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Página 8 de 10 V - Enfrentar as incertezas As
ciências permitiram que adquiríssemos muitas certezas, mas igualmente
revelaram, ao longo do século XX, inúmeras zonas de incerteza. A
educação deveria incluir o ensino das incertezas que surgiram nas
ciências físicas (microfísica, termodinâmica, cosmologia), nas ciências
da evolução biológica e nas ciências históricas. Será
preciso ensinar princípios de estratégia que permitiriam enfrentar os
imprevistos, o inesperado e a incerteza, e modificar seu
desenvolvimento em virtude das informações adquiridas ao longo do
tempo. É preciso aprender a navegar em um oceano de incertezas em meio
a arquipélagos de certeza. A
fórmula do poeta grego Eurípedes, que data de vinte e cinco séculos,
nunca foi tão atual: "O esperado não se cumpre, e ao inesperado um deus
abre o caminho". O abandono das concepções deterministas da história
humana que acreditavam poder predizer nosso futuro, o estudo dos
grandes acontecimentos e desastres de nosso século, todos inesperados,
o caráter doravante desconhecido da aventura humana devem-nos incitar a
preparar as mentes para esperar o inesperado, para enfrenta-lo. É
necessário que todos os que se ocupam da educação constituam a
vanguarda ante a incerteza de nossos tempos. VI - Ensinar a compreensão A
compreensão é a um só tempo meio e fim da comunicação humana.
Entretanto, a educação para a compreensão está ausente no ensino. O
planeta necessita, em todos os sentidos, de compreensão mútua.
Considerando a importância da educação para a compreensão, em todos os
níveis educativos e em todas as idades, o desenvolvimento da
compreensão pede a reforma das mentalidades. Esta deve ser a obra para
a educação do futuro. A
compreensão mútua entre os seres humanos, quer próximos, quer
estranhos, é daqui para a frente vital para que as relações humanas
saiam de seu estado bárbaro de incompreensão. Daí decorre a necessidade
de estudar a incompreensão a partir de suas raízes, suas modalidades e
seus efeitos. Este estudo é tanto mais necessário porque enfocaria não
os sintomas, mas as causas do racismo, da xenofobia, do desprezo.
Constituiria, ao mesmo tempo, uma das bases mais seguras da educação
para a paz, à qual estamos ligados por essência e vocação.
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