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Página 10 de 10 A ética da compreensão É
a arte de viver que nos demanda, em primeiro lugar, compreender de modo
desinteressado. Demanda grande esforço, pois não pode esperar nenhuma
reciprocidade: aquele que é ameaçado de morte por um fanático
compreende porque o fanático quer mata-lo, sabendo que este jamais o
compreenderá. A ética da compreensão pede que compreenda a
incompreensão. VII - A ética do gênero humano "El camino se hace al andar" (Antonio Machado) A
educação deve conduzir à "antropo-ética", levando em conta o caráter
ternário da condição humana, que é ser ao mesmo tempo
indivíduo/sociedade/espécie. Nesse sentido, a ética indivíduo/espécie
necessita do controle mútuo da sociedade pelo indivíduo e do indivíduo
pela sociedade, ou seja, a democracia; a ética indivíduo/espécie
convoca, ao século XXI, a cidadania terrestre. A
ética não poderia ser ensinada por meio de lições de moral. Deve
formar-se nas mentes com base na consciência de que o humano é, ao
mesmo tempo, indivíduo, parte da sociedade, parte da espécie.
Carregamos em nós esta tripla realidade. Desse modo, todo
desenvolvimento verdadeiramente humano deve compreender o
desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações
comunitárias e da consciência de pertencer à espécie humana. Partindo
disso, esboçam-se duas grandes finalidades ético-políticas do novo
milênio: estabelecer uma relação de controle mútuo entre a sociedade e
os indivíduos pela democracia e conceber a Humanidade como comunidade
planetária. A educação deve contribuir não somente para a tomada de
consciência de nossa "Terra-Pátria", mas também permitir que esta
consciência se traduza em vontade de realizar a cidadania terrena. Não
possuímos as chaves que abririam as portas de um futuro melhor. Não
conhecemos o caminho traçado. Podemos, porém, explicitar nossas
finalidades: a busca da hominização na humanização, pelo acesso à
cidadania terrena. 0-0-0-0
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