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O Conhecimento Escolar no Ensino Básico: retomando algumas questões |
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Por José Martins Ribeiro
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08 de março de 2006 |
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Considerações finais
Levando em conta os dados aquí sistematizados, diria que é preciso insistir numa reflexão e ação mais acuradas sobre as diversas facetas que envolvem o trabalho escolar.
A escola e a prática docente são alvos de inúmeras intervenções. A todo instante o poder público estabelece normas que, na maioria das vezes, não são cumpridas. Quando muito, formam os “projetos pedagógicos” que não saem do papel. São meros documentos para apresentações oficiais.
Ao contrário dos projetos “impostos” de fora, as iniciativas surgidas nas escolas, se estimuladas, podem criar uma mobilização vigorosa no cotidiano escolar. Podem ser um elemento a mais para a valorização da educação. E podem servir, até, de reflexão para o estabelecimento de políticas voltadas para o sistema educacional. Não dá para falar em retomada da qualidade da educação pública desconsiderando esse dado.
A educação escolar precisa perder a “mania de grandeza”, de falar uma língua que esteja distante de seu público, precisa assumir os seus limites e centrar os esforços em cumprir bem a tarefa de ajudar os alunos a desenvolver os seus conhecimentos. De posse desses, eles terão mais instrumentos para atuar na sociedade em que vivem. Essas “ferrramentas”, diga-se de passagem, podem ser fundamentais para a transformação das condições limitadoras da realização humana.
Nesse sentido, vale a pena refletir sobre o que diz Morin: “A educação deve contribuir para a autoformação da pessoa (ensinar a assumir a condição humana, ensinar a viver) e ensinar como se tornar cidadão”. - (Morin, 2002, p.65).
A escola não pode esquecer princípios como esses. Sem o estabelecimento de um diálogo profícuo com o “mundo dos jovens”, ela deixará de cumprir um de seus papéis, ou seja, contribuir para a inserção dos jovens no mundo dos adultos.
O professor, por sua vez, não pode deixar de ter um compromisso profissional, ele precisa assumir que tem uma tarefa importante na sociedade. Não pode mudar o mundo, mas é um elemento fundamental no desenvolvimento cultural da sociedade. Há que se investir numa prática coletiva e solidária, pois só assim o seu trabalho terá sentido.
Por fim, diria que a pedagogia não pode se restringir a buscar soluções em outras áreas. Suas flutuações teóricas contribuem para a falta de consistência das diversas propostas de mudanças. A impressão que fica é a de que se muda a todo instante para permanecer no mesmo, ou para piorar os pequenos avanços praticados no interior das escolas.
Entendo que não se pode esquecer de colocar em discussão as questões antropológicas que são fundamentais para os projetos de reformas pedagógicas. As mudanças não podem permanecer calcadas na idéia de natureza humana. É preciso partir da idéia de que o homem é um ser social e de que vivemos numa sociedade capitalistas de classes sociais. Tentar ocultar isso é “propor mudanças para permanecer no mesmo”.
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José Martins Ribeiro é mestrando da Universidade Católica de Santos.
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