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Complexidade e Educação |
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Por Duglas Wekerlin Filho
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09 de janeiro de 2006 |
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A emoção que, ainda hoje, é mais vivenciada na escola é o medo. Sendo que esse pode gerar situações de bloqueio mental, dificultando a aprendizagem. Já a amorosidade, o bem querer, o afeto e o acolhimento podem gerar situações estimulantes para a aprendizagem.
Evidentemente que se tem de tomar cuidado com os exageros que são cometidos em função dessas descobertas. Não se pode negar que aprendizado exige esforço, disciplina e “ralação”. O aprendizado é algo que ocorre de dentro para fora (MATURANA, 1997), é algo solitário e ao mesmo tempo coletivo.
Sendo que nesse processo, a emoção leva ao desencadeamento das ações que são vivenciadas diariamente nas escolas e na vida real.
Vê-se com muita clareza como as crianças na escola fundamental, da 1ª até a 4ª série, desenvolvem-se bem nos ambientes em que os sentidos são utilizados diariamente. Já ao chegarem à 5ª série, elas sofrem a ruptura desse processo e passam por dificuldades, pois as emoções são menos valorizadas, apela-se mais para o cognitivo (DEMO, 2002).
Com isso, não se quer dizer que o cognitivo seja menos importante. Não se pode ficar com as palavras de Demo (2003) quando ele afirma que pobre tem escola pobre.
A escola pública e a particular têm de oferecer qualidade no processo de aprendizagem. Por isso ser professor é cuidar que o aluno aprenda (DEMO, 2004) e para isso ele tem de propiciar diferentes situações de aprendizagem diariamente na escola.
A complexidade tida e vista como algo tecido junto, tenta aproximar professor, aluno, pai, mãe, irmão, irmã, amigo, comunidade, bairro, cidade, estado, país, continente, Terra e o universo. Pois, todos nós temos a nossa ontogênese, mas também temos marcas e estigmas da nossa filogenia, ou seja, temos a nossa história pessoal, mas também temos marcas da nossa história como espécie que habita o planeta Terra e faz parte do universo.
Nesse contexto geral, Ir à escola tem de ser um momento de alegria, de satisfação, de motivação, de estímulo, pois, lá há pessoas que acolhem e são acolhidas, e há momentos de aprendizagem para a vida presente e também para o futuro.
A escola não pode estar descolada da vida que acontece fora dela, pois se assim o fizer passa a ser artificial e com o tempo se torna chata, café requentado e previsível. Os assuntos tratados na escola passam a ser Desinteressantes, Obsoletos e Inúteis e “DOI” no aluno, como afirma D’Ambrósio (1997).
Torna-se um ambiente propício para o surgimento da “síndrome de não querer ir à escola” tão presente nos dias atuais. Fato que pode ser comprovado pelos psicólogos e psicopedagogos.
A complexidade propõe uma visão sistêmica aberta (MORIN, 2003). Ela deve combinar a organização, a informação, a energia, a retroação, as fontes, os produtos e os fluxos do sistema, sem fechar-se em uma clausura para aonde pode levar, eventualmente, seu corpo teórico.
Nessa visão o organismo humano é concebido como um sistema aberto no qual se articulam um sistema plástico, um sistema material, um sistema energético, um sistema estruturado e um sistema consciente que contribuem para a sua autonomia. Portanto, nessa perspectiva o homem não é soberano na face da Terra, é mais um ser que vive nela e com ela, não é auto-suficiente, mas dependente do seu entorno.
A partir desses fundamentos pode ser pensada uma nova forma de educação que possa ser vivenciada dentro e fora da escola, ou seja, uma nova forma do ser humano viver no planeta Terra.
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Duglas Wekerlin Filho é professor do curso de Biologia e Pedagogia da Universidade São Francisco, mestre em mídia e conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutorando em educação pela PUC-SP. E-mail:
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
D’AMBRÓSIO. Ubiratan. Transdisciplinaridade. São Paulo: Palas Athena, 1997.
DEMO, Pedro. Complexidade e aprendizagem: a dinâmica não linear do conhecimento. São Paulo:Atlas, 2002.
DEMO, Pedro. A pobreza da pobreza. Petrópolis: Vozes, 2003.
DEMO, Pedro. Ser professor é cuidar que o aluno aprenda. Porto Alegre: mediação, 2004.
GENTILE, Paola. É assim que se aprende. Nova Escola. São Paulo, Jan/fev. 2005.
MATURANA, Humberto. Antologia da realidade. Belo Horizonte: UFMG, 1997.
MORAES, Maria Cândida; TORRE, Saturnino de la;. Sentipensar: fundamentos e estratégias para reencantar a educação. Petrópolis: Vozes, 2004.
MORIN, Edgar. Cabeça bem-feita: repensar a reforma reformar o pensamento. Rio de Janeiro: Bertrand, 2000.
MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. Lisboa: Instituto Piaget, 2003.
SEARLE, John. Mente, linguagem e sociedade: filosofia no mundo real. Tradução de F. Rangel. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.
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