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Arte como expressão
Arte é expressão! Mas será que temos claro a dimensão do termo? O que significa, em geral, “expressão”? A expressão se encontra entre uma fonte de energia e um signo que a veicula: “Uma força que se exprime e uma forma que a exprime.” (BOSI, 2003, p.50)
Há uma força e uma forma envolvidas na expressão e dependendo do seu grau de mediação a expressão será efusão, símbolo ou alegoria.
- Efusão é a expressão direta, imediata.
Por exemplo: um grito de dor pela morte de um ser amado.
- Símbolo é a expressão articulada através de uma linguagem para compor as imagens e a sintaxe.
Por exemplo: uma oração fúnebre recitada em memória a um ser amado.
- Alegoria é quando há um intervalo grande de distância entre a imagem e o conteúdo ideal.
Por exemplo: uma escultura de mármore de uma águia sobre o túmulo de um ser amado para representar as virtudes de força e ousadia.
Tendo claro estes três graus da expressão ao trabalhar com nossos alunos não devemos limitá-los a efusão, mas propiciar uma abstração tal, que passe pela expressão simbólica e chegue à alegoria.
Outra reflexão importante de ser considerada quando falamos de arte como expressão é a que considera a linguagem como energeia, como “força em ação”, “produção”; opondo-se a dynamis, cujo sentido é o de “força em estado potencial”. A expressão é mais do que um impulso, é um trabalho. E se arte é expressão, neste sentido, é também construção e conhecimento.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os currículos atuais, organizados segundo uma visão positivista, para atender os interesses de uma sociedade capitalista, privilegiam o caráter racional e útil das disciplinas, um útil que não vai além do sentido prático que o termo propõe, pois se ampliarmos esse conceito, para além do utilitarismo, veremos o quanto a arte pode ser “útil” para o desenvolvimento de crianças e adolescentes.
Diante desta situação, há um apelo, por parte dos arte-educadores, para que os valores estéticos sejam incluídos no currículo escolar das instituições de ensino brasileiras. Instituições essas que valorizam uma educação baseada numa concepção cientificista, em que muitos professores, inseridos nesta ideologia, deixam seu imaginário ser contaminado pelo mercado e pela mídia, encaram a educação como um caminho para se chegar a um bom emprego e assim conseguir prestígio econômico. Nesta visão simplista e capitalista de sucesso, ignoram a arte e seu potencial, ignoram-na como enriquecedora da prática individual, prática no que diz respeito à construção de sentido, de significado no que fazem, observam e pensam, não no sentido mecânico e imediato que o termo prático sugere.
Numa sociedade em que a divisão do trabalho é fator determinante e as pessoas estão cada vez mais especializadas, a arte seria uma forma de resgatar a totalidade. Totalidade esta, que envolve as várias dimensões do ser humano: afetiva, cognitiva e social, numa relação integradora de emoção e razão, afetividade e cognição, subjetividade e objetividade, conhecimento e sentimento... Fragmentam-se as funções, fragmentam-se os olhos, fragmenta-se o pensamento e assim as pessoas se tornam incapazes de perceber e atuar na sua totalidade. São pilotos, engenheiros, agrônomos, professores de artes visuais, professores de artes cênicas... São indivíduos fragmentados.
É preciso repensar a educação sob esta perspectiva. Pensar a atividade estética como um brinquedo, como um fim em si. Isso exige contrariar os princípios da sociedade industrial e capitalista em que vivemos, em que tudo é linha de montagem. A arte, assim como o brinquedo, existe em função dela mesma, da alegria que faz brotar.
Esse prazer da experiência estética e lúdica foi banido das escolas e da experiência de vida dos alunos, que amedrontados com o vestibular e com a exigência da eficácia passam sua escolaridade fazendo coisas sem entender, sem rir, sem sentir, sem brincar...
Portanto, o conhecimento artístico não deve ser considerado como um meio para outras áreas do saber, ele não pode ter como objetivo ilustrar os trabalhos de português, geografia, história ou mesmo formar hábitos de limpeza, ordem, atenção, concentração e ser usado como um instrumento para relaxar. O conhecimento artístico deve ser visto como um fim em si, como um saber carregado de especificidades, com objetivos e conteúdos próprios e que, se fundamentado numa concepção estética, que vai além da própria disciplina escolar, que envolve beleza, símbolo e diversidade de linguagens, pode ser considerado como uma forma de sensibilização para além do ensino de artes.
Arte é um trabalho do pensamento, um pensamento emocional e específico que o ser humano produz, com relação ao seu lugar no mundo. Daí a importância de repensar a educação sob a perspectiva da arte e transformá-la numa atividade estética, num ensino criador, em que haja uma integração entre a aprendizagem racional e a estética, para além do ensino de Arte. Assim, conhecer será também maravilhar-se, divertir-se, brincar com o desconhecido, indagar a existência humana, interpretar diferentes papéis, arriscar hipóteses ousadas, trabalhar duro, esforçar-se e alegrar-se com descobertas.
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