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Página 1 de 2 Colaboração do leitor
Meu
objetivo com este artigo é chamar a atenção do leitor, em especial
daqueles que tem em suas mãos a responsabilidade social da Educação,
para o fato de que precisamos rever nossas posturas diante da fase
inicial da vida escolar de nossas crianças, dando especial atenção para
a idade dos zero aos seis anos. Diz
um provérbio chinês que "a mais alta das torres começa no solo". Isto
leva-nos a repensar toda a estrutura Educacional no que concerne a
Educação Infantil, com uma ampla gama de transformações necessárias
para garantir aos nossos alunos uma educação de qualidade, como é tão
freqüentemente defendido nos discursos políticos e em inúmeras teorias. Por
meio de um diálogo com professores do Ensino Fundamental que trabalham
com primeira série poderemos, com certeza, alavancar algumas diferenças
básicas encontradas por estes em alfabetizar alunos que freqüentaram a
Educação Infantil e aqueles que chegam na escola pela primeira vez já
na primeira série, sendo que os primeiros, se bem preparados em nossas
creches e escolas que trabalham com esta modalidade de ensino, chegarão
à primeira série com o devido alicerce para acompanharem a fase de alfabetização, o que conseqüentemente facilitará todo o processo educativo, melhorando em muito o seu desempenho ao longo de sua vida escolar. Sabemos
que é na Educação Infantil que a criança adquire os primeiros preparos
para o convívio social, tem as primeiras noções de valores morais e
também, através de atividades apropriadas, aprimora suas capacidades
cognitivas e motoras. Um
pedreiro para edificar uma torre precisa saber, primeiramente, preparar
o canteiro de obras, tirar o esquadro, fazer as formas e as sapatas da
construção de tamanho adequado para suportar todo o peso que será
sobreposto em cima deles, escolher o ferro da armação para que suporte
este peso, e preparar a massa com as misturas adequadas de areia, ferro
e cimento. Após este processo, o pedreiro deverá deixar secar o
concreto, para depois começar a edificar a torre. Até aqui o pedreiro
somente trabalhou a base da torre. Se
o pedreiro não tiver o preparo necessário, não compreender os passos,
as medidas, enfim, não dominar o processo necessário para fazer a base
da torre, esta não terá o suporte necessário para todo o peso que será
acrescentado e acabará ruindo. Eis
ai uma bela metáfora, que nos leva a refletir sobre o papel,
extremamente relevante, da Educação Infantil para o restante da vida
escolar de nossas crianças. Precisamos, então, pensar na necessidade do
bom preparo do professor para que desenvolva atividades adequadas a
esta faixa etária das crianças, para que não aconteça de, ao invés de
bem prepará-las, acabar fazendo com que "toda a torre acabe ruindo".
Como no caso do pedreiro, a falta de conhecimento do professor que não
domina o processo cognitivo e psicológico pelo qual a criança passa
nesta idade pode levar ao fracasso, o que pode "comprometer toda a
obra" ou seja, comprometer todo o desempenho da criança, não apenas
escolar, mas social e familiar também. Maria
Montessori diz em seu Livro Mentes Absorventes que a criança aprende
mais dos zero aos seis anos do que um adulto ao longo de toda a sua
vida. Precisamos pensar então sobre o que queremos que ela aprenda,
quais os valores que precisam ser alicerçados neste período e qual o
compromisso da escola e do Estado com a referida aprendizagem. Creio
que precisamos, urgentemente, repensar a prática educativa de nossos
escolas, onde, comumente, são designados os professores menos
preparados e menos comprometidos para trabalha com a Educação Infantil,
já que é uma fase escolar que não possui obrigatoriedade legislativa,
sem precisar apresentar resultados quanto ao desempenho do aluno, ou
seja, muitos professores preferem a Educação Infantil "por não haver
cobranças e não precisar apresentar resultados". Enfim, por julgarem
não existir necessidade de compromisso do professor com a aprendizagem
das crianças. Se o nosso pedreiro pensar assim, a sua torre vai ruir
antes de chegar ao final, o mesmo vai acontecer com nossos alunos se
continuarmos encarando desta forma a primeira fase escolar das
crianças, entregando-as, em alguns casos, nas mãos de profissionais
despreparados e descomprometidos.
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