| Jan Comenius (Jan Amós Komensky) |
| Por Conteúdoescola | |
| 23 de julho de 2004 | |
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Autor
de didática Magna, Comenius é o primeiro educador, no mundo ocidental,
a interessar-se na relação ensino/aprendizagem, levando em conta haver
diferença entre o ensinar e o aprender. É, pois, o iniciador da
didática moderna.
Tendo perdido seus pais e irmãs aos 12 anos, foi cuidado sem muito carinho por uma família de seguidores da seita dos Morávios e sua educação básica não fugiu aos padrões da época: saber ler, escrever e contar, ensinamentos aprendidos num ambiente escolar rígido, sombrio, onde a figura do professor imperava e as crianças tratadas como pequenos adultos e os conteúdos escolares infalíveis e inquestionáveis. A rispidez no trato e a prática da palmatória eram elementos básicos da "didática" escolar vigente. O rigor da escola e a falta de carinho familiar marcaram a vida do órfão Comenius a ponto de inspirar, certamente, os princípios de uma didática que pode ser considerada revolucionária para a época, o século XVII. Ao terminar os estudos secundários, ingressa na Universidade Calvinista de Herbron, região da Alemanha, onde estuda Teologia. Adquire boa formação cultural, e uma vasta cultura enciclopédica; estreita seus laços com a religião e torna-se pastor, tendo ainda, enquanto estudante, iniciado a produção de suas primeiras obras, "Problemata Miscelânea" e "Syloge Questiorum Controversum". Segue
para Heidelberg, região da Alemanha, onde aprimora seus estudos de
astronomia e matemática, retornando à Moravia, sua região natal, e se
estabelece em Prerov atuando no magistério, ansioso em colocar em
prática as idéias pedagógicas trazidas da Universidade.
Ordenado
pastor da seita dos Morávios em 1616, aos 26 anos, muda-se para Fulnek,
capital da Moravia, onde se casa, vive e tem filhos. Os exércitos espanhóis, em 1621, invadem e incendeiam Fulnek dizimando quase toda a população. Comenius perde a família - mulher e 2 filhos - na epidemia de peste que se seguiu. Perde, também, sua biblioteca e seus escritos. Muda-se para Polônia em 1628, como a maioria dos Irmãos Morávios, fugindo da perseguição religiosa. Estabelece-se em Lezno, onde retoma suas atividades de pastor e professor. Dedica-se a escritos religiosos, como forma de ajudar a levantar o ânimo de seus irmãos de seita ainda não recuperados da perseguição religiosa. Nessa
época sua fama como educador já começa a se espalhar, ganhando
simpatizantes na Inglaterra, para onde vai, convidado, e onde permanece
durante um ano. Visita o reino da Suécia, contratado para promover a
reforma do ensino e onde permanece, entre idas e vindas, durante seis
anos, após o que retorna para a Polônia. Preocupado
com um dos grandes problemas epistemológicos de seu tempo - o método -
publica em 1627 a Didactica Tcheca, traduzida em 1631 para o latim como
Didática Magna, considerada sua maior obra. Em 1956, a Conferência Internacional da UNESCO em Nova Delhi (India) delibera a publicação de todas as suas obras pelo organismo e aponta Jan Comenius como um dos primeiros propagadores das idéias que inspiraram - quase trezentos anos depois - a UNESCO e sua fundação.
A pedagogia de Comenius Comenius defendia sua pedagogia com a máxima: "Ensinar tudo a todos" sintetizando os princípios e fundamentos que permitiriam ao homem colocar-se no mundo, não apenas como um expectador, mas como um ator. Objetivando a aproximação do homem a Deus, o objetivo central da educação para Comenius era tornar os homens bons cristãos - sábios no pensamento, dotados de verdadeira fé, capazes de praticar ações virtuosas estendendo-se a todos: ricos, pobres, mulheres, portadores de deficiências. Para ele, a didática é, ao mesmo tempo, processo e tratado: é tanto o ato de ensinar quanto a arte de ensinar. Salientava a importância da educação formal de crianças pequenas e preconizou a criação de escolas maternais, pois assim as crianças teriam, desde muito cedo, a oportunidade de adquirir as noções elementares do que deveriam aprender mais tarde, com profundidade. Defendia a tese de que a educação deve começar pelos sentidos, pois as experiências sensoriais obtidas através dos objetos seriam internalizadas e, mais tarde, interpretadas pela razão. Compreensão, retenção e práticas consistiam a base de seu método didático e, por meio desses elementos, chegar-se-ia às três qualidades: erudição, virtude e religião, correspondendo às três faculdades que é preciso ter: intelecto, vontade e memória. O método deve seguir os seguintes preceitos: - tudo o que se deve saber deve ser ensinado; A obra de Comenius é um paradigma do saber sobre a educação da infância e juventude, utilizando, para isso, um local privilegiado: a escola.
A Didática Magna apresenta as características fundamentais da escola moderna. - a construção da infância moderna como forma de pedagogização dessa infância por meio da escolaridade formal (até então, as crianças eram tratadas como pequenos adultos); - uma aliança entre a família e a escola, por meio da qual a criança vai se soltando da influência da órbita familiar para a órbita escolar; - uma forma de organização da transmissão dos saberes, baseada no método de instrução simultânea, agrupando-se os alunos; e - a construção de um lugar de educador, de mestre, reservado aos adultos portadores de saberes legítimos. O método de Comenius e seus fundamentos naturais: - o fim é o mesmo: sabedoria, moral e perfeição; Suas obras: Escritor prolífico, deixou mais de 200 títulos, entre os quais se destacam: |