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Educação Física Escolar e Fisiologia do Exercício: Uma proposta de Interdisciplinaridade. Imprimir E-mail
Por Claudiney André Leite Pereira   
08 de março de 2006


Alguns conceitos de Interdisciplinaridade

O conceito de interdisciplinaridade formulado por Heloisa Luck (1990) ressalta exemplarmente a sua importância na construção do conhecimento diante da nova realidade: “interdisciplinaridade é o processo que envolve a integração e engajamento de educadores, num trabalho conjunto, de interação das disciplinas do currículo escolar entre si e com a realidade, de modo a superar a fragmentação do ensino, objetivando a formação integral dos alunos, a fim de que possam exercer criticamente a cidadania, mediante uma visão global de mundo e serem capazes de enfrentar os problemas complexos, amplos e globais da realidade atual”.

A partir desse conceito, deve-se trabalhar cada disciplina levando o aluno a perceber as inter-relações de seu conteúdo com o das outras disciplinas, para que ele adquira uma compreensão crítica das relações existentes na sociedade entre as pessoas, os sistemas e as conquistas decorrentes do conhecimento humano.

Para isso, a participação de todos os professores representantes das disciplinas é de fundamental importância na construção desse projeto, não basta querer ser interdisciplinar é preciso se perceber como tal.

Ivani Fazenda (1996) define bem essa necessidade quando diz que “o que caracteriza a atitude interdisciplinar é a ousadia da busca, da pesquisa: é a transformação da insegurança num exercício do pensar, num construir”. Maria Elisa Ferreira (1996) também reforça a idéia de atitude : “interdisciplinaridade é uma atitude, isto é, uma externalização de uma visão de mundo que, no caso, é holística”.

Educação Física Escolar e currículo

Desde sua inclusão no currículo escolar até os dias de hoje, a participação da Educação Física no contexto pedagógico vem sendo sempre discutida em relação aos seus conteúdos, a sua importância e a sua relação com outras disciplinas no projeto pedagógico, sobre o que e como ensinar e até mesmo a sua permanência.

Hoje, o PCN (Brasil, 1999) coloca, entre os principais objetivos da Educação Física no Ensino Médio, a compreensão do funcionamento do organismo e sua relação com a aptidão física, noções sobre fatores do treinamento em suas práticas corporais, estudos com perspectiva na cultura corporal e sobre atividade física como promotora de saúde. É possível trabalhar esses conteúdos de forma interdisciplinar, promovendo no estudante uma visão mais abrangente sobre a importância da Educação Física na construção da sua formação.

A lei nº 630 de 17/09/1851- incluí a ginástica no currículo escolar. Em 1882 a Educação Física recebe apoio nos pronunciamentos de Rui Barbosa: (citado por Tubino, 1996) “os sacrifícios de que dependem estas inovações parecem-nos mais que justificados, se é certo que a ginástica, além de ser o regime fundamental para a reconstituição de um povo cuja vitalidade se depaupera, e desaparece de dia em dia a olhos vistos, é, ao mesmo tempo, um exercício eminentemente, insuprivelmente da liberdade. Dando à criança uma presença ereta varonil, passo firme e regular, precisão e rapidez de movimentos, prontidão no obedecer, asseio no vestuário e no corpo, assentamos insensivelmente a base de hábitos morais, relacionados pelo modo mais intimo com o conforto pessoal e a felicidade da futura família; damos lições praticas de moral talvez mais poderosas do que os preceitos inculcados verbalmente”.

Observamos no discurso de Rui Barbosa uma preocupação de caráter eugenista e higienista e da necessidade da formação de um povo “forte”, sem vicios e que cultivasse hábitos saudáveis; observamos também a preocupação para a construção de um corpo dócil e disciplinado, pronto para receber e cumprir ordens; e Rui ainda faz uma critica às disciplinas teóricas, dizendo que o aspecto pratica da Educação Física reforça valores morais e normas de forma mais consistente que discursos teóricos.

Esses valores na Educação Física escolar permaneceram até o Estado Novo. Com a mudança do quadro político em 1930, o Brasil preparou-se para entrar no mundo industrializado e tinha a preocupação de levantar a auto-estima de seu povo e consolidar novos interesses políticos. Dentro desse contexto, o esporte é visto como uma das formas de passar para o mundo uma imagem de um país em ascensão.
A partir desse novo paradigma, o esporte passa a ter grande importância na Educação Física, e este na escola passa a funcionar como forma de detectar talentos para as seleções das diversas modalidades esportivas do país, assumindo um caráter de competitividade.

Com o inicio da Nova Republica e até nossos dias, a Educação Física vem tendo contornos diferentes nas escolas, não só por questões de interesse políticos ou classes dominantes, mas também por que a partir de 1980, varias pesquisas vêm sendo feitas nessa, área analisando a sua práxis metodológica e seus valores sócio-cultural, político e educacional.

Segundo (Caparroz, 2000) “os anos 80 aparecem como o nascimento de concepções e práticas pedagógicas libertadoras, transformadoras, na perspectiva de desenvolver uma Educação Física voltada para o ser humano e não mais às necessidades do capital. As elaborações traziam em seu bojo uma nova proposta de Educação Física, totalmente diferente de tudo o que havia sido pensado ou experimentado, visto que a Educação Física que se tinha ate então só servia para a manutenção do status quo”.



 

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