria ser utilizado.
Será que os ambientes virtuais não permitem que haja interação entre as pessoas? Será que na formação da rede não há ações que demonstram que há cuidado entre as pessoas envolvidas nesse processo.
Será que a leitora A já estava imersa numa profunda emoção ao chegar em nosso portal e ler o artigo que lá estava disponível? Muitos podem dizer que ela já estava predisposta a vivenciar emoções porque estava inquieta, estava passando a limpo a sua vida.
Certamente ela já carregava uma série de situações que fazem parte da ontogênese dela, ou seja, da história dela enquanto ser vivo.
A partir do que leu, ela descobriu dentro dela algo para aliviar o seu sofrimento, algo que pudesse servir para refletir o seu dia-a-dia. Foram emoções e ações de dentro para fora (Maturana, 1997).
Somos produtos e produtores das situações que nos acompanham diariamente, pois somos parte da sociedade e também pertencemos ao todo da civilização humana.
Temos “forças virgens” que muitas vezes nos fazem chegar aonde pensávamos não mais podermos. É a resiliência que toca profundamente, ou ainda, como diria Torre (2003) é a criatividade paradoxal. Aquela que aparece em carência e não em potência, mas que não é menos importante que a outra.
A leitora A estava à procura de algo que pudesse aliviar a alma e o corpo dela e não encontrava. Será que ela não encontrou pessoas? Ou será que as pessoas disseram apenas o todo mundo fala. Ficaram nas receitas, nas palavras “professorais” tentando demonstrar o que está certo ou errado.
A magia brotou da interação dela com o texto. Ela conseguiu perceber a importância do acolhimento. O texto está imerso no amor, sendo essa é a emoção reivindicada como fundadora de nossa espécie por Maturana (1997).
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