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Educação Física Escolar e Fisiologia do Exercício: Uma proposta de Interdisciplinaridade. |
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Por Claudiney André Leite Pereira
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08 de março de 2006 |
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Página 1 de 3 Educação Física Escolar e Fisiologia do Exercício: Uma proposta de interdisciplinaridade.
Resumo: O texto procura posicionar a Educação Física no âmbito da transdiciplinaridade, oferecendo sugestões sobre como trabalhar conceitos de várias disciplinas – Física, Biologia, Sociologia - utilizando a E.F. como ponto de partida.
Palavras-chave: Educação Física - Parâmetros Curriculares Nacionais/PCN - interdisciplinaridade.
Introdução
Durante muito tempo a aula de Educação Física na escola foi vista como hora de lazer ou momento de trabalhar o corpo, desenvolvendo suas funções físicas, reforçando uma concepção dicotômica de corpo e mente.
Atualmente, por força legal, a Educação Física é considerada disciplina integrante do projeto pedagógico da escola.
Hoje em dia, novas discussões no meio acadêmico e profissional estão modificando o paradigma da Educação Física Escolar e superando antigas concepções, sendo a interdisciplinaridade uma das propostas de maior repercussão nessas discussões.
O trabalho interdisciplinar permite à Educação Física uma interação na construção do conhecimento na escola, fazendo uso de conteúdos inerentes à sua formação e articulando-os com as demais disciplinas curriculares.
Este artigo propõe colocar a Educação Física como parceira de uma equipe interdisciplinar buscando continuamente a investigação, pesquisa e descoberta de novos conhecimentos para proporcionar melhor formação ao educando, utilizando o exemplo da Fisiologia do Exercício, que é parte integrante dos estudos da Educação Física e apresenta vários conteúdos que podem ser trabalhados de forma articulada com as demais disciplinas do currículo escolar.
Inicialmente comentaremos a respeito da educação em função dos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais); em seguida faremos algumas reflexões sobre o conceito de interdisciplinaridade e abordaremos a Educação Física Escolar tendo em vista a proposta do PCN. Ao final apresentaremos sugestões de interdisciplinaridade, articulando conteúdos da fisiologia do exercício com outras disciplinas.
Reflexões sobre educação à luz do PCN
A educação tradicional secundária, pautada na transmissão de conhecimento ao aluno pelo professor, sem a sua contextualização com o mundo ao seu redor, não está mais atendendo às exigências dos espaços de trabalho e das novas funções a serem desempenhadas na sociedade. Por exemplo, um caixa de supermercados que há alguns anos tinha como função registrar os preços dos produtos, hoje tem à sua disposição um computador onde pode dar informações referentes aos produtos e sua forma de pagamento, além de conhecer os diversos tipos de crediários; ele também contribui nas atividades de marketing da empresa junto aos clientes.
Estas habilidades não se aprendem na escola, nem no ensino médio ou profissionalizante,. já que as relações de produção no trabalho estão em constante mudança cabendo à escola formar um indivíduo apto a compreender as mudanças atuais e interagir com eficácia sobre as que estão por vir.
O PCN do Ensino Médio (Brasil, 1999) aponta preocupações em relação a isso: “A nova sociedade, decorrente da revolução tecnológica e seus desdobramentos na produção e na área da informação, apresenta características possíveis de assegurar à educação uma autonomia ainda não alcançada. Isto ocorre na medida em que o desenvolvimento das competências cognitivas e culturais exigidas para o pleno desenvolvimento humano passa a coincidir com o que se espera na esfera da produção”.
Dentro dessa realidade, observamos a necessidade de mudanças nos modelos metodológicos existentes. O PCN diz que uma nova concepção curricular para o Ensino Médio, (Brasil, 1999) “deve expressar a contemporaneidade e, considerando a rapidez com que ocorrem as mudanças na área do conhecimento e da produção, ter a ousadia de se mostrar prospectiva”.
É interessante proporcionar aos alunos oportunidades para desenvolver competências estratégicas indispensáveis as novas realidades. “De que competências se esta falando? Da capacidade de abstração, do desenvolvimento do pensamento sistêmico, ao contrário da compreensão parcial e fragmentada dos fenômenos, da criatividade, da curiosidade, da capacidade de pensar múltiplas alternativas para solução de um problema, ou seja, do desenvolvimento do pensamento divergente, da capacidade de trabalhar em equipe, da disposição para procurar e aceitar críticas, da disposição para o risco, do desenvolvimento do pensamento crítico, do saber comunicar-se, da capacidade de buscar conhecimento”.(PCN, Brasil, 1999).
Dentro desse contexto, a resolução CEB nº3, de 26 de junho de 1998, que institui as diretrizes curriculares nacionais para o ensino médio, inclui a interdisciplinaridade entre os princípios que devem nortear a construção do conhecimento. Conforme o Art.6º, “Os princípios pedagógicos da identidade, diversidade e autonomia, da interdisciplinaridade e da contextualização serão adotados como estruturadores dos currículos do Ensino Médio”. (Brasil 1999).
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