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Têm-se como objetivo entender a linguagem como o meio em que o homem existe e age e os vestibulares podem ser o termômetro desta problematização, deixando claro que o ensino continua centrado em regras, adoção de livros didáticos como prescrição e guia de conduta, e que a formação de professores é deficitária, mas caminha-se para a mudança desse sentido, procurando levar o maior número de informações possível para que os professores, através de cursos de formação continuada, artigos e periódicos que são disponibilizados nas escolas vejam esses as inovações na área de linguagem, embora essa ação demonstre uma grande resistência por parte de professores que se limitaram aos ensinamentos no curso de graduação de maneira a passar o conhecimento de forma mais tradicionalista, ou seja, pela norma da língua – a gramática.
O tradicionalismo dos métodos é a ‘solução’ imediata, já que a noção de liberalidade é pouco eficaz. O texto literário como padrão, como prescrição, não pode ser a única forma de se conferir ao texto escrito do aluno algum valor enunciativo. O desenvolvimento de temas com base do trabalho didático e com idealismo do aluno guiado, não incitado ou motivado ao aprendizado, somente para ter uma avaliação centrada na correção gramatical e nos mecanismos textuais na forma de regras ou rotinas, não deve ser considerada definitiva e reguladora.
A comunicação é o centro do processo de produção. Todos escrevemos, falamos, gesticulamos impulsionados pelo desejo de nos comunicarmos. Trabalhamos diariamente com signos verbais e não-verbais que colaboram não só para o desenvolvimento de nossas funções e expressões intelectuais, mas também no desenvolvimento de funções sociais. A construção desse processo de produção que insere a todos em uma esfera (inter) pessoal, onde sempre se vê em interação com o outro, uma enorme tessitura de comunicação e não como atos isolados de fala sem que se tenha a interação verbal como meio de se expandir essa comunicação, cujo trabalho deve ser integrado e que se passa a falar a partir de então.
4 Tipologias textuais: o tradicionalismo rompido pela categoria produção de texto – um gênero.
Um trabalho que respeite as diferenças do tradicionalismo e proporcione ao aluno uma melhor distinção das tipologias textuais e complexidades das produções escritas são extremamente necessárias. Um espaço onde é permitido, sobretudo, errar; um espaço onde a imaginação e a criatividade poderão brotar sem resistências; um lugar para intervir, construir e compartilhar levando-se sempre em consideração que o ponto de partida para esses estudos de hoje foi o que se denominava – erro – ontem.
Várias são as discussões em torno do processo de interação verbal e do gênero discursivo verbal e tais discussões podem ser entendidas como o produto ou a manifestação da atividade lingüística de um falante em relação ao(s) outro(s) falante(s), quando se trata de um contexto de interlocução. Uma interação lingüística se estabelece e se torna significativa em função de diferentes fatores que condicionam essa produção e é possível se observar essa situação quando:
O reconhecimento da importância da dimensão pragmática da linguagem não implica a negação de suas dimensões semântica e gramatical. Implica, sim, o compromisso com a concepção de que a enunciação é o modo fundamental de existência da linguagem: cada processo enunciativo envolve a mobilização e o processamento, pelo sujeito, de conhecimentos relativos (...) e requer sua elaboração específica em função das circunstâncias particulares daquela enunciação, num trabalho pessoal de produção e sentido. (COSTA VAL, 1999:7)
Pode-se perceber claramente que a seleção do uso das palavras está vinculada às circunstâncias particulares da enunciação e é esse o momento em que o aluno tem a preocupação e o cuidado no uso dessas palavras, pois se estabelece uma relação entre a oralidade e a escrita nas produções de texto elaboradas por ele.
Essa relação entre a oralidade e a escrita somente poderá ser discutida se levarmos em consideração a questão do gênero discursivo narrativo oral e do discursivo narrativo escrito, onde “A gênese do discurso narrativo escrito se sustenta no pressuposto de os discursos orais e escritos, embora parcialmente isomórficos, guardando especificidades que os tornam tipicamente diferentes” (COSTA VAL, 1999:7). As diversidades que essas considerações guardam devem ser interpretadas como relações de intersecção de objetivos e estilos entre os discursos orais e os escritos que não implica negar as distinções básicas entre o funcionamento oral e escrito da linguagem e que não impedem que se fale exatamente como se escreve ou que se escreve exatamente como se fala.
Em todo esse processo, em se tratando de escrita, encontramos em Costa Val (1999:20) o legado de que se precisa, quando a autora diz que:
Meu objetivo é compreender como, no processo de construção da escrita, os sujeitos, vivendo no ‘mundo da oralidade’, foram compondo uma teoria sobre o funcionamento e a configuração do discurso narrativo escrito que o distingue tipicamente do discurso narrativo oral, assumindo o pressuposto de que o domínio da modalidade oral da língua (o processamento lingüístico do discurso oral em função de suas condições de produção) é a base sobre a qual se assenta o processo de ‘aquisição’ e desenvolvimento dos conhecimentos necessários à interação lingüística mediada pela escrita.
Basta que se observe a produção escrita dos alunos para que se possa entender que há um cuidado excessivo com o uso das palavras quando se trata de produção escrita em um ambiente de sala de aula, havendo o monitoramento e a influência do professor. Não se pode negar que é na escola o lugar e o ambiente em que se deve ensinar o uso de língua materna, quer seja na sua forma de oralidade ou de utilização da norma escrita, mas não se pode interferir nesse processo com a única arma que se pensa ter – a norma estabelecida pela gramática.
A respeito da fala e da escrita não se pode abandonar a tese de que essas duas modalidades são pertencentes ao mesmo sistema lingüístico, maneira pela qual sempre se vê nos teóricos uma posição mais definida. Ao se tratar de fala e de escrita é preciso lembrar que se está trabalhando com duas modalidades pertencentes ao mesmo sistema lingüístico, o da língua portuguesa, com ênfase diferenciada nos determinados componentes desse sistema. Desse modo, aquilo que se poderia considerar distinção corresponde às diferenças estruturais (FÁVERO, 2002:69)
São essas distinções que fazem a diferença nos modos de aquisição, nas condições de produção escrita, transmissão e recepção, bem como nos meios em que os elementos estruturais são organizados. Nessa linha de idéias, encontra-se a escrita essencialmente como um processo mecânico, sendo necessária a manipulação de um instrumento físico e a coordenação consciente de habilidades específicas tanto motoras como as cognitivas. Assim, a escrita é completa e irremediavelmente artificial, enquanto a fala é um processo natural, fazendo uso de meios chamados órgãos da fala (Akinnaso, 1982, p.113 apud FAVERO, 2002:69) embora também se encontrem hoje autores que defendem a escrita reflexiva consciente.
Alguns pesquisadores têm se preocupado com esta questão e se nota que há isomorfia na questão de relação entre a fala e a escrita considerando-se que as modalidades diferem em suas formas e estruturas.
Lingüistas do século XXI continuam priorizando a língua falada em detrimento da escrita, com argumentos objetivos: a língua oral precede a escrita; a criança desenvolve a fala e só depois aprende a escrever; sujeitos, de modo geral, mesmo os mais cultos, falam mais do que lêem e escrevem, talvez resquício de todo um processo histórico.
Mesmo assim, a língua escrita é um objeto social por excelência. Ela possui seus dicionários, suas gramáticas, suas enciclopédias – uma espécie de biblioteca que orienta o ensino na escola e a vida em todas as instituições. Socialmente, aliás, estabelece-se uma imensa distância entre a voz e a letra, o que serve para hierarquizar os sujeitos. Apesar disso, há uma tendência a considerar a escrita como transposição gráfica (visual) da linguagem oral.(JUNKES, 2002:81)
Com relação à oralidade, observa-se que há informação bastante isomórfica levando-se em conta a colocação de Junkes (2002) e Fávero (2002) em que as autoras ressaltam a opinião de Givón de que a língua escrita é uma transposição da oral e é indiscutível que ela tem relações ‘genéticas’ com a fala e os princípios fundamentais de funcionamento da língua falada, dentre outros, verificando que a língua falada não possui uma gramática própria; suas regras de efetivação é que são distintas em relação à escrita havendo maior liberdade de iniciativa por parte de quem fala, criando-se então um contrato social entre o locutor e alocutário. A diferença entre a fala e a escrita não se esgota em tão pouco espaço de tempo e nem tem seu aspecto mais relevante no problema de representação física da grafia e do som, já que entre a fala e a escrita o ponto médio é os processos de construção que são diversos (MARCUSCHI, 1993:4).
Nesse mesmo viés, Junkes (2002:82) observa que algumas considerações são pertinentes quando a autora diz que “Se a fala obedece às imposições de ordem funcional, a escrita precisa, além disso, obedecer às convenções e normas ditada pela gramática tradicional o que, às vezes, pode prejudicar sua funcionalidade”. A isomorfia parcial se houver, nas modalidades oral e escrita da linguagem, é porque essas compartilham do mesmo sistema gramatical e teoricamente comunicam as mesmas coisas estabelecendo-se diferenças fundamentais entre elas. Continua a autora dizendo que “A linguagem escrita tem um processo de planejamento verbal mais cuidadoso: as hesitações, as dúvidas e as pausas também ocorrem no ato de escrever, mas o texto final normalmente não revela essas marcas, isso porque o ‘produto’ já se apresenta ‘desvinculado’ de seu processo – a escrita é mais sujeita a correções prescritivas” (JUNKES, 2002:82)
Na obra de Fávero (2002:70) há informações sobre trabalhos de pesquisadores que se preocupam em fazer a distinção entre a linguagem falada e a escrita observando a escolha do vocábulo e o léxico como método. Vê-se que um dos maiores problemas no ensino de língua materna, com relação à produção escrita, são as significações (polissemia e efeito de sentidos) que as palavras escritas dos alunos geram dentro do texto produzido por eles.
Os efeitos de sentido podem ter conotações que diferem da análise feita pelo professor, daí a importância da análise da produção escrita, levando-se em conta todas as possibilidades de efeito de sentido que essas palavras desempenham dentro da produção escrita, de maneira que o ideal nesse campo de ensino seria a retomada da leitura do texto pelo próprio aluno, tendo esse a oportunidade de poder comentar sobre sua produção e poder fazer os comentários pertinentes para os entendimentos e efeitos de sentido que esses enunciados têm dentro do texto produzido.
Esse é o ponto que se procura esclarecer quando se trata de influência da oralidade na produção escrita do aluno, trabalhando os efeitos de sentido que os léxicos empregados têm e suas especificações sintáticas e semânticas dentro da proposta do texto, no momento em que a produção é escrita pelo aluno. As relações de fala e escrita tendem sempre a ficar no campo das comparações, já que os objetos de análise são bastante variados e podem levar em conta as variações dialetais que têm outros parâmetros de análise, mas interferem na atuação de comunicação.
Há uma perfeita relação na forma como se aborda a comunicação entre falantes, porém essa situação tem sempre como meio de estudo e proposta um jogo de atuação comunicativa como forma de fundamentar uma teoria de texto que possa vislumbrar um conhecimento e uma certa filosofia da linguagem. A respeito dessa relação vê-se que os estudos mais avançados chegam a uma conotação muito mais acadêmica e empírica do que realista e notória. Não se pode deixar de citar Schimidt (1978) em cuja obra se encontra um estudo com o objetivo voltado para a discussão dos problemas de pesquisas parciais, direcionados a uma teoria de texto na parte semântica, referencial e de pressuposição.
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