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Octávio Ianni foi, talvez, o último representante de uma nobre extirpe:
a dos cientistas sociais que não mudam de lado ou de idéia ao sabor dos
ventos da conveniência pessoal ou da política partidária.
Seu
passamento no último 4 de abril deixou uma lacuna irreparável no campo
da ética e do pensamento científico desengajado de interesses
particulares.
Discípulo
(juntamente com o "príncipe da sociologia", o Sr. Fernando Henrique
Cardoso) de Florestan Fernandes – outro monumento ao pensamento
sociológico internacional - colaborou ativamente para fazer da
histórica cátedra de Sociologia I um marco das ciências sociais na
antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da rua Maria Antonia,
em São Paulo. Nascido em Itu (SP), em 1926, pertenceu a uma geração
de professores da USP decisiva na consolidação dos estudos sociológicos
voltados para o conhecimento do Brasil.
Seguiu
e ampliou a linha de trabalho dos precursores Sergio Buarque de Holanda
(Raízes do Brasil, Visão do Paraíso, Cobra de Vidro, História Geral da
Civilização Brasileira), Fernando de Azevedo (A Educação e seus
Problemas, Princípios de Sociologia, a Cultura Brasileira) e Caio Prado
Jr. (Evolução Política do Brasil, Formação do Brasil Contemporâneo, A
Revolução Brasileira). A
questão racial, problemas de desenvolvimento e a globalização foram
temas de atenção do pesquisador e mestre. Seu mestrado, de 1956, sobre
a condição do negro no Sul do Brasil, foi publicada em 1960 como "Cor e
Mobilidade Social em Florianópolis. E seu doutorado, "O Negro na
Sociedade de Castas" (editada em livro em 1962, como "As Metamorfoses
do Escravo") foi a primeira abordagem sobre a discriminação racial no
Brasil vinculada à condição social desfavorável da população negra.
Ianni reforçou essa tese em "Raças e Classes Sociais do Brasil". . Publicou,
em 1968, "O Colapso do Populismo no Brasil", uma análise dura sobre a
política brasileira. Em 1969, em função de sua resistência intelectual
à ditadura militar de 1964, foi aposentado compulsoriamente da USP pelo
Ato Institucional n° 5 (AI-5). Para Ianni, o período da ditadura
militar, pelas suas características de violência e estupidez, sepultou
lideranças e as condições sociais capazes de dar ao Brasil um projeto
próprio de desenvolvimento. Aposentado
em 1969, Ianni transferiu-se para a Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo – PUC-SP onde continuou suas atividades de professor e
crítico da sociedade brasileira. Trabalhou também na UNICAMP –
Universidade de Campinas, até poucos dias antes de sua morte. Fundou,
juntamente com Fernando Henrique Cardoso e Paul Singer, entre outros
intelectuais, o CEBRAP – Centro Centro Brasileiro de Análise e
Planejamento, do qual se desligou posteriormente, rompido com FHC ("e
suas correções de rumo").
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