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Página 7 de 10 IV - Ensinar a identidade terrena O
destino planetário do gênero humano é outra realidade até agora
ignorada pela educação. O conhecimento dos desenvolvimentos da era
planetária, que tendem a crescer no século XXI, e o reconhecimento da
identidade terrena, que se tornará cada vez mais indispensável a cada
um e a todos, devem converter-se em um dos principais objetos da
educação. Convém
ensinar a história da era planetária, que se inicia com o
estabelecimento da comunicação entre todos os continentes no século
XVI, e mostrar como todas as partes do mundo se tornaram solidárias,
sem, contudo, ocultar as opressões e a dominação que devastaram a
humanidade e que ainda não desapareceram. Será preciso indicar o
complexo de crise planetária que marca o século XX, mostrando que todos
os seres humanos, confrontados de agora em diante aos mesmos problemas
de vida e de morte, partilham um destino comum. A contribuição das contracorrentes O
século XX deixou como herança contracorrentes regeneradoras.
Freqüentemente, na história, contracorrentes suscitadas em reação ás
correntes dominantes podem se desenvolver e mudar o curso dos
acontecimentos. Devemos considerar, como movimentos importantes e
atuantes: -
a contracorrente ecológica que, com o crescimento das degradações e o
surgimento de catástrofes técnicas/industriais, só tende a aumentar; -
a contracorrente qualitativa que, em reação à invasão do quantitativo e
da uniformização generalizada, se apega à qualidade em todos os campos,
a começar pela qualidade de vida; - a contracorrente da resistência
à vida prosaica puramente utilitária, que se manifesta pela busca da
vida poética, dedicada ao amor, à admiração, à paixão, à festa; - a
contracorrente de resistência à primazia do consumo padronizado, que se
manifesta de duas maneiras opostas: uma, pela busca da intensidade
vivida (consumismo); a outra, pela busca da frugalidade e temperança
(minimalismo); - a contracorrente, ainda tímida, de emancipação em
relação à tirania onipresente do dinheiro, que se busca contrabalançar
por relações humanas e solidárias, fazendo retroceder o reino do lucro; -
a contracorrente, também tímida, que, em reação ao desencadeamento da
violência, nutre éticas de pacificação das almas e das mentes.
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