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Página 1 de 6 O texto apresenta algumas observações sobre a forma de ensino de produção de texto nas escolas, a visão que os professores têm do assunto, bem como a maneira de se operar didaticamente com essa prática de ensino dentro da sala de aula.
Gilmar J. Fava
RESUMO: O texto apresenta algumas observações sobre a forma de ensino de produção de texto nas escolas, a visão que os professores têm do assunto, bem como a maneira de se operar didaticamente com essa prática de ensino dentro da sala de aula.
ABSTRACT: THE text presents some observations on the form of teaching of text production in the schools, the vision that the teachers have of the subject, as well as the way to operate didactically inside with that teaching practice of the classroom.
KEYWORDS: A produção do texto; O papel do professor na sala de aula.
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0 INTRODUÇÃO
Tem-se como relação de texto escrito um conglomerado de informações que são complexos dentro de suas especificidades quando se avalia esse texto na modalidade oral ou na modalidade escrita. Bem disse Kato (1995) não são mais ou menos complexas, dada a complexidade de cada uma em seu nível especificamente, porém não se pode deixar de lembrar que tanto a modalidade oral quanto a escrita têm aspectos que influenciam na produção de texto e por vezes nem se dá conta dessas influências, pois se vê sempre apoiados na norma da língua escrita - a gramática – para a análise dos textos dos alunos.
Embora seja o espaço de uma escola bem estruturado quanto à engenharia de construção civil, normalmente deixa a desejar quanto à estrutura de apoio pedagógico, de ambientes tecnológicos, de espaços de pesquisa e leitura – biblioteca – com pouco acervo para a pesquisa e a maioria dos livros são didáticos e de uso em sala de aula, doados por docentes e pessoas da comunidade. É necessário que os docentes estejam conscientes de suas ações, enquanto profissionais que ministram conhecimentos, porque muitas vezes o que se fala em sala de aula é o que se registra para sempre, e pensando nessa maneira de como se fala e o que se fala em sala de aula é que se faz aqui alguns comentários que poderão ser úteis para o exercício docente.
1 Os professores e suas ações nas aulas de produção de texto através da abordagem da pesquisa
A reflexão teórica sobre a formação de professores e sua importância na emancipação política, enquanto garantia do exercício da profissão, entende-se que se deve à prática da pesquisa e na formação docente, tornando-se relevante uma participação que pretende formar alunos e professores críticos acerca das suas realidades sociais. É Através da pesquisa que se pode ter a formação de alunos mestres e não apenas de ‘discípulos’ reprodutores e transmissores de conhecimento, afirma Demo (1997:15), onde a formação de alunos discípulos que se tende a construir é, segundo o autor, "alguém subalterno, tendente à ignorante, que comparece para escutar, tomar nota, engolir ensinamentos, fazer provas e passar de ano". Vê-se que a reflexão sobre a prática pedagógica docente é uma das tentativas para se construir uma sociedade com maior eqüidade social, levando-se em consideração o tempo que se vive no tradicionalismo do processo educacional.
As concepções tradicionais de educação que entendia o aluno como tábula rasa Demo (1997), sem nenhum conhecimento prévio sobre o assunto, a falta de pré-conhecimento a ser preenchido com um conjunto de conhecimentos testados através de provas e exames periódicos, o aluno é visto às vezes como um ser passivo e com poucas chances de aumentar o seu saber, não permitindo que esse possa ver o mundo com os próprios olhos e que possa ter discernimento crítico adquirido na escola. Entende-se que a didática tradicional tornou-se incapaz de lidar com as mudanças que a sociedade se depara e mais difícil ainda foi trazer a realidade e a necessidade da sociedade para dentro da escola, que em decorrência dessas, tivemos na década de 80, no século passado, concomitante com a crise do estudo da gramática tradicional, ações nas áreas da pesquisa em ensino da linguagem.
As abordagens relativas ao ensino da linguagem estiveram voltadas para questões do tipo: como ensinar? Quais os elementos que compõem a prática pedagógica docente no ensino de língua materna? A questão maior era como explicar e não mais observar e descrever, cujo fato não aconteceria de maneira uniforme, uma vez que ainda se tem, hoje em dia, docentes preocupados apenas com a descrição.
Nesse novo cenário que aos poucos vai se delineando é que se tem a valorização da pesquisa no ensino ligada à prática pedagógica do ensino de língua materna, pois se acredita que o repensar de nossas ações, leva-nos diretamente à pesquisa dessa prática, cujo esquema pode contribuir para uma melhora efetiva do ensino de língua materna na escola. O problema decorre de que o esquema de prática pedagógica, pesquisa e novamente prática, porém transformada, esbarra numa situação bastante séria que é o incentivo à pesquisa que pode melhorar a qualidade intelectual do professor.
A melhor maneira para que o professor alcance qualidade intelectual de se desenvolver e as suas atividades, essa é a pesquisa. “Não é ato isolado, intermitente, especial, mas atitude processual de investigação diante do desconhecido e dos limites que a natureza e sociedade nos impõem" (DEMO, 1977). A pesquisa deve ser entendida como meio de se obter uma capacidade de elaboração própria, que deve estar presente na atitude diária do professor e a pesquisa possa ser entendida como sendo um diálogo inteligente com a realidade, vendo-a como um comportamento e ferramenta cotidianos do professor.
A posição de um professor atuante e inovador não permitem que esse professor seja um mero ministrador de aulas, mas exige dele constante atualização e uma atuação coerente com a sua realidade. Dentre os mais diversos itens que se poderia estar aqui enumerando, compreendo que a pesquisa se torna importante nesta formação por começar a incentivar os futuros professores a estarem pesquisando sobre os problemas que enfrentam em sala de aula, como indisciplina, métodos de avaliação, dentre outros, por contribuir com o entendimento acerca da realidade, tanto do aluno como do professor e por promover uma emancipação intelectual e política tanto do professor quanto do aluno, entendendo-se essa emancipação como meio de recuperar o espaço próprio que outros usurparam. Para que o professor possa emancipar seu aluno é necessário que antes ele procure se emancipar, motivando os alunos a uma forma mais eficaz na produção de texto, que se passa a discutir a partir de então.
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