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apesar disso, se tem generalizada a noção de que há diferenças
significativas entre o ensinar e o aprender - o que tira
definitivamente, das costas do aluno, a responsabilidade solitária pelo
fracasso escolar (o fracasso necessário). E essa noção aparece de forma
clara nos Parâmetros Curriculares Nacionais, documento de referência
para o Ensino Básico no Brasil, apoiado na LDB 9.394/96 e cuja versão
definitiva é de 1998. Quanto
aos educadores, as acusações de descompromisso com as situações de
ensino, suas deficiências e culpas e a possível má formação
profissional passaram por uma reformulação drástica: não que não haja
maus professores - mas o educador "deficiente" ou "incompetente" ou
"descompromissado" é visto hoje, isto sim, como uma vítima das
condições de trabalho que que lhe são impostas pelo sistema escolar: é
o "burn-out", ou Síndrome da Desistência Profissional (do Educador),
uma doença profissional tão bem descrita por Wanderley Codo e seus
colaboradores do Laboratório de Psicologia do Trabalho da Universidade
de Brasília.(1) Original
quanto à abordagem empírica (o estudo de documentos burocráticos de
pais e alunos, sobre repetência) e muito bem ancorado
metodologicamente, "Um Gosto Amargo de Escola" focaliza de modo
competente as áreas de currículo, ensino-aprendizagem, organização da
escola e o fracasso escolar. Constitui-se em excelente material de estudo e reflexão sobre as condições de trabalho e ensino na escola pública. (1)
Codo, Wanderley (coordenador.) - Educação: Carinho e Trabalho, -
Petrópolis, RJ: Vozes/ Brasília: Universidade de Brasília, Laboratório
de Psicologia do Trabalho, 1999.
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