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partir dos anos 50, a Pedagogia Freinet, não obstante todos os
obstáculos criados pelo pensamento conservador, já se consolidara e ao
falecer, em 1966, Freinet já era reconhecido mundialmente como crítico
da escola tradicional e reformulador das teorias da Escola Nova. Freinet
criou, na realidade, um movimento em prol da escola popular e isto o
distingue dos demais pensadores do movimento da Escola Nova na Europa. Defendia
a livre expressão como um princípio pedagógico. Esta deveria permitir a
cada um expressar seus sentimentos, emoções, impressões, reflexões.
Favorecia-se a escrita e o acolhimento do "outro", numa pedagogia
solidária e cooperativa. A
idéia do trabalho ocupava lugar central na Pedagogia Freinet. Ele
critica o trabalho alienado e defende uma educação de caráter
politécnico que permitisse às crianças e adolescentes realizarem uma
reflexão crítica contra as formas de exploração do trabalho e contra o
trabalho fragmentado e alienador. Para Freinet, o trabalho é uma
necessidade para os homens, não se devendo fazer distinção entre
trabalho intelectual e manual. A Pedagogia Freinet centrava-se, também, na valorização da vida comunitária, nos interesses dos alunos e na compreensão. Elementos da pedagogia Freinet Freinet criou as aulas-passeio,
saindo fora dos limites físicos da escola e onde colocando os alunos em
contato com a natureza, com o mundo social e cultural. Criou também o Livro da Vida,
onde as crianças registravam suas experiências. Os conteúdos e
conceitos das diferentes áreas do saber passaram a ser discutidos de
forma viva e integrada. Mais tarde, foram criadas a Imprensa Escolar, com os próprios alunos lidando com impressoras e tipos de impressão. Surgiu a correspondência inter-escolar, com os alunos escrevendo para outras crianças de diferentes escolas e regiões dos país. Fichas de estudo
passaram a ser organizadas em fichários por temas, fichas
auto-corretivas também foram criadas para permitir que os próprios
alunos se auto avaliassem. Na
Pedagogia do Bom Senso de Freinet as crianças produziam num clima de
trabalho cooperativo, valorizando a vida comunitária, os interesses dos
alunos a compreensão e a autonomia. {mspagebreak} Educação e trabalho Para
Freinet o trabalho é uma necessidade para a criança. Assim sendo, as
crianças devem ser educadas pelo trabalho aproveitando-se a necessidade
de ação, criação e conquista que cada criança tem. O trabalho é visto
como um princípio que educa. Os alunos de Freinet participavam de
diferentes ações e construções coletivas em prol da melhoria do
ambiente escolar e comunitário. Além disso, eram envolvidos em
atividades que incluíam impressoras, tipos de impressão, teares,
oficinas de arte e artesanato e horta. Avaliação Adepto
da avaliação contínua, Freinet se reunia com os alunos semanalmente
para discutir, com eles, os conteúdos estudados, o que havia sido
compreendido e as dificuldades de aprendizado. Elaborou um sistema de
fichas auto-corretivas, através das quais os próprios alunos
acompanhavam o seu desenvolvimento, se auto-avaliando. O planejamento Não
sendo seguidor do espontaneísmo, Freinet planejava cuidadosamente suas
atividades pedagógicas, esmiuçando os objetivos a serem alcançados.
Saindo a passeio com os alunos, fixava os pontos essenciais que
deveriam ser observados - vegetais, minerais, animais e as
transformações sofridas pelo ambiente, sempre abrindo espaço para a
elaboração de textos sobre o que havia sido visto. A imprensa escolar e a correspondência Através
da imprensa escolar, os alunos elaboravam "jornais" cuja leitura era
compartilhada por amigos e familiares. Através da correspondência
inter-escolar, os alunos se correspondiam com outros alunos de escolas
distantes, enviando fotos, desenhos, cartas, jornais. Foi assim que as
crianças da montanha passaram a conhecer o mar, a pesca e os costumes
de comunidades que viviam em aldeias marítimas. E estes, ficavam
sabendo das colheitas, da vida dos pastores, dos tecelões, das
histórias das comunidades do interior.
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