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Página 1 de 2 Skliar, Carlos – Rio de Janeiro: DP&A Editora – 2003.
Carlos
Skliar, docente da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul e pesquisador de "necessidades educacionais especiais" –
surdez – e fundador do NUPES - Núcleo de Pesquisas e Estudos Surdos,
discorre sobre a polaridade normalidade/diferença, utilizando conceitos paralelos e de alcance antropologicamente mais amplos: mesmidade/alteridade. Sua estruturação se dá a partir concepção da antropologia como uma disciplina focada no estudo da diferença. Serve-se
de Foucault para historiar a surgimento do conceito de normalidade e
sua contaminação pelas idéias de eugenesia – além de Davis (entre
outros autores) para introduzir a noção de Desability Studies no lugar de estudos sobre a diversidade. Fala ainda de dimensões da alteridade – tempo e espaço, temporalidade e espacialidade – como elementos essenciais para a compreensão de seus argumentos. Alude a uma pedagogia da diferença,
chamando a atenção para a necessidade de revisão da base conceitual das
abordagens correntes dos estudos e intervenções sobre a deficiência,
contaminados por modelos estratificados e que reproduzem,
mecanicamente, o discurso da mesmidade e não o discurso da alteridade. Os textos são a reprodução de um curso ministrado por ele em Buenos Aires, Argentina, em julho de 2001. O
autor utiliza uma linguagem pouco formal (e quase irreverente) no
sentido da construção do texto e muito próxima da linguagem verbal que
caracteriza uma transcrição de aulas. A
apreciação do texto "Apresentação" nos dá uma idéia da profundidade e
(apesar das aparências) clarividência constantes no pensamento de
Skliar: Entre
o e se o outro não estivesse aí? E a atenção à diversidade – notas para
um esclarecimento tão confuso quanto estranhável. A intenção do livro, diz o autor, está atravessada por um eixo que não deixa de ser caótico, obscuro e ainda retraído: a questão do outro. Esta questão, já há algum tempo, vem sendo banalizada, moralizada e mais intensamente ainda quando pensamos na questão do outro especificamente na educação. Cita Jacques Derrida: "atualmente, as palavras outro, respeito ao outro, abertura ao outro, etc., começam a se tornar um pouco enfadonhas; há algo que se torna mecânico neste uso moralizante da palavra outro".
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