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Atendimento Psicológico - Como uma terapia pode melhorar sua qualidade de vida Imprimir E-mail
Por Maria Elvira Polimeno Valente. Psicóloga – CRP 06/47716-7   
22 de julho de 2004

A terapia (atendimento psicológico individual ou em grupo) pode melhorar nossa qualidade de vida, porque nos ajuda a ver e enxergar que "jeitão" é esse de nos colocarmos na vida, de nos relacionarmos com as pessoas (na vida social e no trabalho) e com nossa maneira de ser frente a tristezas, alegrias e vicissitudes; enfim, como recebemos e como damos afetos e como esse dar e receber torna nossa existência feliz ou infeliz.

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É pouco? O fato de percebermos (e termos consciência de) como reagimos frente a situações boas ou más – na vida afetiva, na família, nas relações sociais e de trabalho - nos dá mais liberdade de escolhas, deixamos de agir impulsivamente; de outra forma, ficamos à mercê dos fatos e situações, não fazemos escolhas, é o inconsciente que está totalmente no comando.

Tudo isso acontece, pelo menos, sob três aspectos:

- Problemas de vida: são aqueles que independem da pessoa, por exemplo: situação político-econômica do país (desemprego, baixos salários, violência, dívidas), a perda de parentes ou amigos, doenças incapacitantes, entre outros.

- Problemas de personalidade: aqueles estruturais, isto é, que foram se formando no decorrer do crescimento e socialização do indivíduo; por exemplo: timidez, egoísmo, etc. Aqui se incluem, como possíveis fatores causadores, os traumas, repressões e a não superação de conflitos de infância.

- Doenças mentais – depressão, anorexia, bulimia (compulsão alimentar), distúrbios de humor (irritabilidade e crises de fúria) , disforia (melancolia e falta de interesse na vida), distimia (variações de estado de humor), epilepsia, Mal de Parkinson, Mal de Ahlzeimer, alcoolismo, esquizofrenia e outros estados psicóticos. Tais problemas podem ser de ordem física, ocasionados por distúrbios neurológicos, pela ingestão de substâncias nocivas (álcool, outras drogas ou contaminação por produtos químicos) com repercussão no comportamento e com perda de qualidade de vida.

A maioria das pessoas que não atua na área da saúde fica sem saber que tipo de atendimento e a qual profissional recorrer na incidência de casos como os acima citados. Em razão disso, relacionamos em seguida os tipos de atendimento mais adequados:

- Atendimento psiquiátrico: é feito com um médico especialista em "doenças mentais" (depressão, ansiedade, angústias, distúrbios de humor, psicoses, esquizofrenia, epilepsia). O médico psiquiatra pode, dependendo da queixa, prescrever medicação (remédios anti-depressivos, ansiolíticos e outros mais específicos) mas recomenda-se, hoje em dia, que o tratamento psiquiátrico seja acompanhado por atendimento psicoterápico, para maior eficácia (e, muitas vezes, resultados mais rápidos).

- Atendimento psicoterápico: é feito por um psicólogo. Ele ajuda as pessoas a entenderem seus sentimentos em relação à vida, em sessões psicoterápicas. Essas sessões são encontros periódicos entre o paciente e o psicólogo (geralmente, uma ou duas vezes por semana), onde a pessoa expõe suas queixas e demandas (sofrimentos, aflições, angústias, problemas de relacionamento ou existenciais, doenças). O psicólogo, dependendo do tipo de linha de tratamento seguida (existem várias linhas, ou seja, tipos de tratamento psicoterápico, desde as mais formais até as chamadas "holísticas"), poderá fazer uso, também, de testes psicológicos. Os testes psicológicos são ferramentas utilizadas pelo psicólogo para aferir, de modo mais rápido e objetivo, o tipo de problema que mais se aproxima da queixa do paciente. Nenhum teste é conclusivo, servindo somente como instrumento auxiliar de diagnóstico.

- Atendimento psicanalítico: é feito por um psicanalista, profissional formado em psicanálise, geralmente de formação médica ou psicológica, mas não necessariamente. Através de sessões de análise, esse profissional conduz o paciente a uma viagem sobre sua própria existência, de forma a fazer com que este (o paciente) aceite suas limitações e potencialidades e consiga, ele próprio, condições de administrar sua vida, consciente de suas singularidades.
A psicanálise é uma modalidade de psicoterapia, baseada, na maioria das linhas teóricas, na interpretação do material analítico (relato do paciente) trazido para as sessões. A psicanálise é uma terapia eficaz mas seu uso é restringido, no dias de hoje, pela quantidade de sessões recomendada (várias vezes por semana) e o alto custo resultante para o paciente.

Tanto as psicoterapias como a psicanálise podem assumir vários tipos, dependendo da linha teórica seguida pelo profissional; as mais freqüentes são: freudiana, kleiniana, bioniana, lacaniana, junguiana, reichiana, cognitiva, comportamental, fenomenológica, psicossomática (entre outras). Muitas dessas linhas possuem os nomes de seus criadores: Freud, Jung, Klein, Reich, Bion, Lacan.

Modalidades

O atendimento psicoterápico pode ser individual (o paciente e seu analista) ou em grupos (várias pessoas – no máximo 5/6 – e o analista).

Nos dias atuais, em que a maioria das pessoas quase não tem disponibilidade (tempo e dinheiro, por exemplo) para longos tratamentos psicológicos (como a psicanálise), recomenda-se as terapias feitas em grupos. Os grupos terapêuticos são formados por pessoas conhecidas ou não, pertencentes ou não à mesma classe social ou profissão e com demandas semelhantes ou não.

São feitas reuniões (geralmente, semanais) de, em média, uma hora e meia de duração, onde as pessoas expõem seus problemas, aflições, demandas, com o monitoramento de um ou mais psicólogos (ou de um psicólogo e outro profissional de área paralela, como um pedagogo ou assistente socia), dependendo do tipo de atendimento que se pretenda oferecer.
Nas sessões em grupo, o preço da terapia é muito mais acessível (geralmente, 30% do valor das sessões individuais), com efeitos sociais apreciáveis, pois fica ao alcance de pessoas com menos recursos.

As terapias de grupo apresentam algumas desvantagens ( por exemplo, incompatibilidade do tipo de problema do paciente com o formato da sessão) e muitas vantagens; entre elas, a possibilidade de compartilhamento de problemas com outras pessoas (a percepção de não estar sozinho com o próprio sofrimento) e os custos bem mais acessíveis.

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*Maria Elvira Polimeno Valente é Psicóloga e Psicanalista. Atende a grupos terapêuticos em seu consultório em São Paulo. Fone 11 3284-4188.
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