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Todos os estudos sempre procuraram demonstrar um meio de se poder relacionar “o jogo de atuação comunicativa como categoria básica na teoria do texto, orientada para a comunicação, exposição e discussão em nível de teoria do conhecimento” (SCHIMIDT, 1978:43) e que coloca o homem (enquanto falante de língua natural) inserido numa sociedade vinculada que se estabelece num jogo de atuação comunicativa, como afirma Bakhtin (1981) uma interação verbal entre sujeitos, cujas relações de equivalência são de mão dupla pelo fato de haver uma relação de emissão e recepção entre a sociedade que se vincula à atuação comunicativa, causando ou provocando uma interação verbal. A sociedade, enquanto sistema de interação e comunicação, mostra-nos Schimidt (1978), tem como princípio três elementos básicos, enquanto criança: primeiro o seu desenvolvimento; segundo como isso se dá através de regras e terceiro as normas complexas de comunicação verbal e não-verbal, uma vez que todo usuário de uma língua realiza os atos de fala, sendo o espaço em que a referência ou expressão de qualquer nível se realiza conforme as normas recorrentes no processo de interação verbal.
Uma referência tácita relacionada com a comunicação ativa quando o enunciado está voltado não só para o seu objeto, mas também para o discurso do outro se referenciando a esse mesmo objeto. Por menor que seja a referência ao enunciado do outro se confere ao ato de fala um aspecto dialógico que nenhum tema constituído puramente pelo objeto poderia lhe conferir. Afirma Bakthin (1997:320) que “o enunciado é um elo na cadeia da comunicação verbal e não pode ser separado dos elos anteriores que o determinam, por fora e por dentro e provocam nele reações-resposta imediatas e uma ressonância dialógica”, mesmo se tratando de ação comunicativa.
Vê-se que o enunciado está sempre ligado não só aos elos que o precedem, mas também aos que lhe sucedem na seqüência da comunicação verbal, pois no momento em que o enunciado está sendo elaborado tais ligações ainda não existem, mas o enunciado, desde o início, elabora-se em função da eventual reação-resposta (BAKTHIN, 1981) que é o objetivo único de sua elaboração. Os outros não são ouvintes passivos, mas participantes ativos da interação verbal, pois logo de início o locutor espera deles uma resposta, uma compreensão responsivo-ativa, levando-se em consideração que “todo enunciado se elabora como que para ir ao encontro dessa resposta” (BAKHTIN, 1981).
Pode-se observar em Schimidt (1978:46) uma leitura mais contemporânea dessa relação de elaboração de enunciado da visão bakhtiniana, tratando de um conteúdo mais dentro de uma sociedade comunicativa, com a finalidade de acentuar esse aspecto de forma mais efetiva do que permite o termo ‘jogo verbal’. Pode-se afirmar como categoria elementar da teoria de texto o termo jogo de atuação comunicativa que é constituído por uma inserção sócio-cultural na sociedade, com a participação dos parceiros de comunicação denominados de interlocutores, bem como da totalidade das condições e pressuposições que passam influenciá-los, havendo uma situação de comunicação envolvente, onde os textos pronunciados bem como os textos (e contextos) verbais são associáveis, formando-se uma rede textual, uma tessitura textual.
As reflexões sobre essas análises dos fatores de atuação e de comunicação nos remetem às incansáveis pesquisas sobre as relações de interação verbal, uma vez que a oralidade da fala precede, e muito, a linguagem escrita e nos deixa mais perto de uma consciência da influência da oralidade na produção escrita, ou porque não denominá-la de interferência da oralidade na escrita do aluno.
Em Junkes (2002:83) encontra-se uma referência das posições sociais de oralidade e escrita, quando a autora diz que:
Na elite cultural, a língua escrita ganha prestígio e é considerada pelos sujeitos que a compõem como superior à língua oral. Ela discrimina, portanto. É essa mesma elite sociocultural que regulamenta os usos; é a língua escrita, de preferência literária, que vem exemplificada nas gramáticas normativas, que servem de parâmetro para o ensino nas escolas. Na evolução sócio-histórico-cultural é considerado um processo lingüístico autônomo e mais avançado de expressão, no desenvolvimento mental do homem.
Através destas informações é que se baseia para se transpor os limites da norma e discutir, a partir de então, os caminhos investigativos em relação aos efeitos de sentido que as palavras usadas pelos alunos em suas produções escritas têm dentro do texto, mostrando sua polissemia de sentidos e suas relações léxico-sintático-semânticas do texto produzido.
5 Os objetos usados no estudo da produção de texto e os elementos de apoio pedagógicos
Ao se fazer observação dos aspectos que circundam o ambiente em que os professores trabalham, pode-se notar que, embora a unidade escolar se constitua de pessoal qualificado para as funções didático-pedagógicas, alguns movimentos chamaram a atenção que nos levam a fazer uma relação com a prática docente. Em contato com a proposta pedagógica de uma escola e com o acesso às informações, ao se ler o tópico que trata da concepção filosófica, encontra-se a conclusão do grupo que descreve “a escola promoverá uma emancipação do homem pelo trabalho através da apropriação de conhecimentos, desenvolvendo no aluno a capacidade de pensar refletir analisar e transformar o contexto social numa ação conjunta”.
Com base nessa conclusão, não se pode deixar de comentar que isso já não é mais nenhuma novidade que as mudanças na educação dependem da vontade política e do dinamismo e empenho do professor que são, de fato, os responsáveis para que, no dia a dia, consolide-se uma prática sempre idealizada por professores e toda a sociedade. A necessidade de um projeto político pedagógico na escola precede a qualquer exigência legal ou decisão política já que, enquanto educadores e membros da instituição escola se deve ter claro em que horizonte se pretende chegar com os alunos, com a comunicação e com a sociedade, caso contrário, poder-se-á ser mais aventureiros que educadores.
Os eixos temáticos devem ficar estabelecidos e compreendidos em uma ação integrada de forma que os projetos integrem a comunidade dentro do ambiente escolar para que as pesquisas e os estudos acadêmicos sejam bem delineados.
A razão que motivou uma pesquisa desse gênero foi a intenção de poder compreender o subjetivismo que se encontra com relação à construção dos sentidos e a necessidade dos conhecimentos lingüísticos para se operar com as relações de produção escrita e a prática de texto ensino, investigando-se a influência da oralidade na produção escrita do aluno as palavras – usadas na modalidade oral e empregadas na modalidade escrita, seus efeitos de sentidos pragmático-discursivos na produção de texto escolar. Tendo por base esse objetivo toma-se como objeto de estudo o texto escolar escrito e procura-se investigar se há palavras novas e qual os efeitos de sentido que essas palavras novas tinham quando os estudantes, levando-as da interação verbal do quotidiano, as usavam na produção escrita na escola, tendo como princípio o fato de que os alunos se preocupam mais quando usam essas palavras novas da oralidade de fala na produção escrita na escola. Procura-se estabelecer aqui a necessária distinção entre a produção de texto referida na obra – O texto em sala de aula, organizado por Geraldi (2003) – que denominou de produção escrita na escola. Mantendo sempre a oposição e os conceitos delas decorrentes, procura-se empregar o termo – produção escrita – numa outra acepção do termo, como que de forma subjetiva ao se modificar as expressões consagradas na literatura especializada como “produção de texto”, “texto verbal” e “texto não-verbal”, etc. Portanto, no uso desta terminologia, a menos que ressalvado, o termo produção escrita é tomado como aquela produção que o aluno fez dentro da sala de aula e com o acompanhamento de um professor de língua materna.
Como objeto de pesquisa e a forma de abordagem, procura-se ter uma visão do processo de produção do texto escrito, cujo ponto de partida foi pesquisar se os alunos usariam, nas suas produções escritas, as mesmas palavras que usam na interação verbal e se essas palavras, quando empregadas na produção escrita teriam o mesmo efeito de sentido que se usadas na interação verbal. Sabe-se que há “uma crise científica em marcha” (CASTILHO, 1989) que poderá ser facilmente identificada, como se fosse um pêndulo que assinala o paradigma lingüístico vigente quando oscila, deixando o pólo da linguagem como um enunciado, deslocando-se para a ponta da linguagem entendida como enunciação. Já não se postula mais a linguagem como um código abstrato, incorporando-se às análises do enunciado as condições de sua produção que, em conseqüência disso, a equipe indignada do mundo científico se desloca “da análise taxonômica dos produtos lingüísticos para a análise dos processos psicossociais que constituem esses produtos” (CASTILHO, 1989:106), talvez como desvio de uma questão mais empírica e menos prática.
Pode-se observar que o aluno quando está no processo de interação verbal e no seu ambiente social procura processar essa interação sem a preocupação com a avaliação do professor. No momento da produção escrita o aluno procura as palavras para poder usar, dado o fato que na interação verbal com professores, por exemplo, questionamentos e intervenções a respeito de conteúdos ou na produção escrita, ambos são objetos de um processo de avaliação. Essas ações dependem, certamente, de pressupostos lingüísticos que agem para que se possa fazer essa dicotomia.
Nas observações feitas, pode-se ver que há mudanças, mas quando se faz uma análise minuciosa dos segmentos se percebe alterações significativas que interferem na estrutura sintática, dando um efeito de sentido diferenciado a cada momento da leitura e uma idéia mais clara da própria concepção de escrita e suas preferências sintáticas. A oralidade da fala tem como característica se utilizar a contextualização física sistematicamente seja para referenciação ou para orientação espacial (MARCUSCHI, 2001:83), fazendo-se do ambiente físico o parâmetro da questão não verbalizada, uma vez que fora deste espaço é necessário que se complemente com informações para que se recupere a idéia do ambiente físico que se faz ausente.
Tais dificuldades se deram quando na análise de produções escritas que foram produzidas dentro das salas de aula, pois adentrar à sala de aula é um dos meios para que se aprofunde e se perceba o papel do professor no processo de ensino-aprendizagem da produção de texto escrito e é nesse espaço que os processos interacionais se efetivam de forma intencional e sistematizada, uma vez que a recuperação do espaço é mais consciente quando participante e atuante nele.
Para essa abordagem, precisa-se de um método de investigação que se preocupe com o entendimento dos fenômenos humanos e sociais, dentro de um contexto histórico que está em oposição a uma visão empiricista de ciência tendo por objetivo a dimensão e o estabelecimento de leis gerais a partir dos dados, pois a pesquisa qualitativa procura a descoberta valorizando a indução e assumindo os fatos e valores que estão relacionados tornando-se inaceitável a postura neutra do pesquisador (ANDRÉ, 1995:28).
Algumas produções escritas pelos alunos foram usadas para contextualizar o fenômeno da influência da oralidade na produção escrita, completando as informações, pois os dados mediados por um pesquisador permitem que haja uma interação ativa com as circunstâncias que o rodeiam. Através desse método é possível rever as questões que orientam uma pesquisa, localizando novos elementos com uma revisão da metodologia e com a possibilidade de se repensar os fundamentos teóricos durante o desenvolvimento de um trabalho.
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